Ontem assisti entusiasmado a reportagem no Jornal do Globo sobre a formação de novos atletas e esportistas.

Não fiquei muito impressionado porque já convivi nos USA parte da educação de alguns dos meus netos. Na escola deles além da organização, da seriedade e da competência dos professores (todos especializados e muito bem pagos pelo trabalho importante que realizam) tinha uma estrutura com dependências especiais para a prática de esportes e também para o ensino de artes e música.

Mas, vamos ao tema da reportagem da TV. Países que têm problemas internacionais de natureza política, econômica e social estão conscientes da importância da preparação dos seus jovens. Dedicam tempo, recursos financeiros e programas especiais na formação de uma elite esportiva.

São escolas, Universidades ou Centros de Especialização dedicados especialmente na seleção de jovens, rapazes e moças e do seu preparo acadêmico e esportivo. Objetivam a formação na educação física e obtendo futuros campeões e lideres nas competições internacionais.  Todos esses programas sem privilégios e distinção entre os jovens; estabelecem critérios de ética e espírito competitivo. Tudo é ofertado pelo governo para os mais variados tipos de esportes com o desejo de formar os atletas campeões mundiais.

Assisti à exposição sentindo aquela inveja e até certo ponto, tristeza pela falta de sensibilidade e visão dos nossos dirigentes políticos. Somente veem o futebol.  Quase  diariamente dezenas ou talvez centenas de rapazes, no desejo de exercitar o corpo, encontram-se na praia em um “baba” sem qualquer orientação técnica.  Quantos poderiam desenvolver outros esportes, alcançando índices que permitiriam uma participação nas competições nacionais ou mesmo internacional?

Mas, no município somente existe o “Centro Esportivo” que a natureza lhe concedeu – A PRAIA  e que ela própria cuide da sua limpeza.  E as crianças nas escolas públicas e particulares, que orientação técnica existe para a prática da educação física e o despertar para esta profissão, dedicando-se no futuro ao basquete, à ginástica, à natação, ao vôlei, ao atletismo com suas inúmeras provas e tantos outros esportes?

Alguns campeões brasileiros tiveram que desenvolver seu treinamento em outros países devido à deficiência existente no Brasil.

Busquei em meus arquivos, o artigo que fiz em setembro de 1974, exatamente a 38 anos passados falando sobre este grande problema da formação dos jovens de nossa terra e utilização melhor do Estádio Mario Pessoa. E hoje, como se encontra este Estadio?

Vamos rever o artigo, pois os jovens de hoje ainda não tinham nascido.

 

AS  GRANDES  IDÉIAS  REGIONAIS

     CENTRO ESPORTIVO PARA A JUVENTUDE

                   Na verdade, a ideia destina-se mais a Ilhéus do que à região. Mas, tudo isto que pensei, vale para outras cidades, com os mesmos problemas e possibilidades de resolvê-los.

Nas últimas vezes em que estive no Estádio Municipal Mário Pessoa, relembrei as pistas de corrida, de saltos e os campos de basquete, vôlei e até, de tênis.  Foi uma grande ideia do passado.  Agora, somente mato, desaparecimento das marcas, esquecimento desses esportes pela juventude e a presença de um futebol tão desorganizado, quanto improdutivo e deseducado.

E logo a mente se encheu de ideias, esquemas e planos.  Visualizei um grande Centro Esportivo para a Juventude.

A elaboração de um projeto, utilizando racionalmente o Estádio e o Ginásio, que, com o respaldo do Governo Estadual, por certo obteria aprovação do MEC, tão interessado no desenvolvimento desta área.  Daí, as possibilidades de obtenção de recursos.

Que seria este Centro Esportivo?   Somente Ilhéus congrega mais de 6.000 estudantes secundários em idade apropriada para a aprendizagem e a prática de esportes. Aproveitando-se metade desses estudantes, haveria um número razoavelmente bom para ensinar, adestrar e fazê-los competir, quer para o ensino de Educação Física ou para a recreação da população assistente.

O Centro poderia ser um local de competições intermunicipais ou estaduais, de formação dos jovens, de controle a enfermidades ou dos vícios, que se alastram na juventude, e ainda mais, poderia ser uma atração turística.

Algumas regras, por certo, deveriam ser estabelecidas.  O Centro será para os jovens.  A administração, embora vinculada à Prefeitura, deveria ser independente – técnica, gerencial e financeiramente.  Possuir todos os requisitos de instalações apropriadas, corpo médico e reais professores de Educação Física.  Um bom planejamento daria uma movimentação constante e vida diária ao Centro.

Mas, que valem as ideias presas em minha imaginação?  Assim, fui ao contato com os professores de Educação Física, com a Prefeitura, com alguns desportistas, que certamente poderiam liderar e conduzir ideias como esta.  Fizemos uma nova planta do Estádio, fotografamos a situação das atuais instalações, reunimos, por duas vezes, interessados no assunto e elaboramos esquemas de atuação.  A receptividade era grande em todos aqueles que conheciam a ideia.

Depois, uma nova ideia surgiu.

Vinha do grupo que prefere o futebol.  Este futebol que não é amador, que não distrai verdadeiramente e que não é tão competitivo e alegre, como o futebol da praia.

A nossa ideia apagou-se, com um abrir e fechar de olhos.  E voltei a ver o estádio sem pistas, sem caixas de saltos, quadras, etc.etc.. E a mocidade sem saber o que é um dardo, um disco, as regras e o necessário preparo físico e treinamento para as competições tão educativas e estimulantes.

Talvez, no futuro, outros homens tentarão dar aos seus filhos o vigor esportivo, a liberdade recreativa e sã, que aliados à capacitação intelectual, os colocarão em condições de enfrentar esta vida, cada vez mais difícil e problemática.

 

Ilhéus – 04-09-1974

Publicado no Diário de Itabuna -22/11/74 – Diário da Tarde-Ilhéus 04/09/74