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março 2014
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Heckel Januário em:

Pelo imutável andar da carruagem os governantes brasileiros têm, em detrimento de outras, a propaganda como a queridinha das necessidades, e tanto corre solta lá nos ares brasilianos como em algum Estado federativo, bem como aqui na Capitania dos Ilhéus ou em alguma ‘Cochinchina’ tupiniquim.

É ruidosa nos veículos de comunicação, especialmente no televisivo, mesmo se a verba de um investimento, por exemplo, estiver por levantar e se o parecer do órgão competente ambiental ainda esteja na clássica e demorada passagem de mesa em mesa para ser emitido.

    E incrivelmente acontece com uma visível dessincronização no metiê governamental, pois é corriqueiro uma prefeitura, um Estado ou a União propagar o início de uma obra, anunciar com veemência estar tudo nos conformes, chegar até a construir um baita canteiro e, vem o  Ibama e pimba: simplesmente a embarga. Ora, entre essas esferas de poder, claro, políticas por excelência, e a entidade ambiental, de caráter técnico e fiscalizador, a independência, como requer um processo democrático, obviamente se faz necessária, mas igualmente deveria haver, para o bem de todos e felicidade da nação, uma relação harmônica, inclusive para evitar a semelhança com algum desses times desentrosado de “baba de praia” em que um cara chuta para um lado, outro pro outro.

    Nem as necessidades básicas com a ‘insegurança’ se alastrando pelos quatros cantos do torrão verde amarelo e com a Saúde Pública reclamada diuturnamente seguramente não estão na lista de prioridades. A Educação esta, que deveria ser tratada de cabo a rabo com carinho, ser a basilar mesmo e a regente das demais, para um Brasil melhor em todos os sentidos, ao contrário, capenga no pedaço, embora no blábláblá dos governos ela esteja ‘às mil maravilhas’. O despencar da USP do 158º lugar para o grupo das 226º a 250º, e o da Unicamp que estava no meio das 251º e 275º para o nível 351º a 350º no ranking das 200 melhores universidades do mundo, são sinais evidentes do descomprometimento oficial. Corroborando com a sinalização em recente artigo As topadas da Educação publicado no Diário de Ilhéus, o deputado estadual baiano, João Bacelar escreve que “Um em cada quatro brasileiros de 50 anos ou mais não sabe ler e escrever” e que “De todos os estados brasileiros a Bahia é o que detém a maior população de analfabetos em números absolutos”, acrescentando que no território baiano existe mais 1 milhão e 729 mil cidadãos sem saber ler e escrever, significando 16,6% do total de habitantes e, com os maiores de 60 anos “…o índice alcança absurdos 44% da população”. Além disso, o agente público questiona a subida de 96% do ano 2007 a 2013 no orçamento das quatro universidades estaduais por entender que os números vão de encontro aos constantes insurgimentos dos professores, significando não bater e contradizer o aclive.

Os dados são contundentes e alimentam negativamente, e infelizmente o meu olhar direcionado para os gestores, porque não possuo as respostas-argumentos: a da administração baiana e a da central.

    Outro exemplozinho manjado, intrigante e incitável é com o nosso futebol. Uma paixão nacional não resta à menor dúvida, mas aqui pra nós, era o momento de a gente bancar uma Copa do Mundo, mesmo com a propagada qualificação da acessibilidade, da isso, da aquilo…, da injeção de dinheiro na economia?

    Ah, continuando com o joginho rasteiro de cidadania, aí vai mais uma interrogaçãozinha para o paciente leitor responder tranquilo e calmo: Será que essa preferência exagerada pela propaganda –dos feitos e dos não feitos– não faz parte do  modus operandi do político brasileiro no poder? A meu juízo, tudo indica, pois de boa fé já comi gato por lebre ao achar que tal cegueira propagandista era uma questão de facção, ou melhor, que um governo X era mais consciente do que um governo Y, entendeu? Hoje no meu conceito um e outro se completam, apesar de suas propagadas variantes.

Heckel Januário

2 respostas para “Heckel Januário em:”

  • Dwarf says:

    Dia desses passei a estudar sobre a Suíça e seu sistema “confederativo”, em que a autonomia dos cantões é tão notória que um cantão pode revogar leis federais a partir de referendo popular, a não ser o previsto em Constituição… O que achei interessante nesse sistema é a obrigação do Estado ser produtivo, não ser obrigado – como no Brasil – a ser um zoológico sustentado por metrópoles, haja vista que no Brasil há Estados inteiros coibidos de produzir por uma sanha que mais parece impedimento da competição, afinal, se nascer um centro metalúrgico que desbanque o ABC Paulista ou um porto que torne Santos caro demais, no meio de um “patrimônio ecológico”, o tal patrimônio, ou melhor, o zoológico de gente submisso ao eixo metropolitano, não precisaria mais desse eixo para sobreviver.

    Quanto ao ensino, dia desses me assustei ao ver deputados discutindo educação, usando um vídeo de um vlogger [ http://www.youtube.com/watch?v=G03xH61zqUI ] em que ele entrevista uma professora catarinense que acusa o Governo de promover marxismo cultural na rede pública, forçando um doutrinamento da pedagogia dos oprimidos com conteúdo de Gramsci, Marx e Engels… Bem, prontamente uma deputada de esquerda levantou para defender os “grandes filósofos”, alegando que estavam a combater o ultrapassado ensino positivista enquanto outro deputado dizia que é preciso ler a esquerda pois ele, como um homem de esquerda, leu a direita, citando FHC como uma leitura de direita (quase caio da cadeira quando ouvi isso)… Não sei se não sabem ou se escondem, mas manter um sistema único de doutrinamento, uma única opção para as famílias, remonta do século XIX, da Escola Prussiana, a mesma que doutrinou alemães para as duas guerras mundiais que protagonizaram – com esse sistema se impõe praticamente qualquer coisa ao mais absoluto silêncio, pois não há povo “desviado”, educado em doutrinas alheias, há apenas a massa culturalmente preparada para seguir aquilo que é planificado a uma perpetuação de poder.

    Bem que eu gostaria que o Brasil conhecesse um pouco de School Choice e sistema de vouchers, sistemas educacionais que Suécia e Chile usam, colocando-os respectivamente entre os melhores do mundo e da América Latina quando se trata de educação de qualidade… Mas não, ninguém quer isso, ninguém quer que a pessoa tenha o valor integral do que ele custa para a escola pública a fim de se matricular em uma escola particular ou criar escolas independentes, assim não se desvia verbas com tijolos e merenda escolar; é bom para o povo mas não é bom para eles.

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