REALIZAÇÕES E HISTÓRIA DA CEPLAC – 1957 – 2014

 1985 –  DECEPÇÃO   NA   AGRICULTURA

                        Um Ministro, sem linha e emburrado, recebe pela primeira vez, oitenta e três Sindicatos Rurais e produtores de cacau da Bahia e da Amazônia.

De uma parte, o desejo de conhecer a nova autoridade brasileira para a Agricultura; a vontade de expressar sua satisfação pela Nova República e as esperanças para o campo; a demonstração do apoio de uma classe que constrói este Brasil.  Ainda mais, a busca, coerente e unânime, por um consenso na seleção do dirigente maior da CEPLAC.

Do outro lado, um Ministro, demonstrando a todos, o desinteresse pelo assunto, o receio ou talvez, o medo da pressão destes produtores autênticos.  Como que, por força da obrigação, recebe os produtores e em poucos minutos, decepciona e irrita os homens do campo, que vieram à Capital Federal, às suas custas, com o simples propósito de quererem ser ouvidos, de opinarem nos problemas que lhes são afetos, e com a bondade típica do baiano, lutarem por um nome de conciliação.

Um clima de desconfiança estabeleceu-se, quando o Ministro demonstra que a política agrícola será feita, com a mistura dos órgãos e instituições; como, se uma sopa de verduras com caldo de carne e adoçada com chocolate, levasse à fortaleza do Ministério da Agricultura.

Esquece o Ministro que política agrícola não se faz assim; as instituições, os produtos, os aspectos regionais, caracterizam as unidades, os projetos e programas específicos, as ênfases e prioridades; tudo isto, dentro de uma diretriz nacional e sob uma coordenação competente, gera uma política agrícola.

Eliminar a autonomia das instituições, razão de uma maior eficiência, concentrando no Ministério, geraria uma superprodução, não de alimentos, mas de burocracia e autoritarismo, não condizente com os ideais da Nova República.

A força do Ministério está na coordenação eficiente, interna e externa, através dos enlaces com os órgãos financeiros e econômicos, com os produtores e trabalhadores rurais presentes e sugerindo aos dirigentes, ações concretas.

Está na liderança de todos os produtos agrícolas, inclusive do café, do açúcar, da borracha; na influência decisiva nos planos de financiamentos agrícolas do Banco do Brasil e Banco Central, nos programas rurais hoje localizados em outros Ministérios e mais ainda, no cumprimento da decisão política, presidencial e legislativa, de que este país tem na agricultura, sua grande oportunidade para alimentar o povo faminto e pagar suas dívidas.

Quando o Ministério da Agricultura coordenar todas estas ações, sob um irrestrito e declarado apoio Presidencial, exercer esta liderança com a participação dos produtores, pequenos e grandes e também, de trabalhadores rurais, será possível ter uma Política Agrícola e um Ministério forte, dinâmico e competente.

O exemplo dos produtores de cacau para com a CEPLAC é uma prova evidente disto, traduzida na política brasileira para o CACAU.

 

A criação de um órgão técnico com a sua experiência agrícola e participação financeira consciente, permitiriam que técnicos, em trabalho cooperativo e qualificado, levassem o Brasil a uma posição invejável, no cenário da economia cacaueira mundial, gerando riquezas incalculáveis para o desenvolvimento das regiões produtoras.  Isto tudo, por sua própria iniciativa e espirito desenvolvimentista.

Através de enlaces com setores financeiros, econômicos, políticos, técnicos e do comércio e da indústria cacaueira, soube viver por mais de duas décadas, num entendimento sadio e benéfico ao Brasil. Temos assim, um exemplo de política brasileira para o CACAU.

Os produtores buscam a liderança do Ministro, mas querem garantir a liberdade e o dinamismo das ações, fruto do entendimento que têm com os técnicos e a sociedade regional; querem o direito de estar presentes, discutindo, aplaudindo ou pressionando técnicos e autoridades nas decisões que afetam a economia do cacau.

É esta a filosofia que desejam para o órgão que criaram, sustentaram e sustentam, durante todos esses anos.

                                     Brasília, maio de 1985.

 Jorge Raymundo Vieira, Eng. Agrônomo, MS –  aposentado da CEPLAC.


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