JORGE VIEIRA / CEPLAC EM 30 ARTIGOS (XXV)
Realizações e História da CEPLAC – 1957-2014
2003 – C E P L A C – A UNIÃO COM A UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ
Foi a vida universitária, como estudante e como profissional, que despertou em mim o grande papel que tem uma Universidade, no processo de desenvolvimento social, cultural, econômico, tecnológico e institucional da sociedade regional.
Influência que, às vezes, atravessa fronteiras estaduais ou mesmo internacionais, transferindo novos conhecimentos científicos ou atraindo profissionais líderes em suas áreas de estudo e pesquisa e estudantes na busca do saber.
Foi na Universidade Federal de Viçosa, nos anos cinqüenta, que esta experiência foi vivida. Mais tarde, em visitas a inúmeras Universidades estrangeiras, completei a confirmação desta visão universitária, como a instituição mais completa, mais competente e isenta de quaisquer tendências sectárias em benefício da sociedade.
Para muitos, as Faculdades e Universidades nada mais são, que o local para formar os filhos, através da graduação em algum curso. Hoje, a abertura governamental para criação de novas instituições de ensino superior, de caráter privado, tem unicamente este objetivo, respaldado por um maior interesse financeiro dos proprietários das faculdades.
O sonho da região cacaueira e de muitos líderes educadores e visionários, pode-se dizer, “foi realizado”. A UESC está aí, com mais de 6.000 alunos, com 23 cursos, inclusive de pós-graduação e com uma equipe de profissionais do mais alto gabarito científico.
O sonho de agora é torná-la uma grande instituição, líder no processo de desenvolvimento regional, capaz de realizar as mudanças, preparando a sociedade para um futuro muito mais empresarial, tecnológico, informatizado e competitivo. Assim, imaginamos a Universidade de Santa Cruz galgando um status federal, permitindo uma maior abrangência de suas funções, de sua atuação e dos seus enlaces nacionais e internacionais.
Apesar de o Estado da Bahia possuir sensibilidade para a formação universitária dos jovens, mantendo quatro Universidades Estaduais, tornar a UESC Universidade Federal representa uma oportunidade de crescimento e a possibilidade de mais recursos financeiros, permitindo criar novos projetos educacionais em regiões carentes neste setor. Quando se verifica que o Estado de Minas Gerais tem 12 Faculdades e Universidades Federais, o Rio Grande do Sul tem cinco e os estados nordestinos Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco têm duas Universidades cada um, constata-se que a Bahia tem uma situação de grande desvantagem.
Federalizar a UESC representa uma contribuição à política educacional brasileira, uma vez que todo o esforço técnico, político e financeiro para sua criação e manutenção têm sido do governo baiano e dos produtores de cacau, através do apoio dado pela Ceplac em administrações anteriores.
Mas o que se espera de uma Universidade?
Ao lado deste importante objetivo de ensino superior e de especializações variadas, outros propósitos, tão sérios e necessários, determinam as vertentes da Pesquisa e da transferência do conhecimento. Alguns educadores no passado receavam o fim das Universidades, com a produção em série de livros e mais recentemente com o advento da informática. Imaginavam que os alunos poderiam adquirir o conhecimento lendo livros ou pesquisando na internet. Apesar de ser uma verdade este fato, a geração de novos conhecimentos, oriundos de estudos e pesquisas e o necessário diálogo com os professores instrutores estão a exigir uma instituição permanente.
A pesquisa representa esse outro pilar, na constituição da Universidade. Daí surge novos modelos, nova tecnologia, novos métodos, novos conhecimentos em todas as áreas do saber. Este raciocínio leva a considerar que as Universidades necessitam ter a atividade pesquisadora, envolvendo professores, estudantes e cientistas na busca das soluções sobre os problemas existentes e futuros.
As facilidades de obtenção de livros ou o uso da Biblioteca e o acesso crescente à internet, certamente, estão a modificar a metodologia do ensino, exigindo do professor uma atualização constante e atuação na pesquisa, salvo o que terá dificuldade em induzir os alunos a aceitarem um determinado princípio ou norma.
O outro pilar refere-se à transferência de conhecimentos, atuais e futuros, à sociedade, individualmente ou através de suas organizações. Exige uma compreensão da realidade cultural, tecnológica, social, econômica etc., para determinar a estratégia a ser conduzida, dentro do respeito à liberdade de aceitação de cada participante.
Neste setor, temos a difusão cultural através da edição de livros, revistas e jornal, manifestações musicais e teatrais, de preservação da história da sociedade e da região. Também a transferência de tecnologia para a agricultura, para a indústria, as recomendações econômicas e administrativas necessárias ao sucesso de empresas de diferentes tipos.
Teremos, então, a Universidade como “Centro de Inteligência”; isenta de todos os paradigmas ou preconceitos, da influência política partidária e de forma democrática, aberta a qualquer tipo de estudo e pesquisa, que venha contribuir para o desenvolvimento econômico e social da região e do Brasil.
Assim, visualizamos o futuro da UESC e para facilitar a realização desta nova etapa de sua vida; defendemos a sua federalização, absorvendo o Departamento do Ministério da Agricultura, chamado “Ceplac”, e que foi criado e mantido até pouco tempo, pelos produtores de Cacau da região.
Nos próximos artigos continuaremos discutindo aspectos que envolvem todo o processo de realização desta grande idéia.
Brasília, DF – 09-04-2003
Jorge Raymundo Vieira, Eng. Agrônomo MS – aposentado CEPLAC.
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