JORGE VIEIRA / CEPLAC EM 30 ARTIGOS (XXIV)
REALIZAÇÕES E HISTÓRIA DA CEPLAC – 1957-2014
2003 – CEPLAC – TRANSFORMAR EM INSTITUTO OU EMPRESA PÚBLICA
Desde 1972, a preocupação com o futuro da Ceplac era uma constante na mente de alguns idealistas, preocupados com o amanhã institucional. As idéias surgiram e as tentativas de concretizar algumas delas frustaram-se. De um modelo colegiado (Comissão Executiva), a Empresa Brasileira do Cacau até a uma Autarquia, denominada Superintendência do Plano da Lavoura Cacaueira.
Projetos de Lei, aliados à idéia de Fundação e as tentativas de Agência Executiva não tiveram qualquer resultado concreto. A Ceplac, nestes últimos vinte anos de uma existência quase cinqüentenária, tem constatado o desinteresse governamental, tem sido marcada por deficientes administrações e pouca participação e defesa dos produtores de Cacau e suas organizações representativas.
Agora no novo Governo, de princípios diferentes do anterior aparecem as expectativas e as idéias para o futuro institucional. Incrível, mas as sugestões, propostas e mesmo o projeto de lei foram gerados por ceplaqueanos aposentados. Aqueles que têm amor à região e ao programa que tanto benefício fizeram aos produtores e à sociedade sul baiana. Nada oriundo dos dirigentes passados, sinalizando uma situação de acomodação ou perda total da esperança.
Tropical – Empresa Brasileira de Desenvolvimento dos Cultivos Perenes e Tropicais. É o nome da mais nova proposição para salvar a Ceplac de um triste fim ou manutenção de um desempenho insatisfatório. Documento completo, pronto e entregue aos dirigentes políticos, contendo justificativas, medidas e procedimentos a serem tomados. Apesar de uma exposição entusiasta e repleta de dados e informações sobre o passado, presente e futuro da Ceplac, as reações dos responsáveis pelo destino político da organização não representaram ações e iniciativas para concretizar a proposta apresentada.
Parece que o tema Ceplac e o seu futuro não fazem parte da agenda de atividades, compromissos e planos no exercício de um mandato governamental.
A “Tropical” como modelo institucional parece excelente e procura dar uma grande prioridade a produtos agrícolas, gerados por cultivos tropicais e perenes; Cacau e outros que estão esquecidos, da sua importância e da sua contribuição à economia agropecuária brasileira.
A seringueira, planta nacional que os ingleses levaram para a Malásia e hoje o Brasil importa a borracha de diferentes formas. O dendezeiro fora sua participação nas deliciosas comidas baianas, representa uma forte solução para a produção de combustíveis, através do “dendê-diesel”, conforme estudos feitos há mais de vinte anos. O Coco da Bahia, o Cupuaçu, o Guaraná, a Pupunha e tantos outros cultivos, além da preservação do meio ambiente florestal, estão à espera de uma maior conscientização e ação positiva do governo federal.
A preocupação com o futuro, as pesquisas antevendo riquezas brasileiras, a geração de novas oportunidades para a agricultura nacional, evitando as investidas estrangeiras, quando na Amazônia, catalogam e levam espécies vegetais até então desconhecidas pelos brasileiros, deveriam representar preocupações da sociedade e dos governos estadual e federal.
Nestes aspectos, a “Tropical” teria um valor inestimável, considerando fazê-la uma instituição competente, eficiente e nacionalista ou defensora dos nossos interesses.
Todavia, o nosso país carece de uma real vontade política, na evolução técnica e econômica da agropecuária. Ainda são deficientes e estão aquém da potencialidade do setor agrícola, a prioridade para estudos e pesquisas e a transferência da tecnologia gerada, o oferecimento aos produtores dos meios financeiros e necessários à produção de alimentos e bens que a agricultura poderia oferecer.
A luta para criar uma instituição séria e necessária para o futuro do país; a sua manutenção e crescimento, a valorização dos seus profissionais, em especial do setor agrícola, são algumas das dificuldades existentes para criar uma “Tropical”. No Brasil, cria-se e extinguem-se organizações, sem qualquer análise, apenas por manifestações jornalísticas de políticos contrários ao governo.
Outros problemas existem, na compatibilização das responsabilidades e atividades, gerando, possivelmente, mais conflitos que cooperação, com a Embrapa. Hoje, já fazem parte da estrutura e programação dessa instituição, Centros de Pesquisas dirigidos a estudos e pesquisas de alguns cultivos perenes e tropicais. Acredita-se que eles não têm a magnitude que a atividade exige, especialmente visando o futuro, mas de qualquer forma compõem o acervo organizacional e programático da maior instituição agrícola do Brasil.
Estas e outras considerações sobre a proposição da “Tropical” levam a considerar difícil sua criação neste clima político, econômico e organizacional do país. Todavia, a apresentação do Projeto de Lei sobre a criação e as discussões sobre o tema serviram para chamar a atenção dos dirigentes técnicos e em especial dos políticos sobre a necessidade urgente de atuar de forma mais abrangente e agressiva no desenvolvimento da produção de vários cultivos perenes e tropicais importantes.
Brasília, DF – 04 de abril de 2003.
Jorge Raymundo Vieira, Eng. Agrônomo, MS – aposentado CEPLAC.
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