Nossa Saúde reflete a Saúde do nosso Brasil
Senhores,
Sei que será praticamente impossível fazer minha voz solitária ser ouvida pelos nossos governantes, mas, mesmo assim, vou relatar a minha experiência.
Já ouvi várias vezes nos veículos de comunicação que os problemas com a saúde estão sendo solucionados, ouvi também a presidente Dilma falar que os médicos cubanos iriam melhorar os atendimentos nos hospitais e postos de saúde…
Minha esposa passou mal na segunda feira dia 23/02/2015 e foi atendida na Emergência do Hospital São José em Ilhéus – BA, onde foi diagnosticada pressão alta 15×10, foi medicada e liberada pelo médico plantonista, a orientando que procurasse um clínico geral para solicitar os exames de hipertensão (Não entendi porque o mesmo medico que a atendeu não solicitou os exames).
Fomos informados que na COCI havia um Dr. Emanuel, que seria um ótimo clinico, mas que o mesmo só atendia 20 pacientes do SUS por dia e para pegar essa ficha eu teria que ir bem cedo.
Acordei às 03h40min da madrugada do dia 25/02/2015 e fui sonolento, com medo de encontrar um bandido no percurso, mas, acima de tudo, confiante que iria pegar a ficha e minha esposa poderia ser atendida.
Ao chegar à COCI, às 04h00min, me deparei com uma fila onde eu seria o 29º, ou seja, não estava entre os 20 sortudos. Decepcionado e me questionando do que adianta para um trabalhador pagar o INSS todo mês, se quando precisamos dele não somos servidos, eu voltei para o conforto do meu lar e dei a péssima notícia para minha esposa.
Na madrugada do dia seguinte, 26/02, eu resolvi sair mais cedo e, certo de minha vitória, sai de casa à 01h20min da manhã. Acreditem, quando chequei à COCI já haviam cinco pessoas em minha frente, todos assustados, expostos aos perigos da violência que tomam conta de nossas cidades, ao frio e a chuva, que em um determinado momento resolveu banhar a noite.
Ficamos ali, contando experiências de vida, falando da indignação com o nosso governo atual, o mau uso de nossas riquezas naturais, e nesse papo descontraído fomos observando as horas passar entre um cochilo e outro.
Às 06h00min da manhã uma recepcionista, vinda não se sabe de onde, abre a porta da COCI e manda organizar a fila, que a essa altura já tinham umas 50 pessoas.
A recepcionista, educada por sinal, nos entregou as fichas – feitas de emborrachado bastante encardido com os números escritos de pincel atômico – e nos orientou a formar a fila dentro da COCI, para gerar as Fichas médicas no sistema.
Às 06h30min a ficha de minha esposa já estava no sistema e a mesma aguardava o atendimento médico, foi quando eu retornei à minha casa para tomar um banho e ir trabalhar.
Para minha surpresa, às 11h30min minha esposa ainda estava na sala de espera, junto com os outros 19 “sortudos”, aguardando que o médico atendesse primeiro todos os conveniados para só depois atender o SUS.
Quando o último conveniado saiu da sala do medico a minha esposa me relatou que dava para ver a sensação de alívio nos olhos dos “sortudos”, uma euforia tomou conta de todos, aguardando a chamada da ficha de número 1 do SUS.
Essa demora se prorrogou por meia hora e ninguém foi chamado, a essa altura a euforia já dava lugar ao desespero, quando a recepcionista informou que “infelizmente o Dr. Emanuel recebeu uma ligação da escola do seu filho”, teve que ir urgente e não poderia atender os 20 “sortudos”, mas, que os mesmos não se preocupassem, pois amanhã a partir das 07h30min Dr Emanuel vai atender os mesmos.
Aí vem as minhas perguntas:
- Se amanhã ele vai atender os 20 de hoje, como ficarão os pacientes que passarão a noite na porta da COCI essa madrugada sonhando com o atendimento amanhã?
- Como fica o dia de trabalho das pessoas que passaram a manhã toda aguardando atendimento e não foram atendidas?
- E se amanhã a escola onde o filho do médico estuda ligar novamente?
- E a principal pergunta: Como pode uma pessoa doente, que deveria está recebendo cuidados, ter que passar por tanto estresse, dormir em uma fila exposta ao sereno da noite, correr risco de vida para se deslocar pelas ruas escuras e sem segurança de nossa cidade para aventurar uma consulta médica?
Será que alguém pode me responder isso?
Silvio Nunes
ESPAÇO ABERTO PARA OS CITADOS – QUERENDO – SE MANIFESTAR.



























































30 anos de péssimos políticos, acabaram com a nossa linda Ilhéus.
A saúde em nossa cidade, como todos serviços básicos, está sucateada. Hospitais e postos médicos fechando, cartel de plano de saúde, médicos (com exceções) decidindo quando e onde atender pacientes, técnicos em enfermagem fazendo procedimentos de enfermeiras/os.
Com a palavra nossos governantes.
A situação de Ilhéus não é muito diferente de outras cidades do Brasil, até metrópoles, como o Rio de Janeiro, na qual eu moro. Transformar em negócio um bem tão vital à sociedade, sucatear o SUS como o fez de forma leviana toda a gestão do PSDB de Fernando Henrique Cardoso, com o intuito de favorecer grandes redes de hospitais particulares que não recebem avaliações rigorosas quanto aos planos que entregam… é brutal!
Um problema estrutural da cidade e do país, assim como o é a educação pública. A nossa tristeza e raiva deve servir de combustível para manifestar publicamente essas insatisfações. Oxalá existem espaços como esse onde podemos debater, conclamar, trocar, esperando que, se não chegar aos olhos e ouvidos dos governantes, pelo menos produza em cada um o sentimento de vontade de mudança. Uma mudança que pelo histórico, não deverá vir de cima pra baixo. Nem espiritualmente, nem politicamente. A mudança radical em nosso país e em nossa cidade, é muito mais provável que aconteça debaixo pra cima. Educando nossos filhos, economizando água, não sujando as praias, sendo bons professores, médicos, respeitando o próximo, etc. E sempre que pudermos, gritando, indo às ruas, tornando públicas nossas indignações políticas.