Contra a alergia
Alergista fala sobre seus perigos e como evitar alguns tipos de alergia
Espirros, tosse, coceira, inchaço. A alergia não é só doença de criança e não deve ser ignorada quando se manifesta na maturidade. E não é só pelo incômodo não. Um processo alérgico não tratado adequadamente pode levar até à morte por parada respiratória. O que você come e o quão limpa você mantém a sua casa são fatores simples mas que exigem atenção e cuidado para afastar a alergia.
Embora a alergia seja uma doença que começa a se manifestar na infância, ela pode, sim, se desenvolver na fase adulta. “A alergia é uma resposta exagerada de defesa o organismo a um elemento que, por si só, não é nocivo. O corpo reconhece um elemento inofensivo como se fosse extremamente agressivo. Embora seja uma doença que normalmente se inicia na infância, pode aparecer em qualquer faixa etária, inclusive acima dos 50 anos”, alerta o alergista e presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (ASBAI), João Tebyriçá.
A alergia tem várias maneiras de se manifestar no corpo e, por isso, é preciso estar atento aos sinais. Segundo o alergista, cada tipo de manifestação alérgica tem sintomas característicos. “Os sintomas da alergia respiratória são rinite alérgica, espirro, coceira os da asma brônquica são tosse, falta de ar, chiado e da alimentar, as reações são gastrintestinais e cutâneas. Quando a alergia não é identificada e tratada, ela pode evoluir e chegar a atacar vários sistemas do corpo ao mesmo tempo. O choque anafilático ocorre quando o paciente sente falta de ar súbita, coceira, cólica, diarréia, a pressão cai e ele entra em estado de choque. Se não for tratada imediatamente, em minutos, pode levar a uma parada respiratória”, descreve.
Quando uma pessoa desenvolve alguma resposta alérgica, por exemplo, após uma refeição, busca identificar qual alimento ingeriu que não estava acostumado. Pois João Tebyriçá diz que é o oposto. “Se o indivíduo tem urticária após uma refeição, vai tentar identificar qual foi o alimento que nunca comeu antes, mas na verdade é o que ele sempre come ou que come eventualmente. Se, por exemplo, acontecer de ele ter alergia a camarão e nunca haver percebido que a coceira é causada pelo camarão. No dia que comer muito camarão, terá uma reação violenta. Os pequenos sintomas alérgicos podem passar despercebidos, mas uma reação violenta pode vir da quantidade e do tempo de exposição ao fator”, explica.
No entanto, existem maneiras simples de evitar as alergias. João alerta que “o principal causador da alergia respiratória é o ácaro, presente na poeira domiciliar. Quem tem problemas como rinite e/ou asma deve adotar medidas de controle ambiental: evitar tapetes, estofados, almofadas, roupas guardadas há muito tempo e acúmulo de objetos como bibelôs, porta-retratos etc. Limpar frequentemente a casa usando um pano úmido. Vassoura, espanador e aspirador de pó levantam poeira, que só irão se depositar novamente após duas ou três horas depois da operação de limpeza. O pano úmido é a maneira mais segura de retirar a poeira do chão e dos objetos”.
Existem muitos mitos acerca de alimentos ou tratamentos caseiros para prevenir ou curar os sintomas alérgicos, mas o alergista explica que não existe mágica. “Muitas pessoas acreditam que ingerir mel seja benéfico para pessoas alérgicas, mas isso não é verdade. Esse alimento é até contraindicado pra pessoas alérgicas. Outro alimento que dizem que é indicado é o leite, mas ele aumenta a secreção e piora a alergia respiratória. O indivíduo com alergia respiratória deve fazer tratamento contínuo com corticosteróides inalatórios via nasal ou brônquica. Existem também vacinas para determinados tipos de alergia”, conclui.


























































