Coluna Carlos Brickmann / “Entre tapas e beijos”
Não, não foi preciso bater o tacape na mesa. Bastou à presidente Dilma tirar a tampa da caneta que nomeia e desnomeia para que o Partido da República, o PR de Valdemar da Costa Neto, Blairo Maggi e Alfredo Nascimento, suspendesse seus movimentos de rebeldia. E o homem-bomba Luiz Antônio Pagot, que em seu depoimento no Congresso destruiria ministros, foi bonzinho. O leão miou.
Dilma foi longe: para o lugar do ministro Nascimento, humilhado e afastado, nomeou outro integrante do PR, Paulo Passos – integrante, mas mal-visto no partido. Dizem à boca pequena tudo de ruim sobre ele: até que tem fama de honesto. Que horror!, exclamarão seus correligionários. Mesmo assim ganhou o cargo.
Mas Dilma não irá tão longe quanto deveria. Quem tocou a pontapés o comando do Ministério dos Transportes não poderia parar aí. As sindicâncias e apurações de eventuais irregularidades teriam de vir em seguida e não vieram. Aliás, não virão. Dilma já foi ousada o suficiente. Mais do que já fez seria temerário. Outros partidos não são melhores que o PR e poderiam sentir-se ameaçados. Enquadrar as bases, vá lá; mas acuá-las põe em risco a segurança do Governo. A propósito, tratar com dureza quem assim deve ser tratado não será bem-visto nem mesmo na oposição. Cada partido sabe direitinho onde lhe dói o calo.
Por falar nisso, agora em agosto prescreve o crime de formação de quadrilha no caso do Mensalão. Julgamento das outras denúncias, talvez só no ano que vem. Se não houver recursos inesperados, se as costas do ministro melhorarem.
Relembrando
O novo ministro dos Transportes é funcionário de carreira, sem deslizes conhecidos, já ocupou interinamente a pasta, entende do assunto. Que falam dele seus colegas de partido? “Competente, sério, probo, reto, íntegro”, dizia o deputado mineiro Lincoln Portela, líder do PR na Câmara, pouco antes da nomeação. “Mas entre ser tudo isso e ser ministro do partido há uma distância a percorrer”.
É que, para o PR, aqueles elogios não são elogios: são uma lista de defeitos.
O famoso quem
O ministro da Educação, Fernando Vaidadd (há quem diga que é Haddad), anunciou aquilo que todos já sabiam: gostaria de ser prefeito de São Paulo. Atenderia à recomendação do ex-presidente Lula, que defende a renovação. A idéia de Lula é boa: nada melhor do que a renovação no Ministério da Educação.
Sugestão
Lembrando a campanha vitoriosa de Barack Obama e as idéias que Haddad defendeu no Ministério, esta coluna lhe sugere um slogan eleitoral: “Nóis pode”.
Armação total
Lembra do caso Roberto Cabrini, ocorrido há três anos, em que o repórter foi preso com dez papelotes de cocaína no carro, dentro de uma favela, e ficou dois dias na cadeia, sujeito a todo tipo de exposição negativa? Pois bem: a Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo concluiu que Cabrini foi vítima de uma armação de seis policiais civis, entre eles um delegado. O motivo da armação ainda não foi esclarecido, mas suspeita-se de que teria sido paga pelo dono de um prostíbulo paulistano. Traduzindo: Cabrini, ótimo repórter, passou três anos sob o peso de uma acusação falsa. Foram três anos terríveis, em que ele e sua família foram achincalhados. Não há como ressarcir-lhe o tempo e o sofrimento.
E pensar que há autoridades que fazem essas coisas para aparecer na TV!
Sem bebida, sem bafômetro
O deputado federal Romário, do PSB fluminense, foi parado por uma patrulha da Lei Seca. Não quis soprar o bafômetro: preferiu pagar a multa de R$ 957,00 e ficar cinco dias sem carteira de motorista. Romário é o terceiro político apanhado pelas patrulhas a preferir evitar o bafômetro: os outros foram o senador Aécio Neves, tucano de Minas, e o ex-tucano, hoje pessedista, Índio da Costa, que foi candidato a vice de Serra. Romário disse que todos sabem que nunca bebeu. OK, ele sempre teve fama de baladeiro, porém abstêmio. Mas:
1 – por que tanto ele quanto Aécio e Índio preferiram pagar uma multa alta a submeter-se ao bafômetro? Político ganha tanto que nem sente essa multa?
2 – por que só são apanhados nessas patrulhas políticos de oposição, como Aécio e Índio, ou que estão causando problemas ao Governo Federal, como Romário, que se lança contra a tão governista CBF? Tanto o governador do Rio, Sérgio Cabral, quanto o prefeito, Eduardo Paes, são Dilma desde bebezinhos.
Trânsito sem vítimas
Está na hora de acabar com essa brincadeira. Que punição é essa, que se limita a uma multa e a cinco dias sem carteira, para uma infração que pode matar outras pessoas? Agora, em São Paulo, o motorista de um Porsche, carro leve e pequeno, corria a tamanha velocidade que destruiu uma enorme perua muito mais pesada (e matou sua proprietária). O cavalheiro está livre, pagando fiança de R$ 300 mil.
Tem toda a liberdade para aprontar outra catástrofe.
Bola pingando
Lula cancelou sua visita à Biblioteca de Alexandria, no Egito, “por questões de segurança”. Há gente que considera os livros extremamente ameaçadores.
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