PRAÇA DOM EDUARDO
Na década de 50 existiam três casas antigas próximas a Praça Dom Eduardo que foram demolidas posteriormente para construção do Ilhéus Praia Hotel. Lá passei boa parte de minha infância, pois morava em um das casas. A residência vizinha, onde hoje existe a COTI morava Arthur Leite, ex-Prefeito de Ilhéus, que tempos depois vendeu a propriedade ao empresário Acidálio Mendonça que por sua vez vendeu ao agricultor Jofre de Carvalho, pai do meu grande amigo de infância Joaquim Carvalho.
A Praça era linda e atraente, tinhas bancos de madeira e leãozinho deitados e em pé para a gurizada brincar. Vez em quando apareciam ciclistas que pedalavam três dias seguidos sem parar. Os faquires também mostravam sua capacidade de ficar uma semana deitados em uma cama de pregos alimentando-se apenas de líquido. Os curiosos ficavam maravilhados com os artistas. Próximo a praça funcionava o Cine Teatro Ilhéos que passava filmes de cowboy, Tarzan, Zorro e filmes nacionais com Zé Trindade, Oscarito, Grande Otero, Zeca Tatu e Zeze Macedo.
O Ponto Chic na época já era famoso devido a delícia dos sorvetes fabricados pelo antigo funcionário conhecido por mudinho.
A Catedral São Sebastião recém inaugurada recebia os fiéis que muito contribuíram para erguer nosso majestoso monumento arquitetônico. Ainda hoje nosso inesquecível Dom Eduardo continua sendo venerado pelos Ilheenses.
O Clube dos Bancários realizava memoráveis carnavais. Hoje nesse lugar fica a Casa de Cultura Jorge Amado.
O Bar Maron (Vesúvio) de Emilio Maron era bastante freqüentado pelos visitantes e os coronéis da região. Dona Lourdes vendia seus deliciosos quibes. A cerveja era gelada na sal moura pois não existia geladeiras especifica para bar. O balcão e mesas eram de mármore.
Frente ao Bar Maron existiam amendoeiras que contribuíam com sua sombra. Era o lugar ideal para os foliões no carnaval esquentar os tambores e tamborins.. No local também era armado palanque para realização de comícios. Tive o privilégio de assistir os comícios dos candidatos a Prefeito Herval Soledade e Henrique Cardoso, bem como dos candidatos a Presidência da Republica Janio Quadros (O homem da vassoura) e Marechal Lott (O Marechal da espada).
Ao lado da Catedral era armado um enorme tablado para apresentações de blocos pirrôs e colombinas, batucadas, escolas de samba e afoxés.
Os principais trechos do centro da cidade eram ornamentados com figuras carnavalescas. O tradicional Trio elétrico Tamoyo era indispensável para abrilhantar o carnaval. As marchinhas tocadas divertiam os foliões (Indio quer apito … Corre corre lambretinha… Você pensa que cachaça é água … Mulata bossa nova … Somos da turma tricolor…). Vez em quando o trio parava para os foliões tomar o refrescante banho a fantasia na praia da Avenida Soares Lopes. Hoje, porém, não há mais carnaval como antigamente. Os coronéis morreram. O cacau acabou. Cortaram as amendoeiras. Não temos mais blocos e nem escolas de samba. O mar distanciou da avenida. As marchas de carnaval foram substituídas por um tal axé onde o povo bota as mãos pra cima e dança o remelexo dizendo: Assim não agüento, assim você me mata…

Luiz Castro
Bacharel Administração de Empresa