Um balanço da participação brasileira em Londres!

Alberto Kruschewsky*
Voltei ao Brasil feliz! Acompanhar a olimpíada em Londres foi uma experiência enriquecedora, parte de uma história que começou há 5 anos nos jogos panamericanos do Rio de Janeiro e que vai continuar com Toronto 2015 e Rio de Janeiro 2016. Foi impressionante ver a quantidade de voluntários de todas as idades que colaboraram para o sucesso do evento em Londres, recorde na história das olimpíadas. Bastava alguém demonstrar dúvida de onde ir para surgir um voluntário pronto a ajudar. É um modelo a ser seguido no Rio de janeiro!
As instalações foram perfeitas e os Jogos apresentaram um nível incrível, que cresce olimpíada a olimpíada e que desafia os limites do corpo humano em todas as modalidades. E o Brasil? Conquistamos em Londres 17 medalhas (3 de ouro, 5 de prata e 9 de bronze), quebrando o recorde de Pequim 2008 e Atlanta 2006, com 15 medalhas nas duas edições. Apesar da pressão que vem acontecendo, acho positiva a nossa participação, embora tenhamos que mudar muitas coisas para atingirmos um desempenho de sede olímpica em 2016. Acredito que a insatisfação exagerada vem das derrotas e medalhas de prata do futebol e vôlei masculino, modalidades de grande torcida e expectativa brasileiras.
É cansativo comentar o futebol! A seleção não estava nem aí para o nosso desempenho nos jogos, os jogadores nunca se integraram às outras modalidades e cada um deles tinha prêmio prometido no caso de medalha! Pode? Vinte e dois caras que ganham muito bem trazem apenas uma medalha e ainda jogam por prêmio em dinheiro! Enquanto isso, Sarah Menezes sozinha trouxe uma medalha a 3.100 reais por mês! Esta seleção, que nos levou ao 13° lugar no ranking da Fifa, atrás de países como Dinamarca e Grécia, a pior posição da nossa história, não mereceria mesmo ganhar o primeiro ouro olímpico do futebol! Dunga deve estar rindo daqueles que cobraram do treinador a presença de jogadores como Neymar, Pato e Ganso na seleção de 2010! Quanto ao voleibol masculino, acho que a final foi fruto da sorte na tabela e da força da camisa contra alguns adversários, pois não vivíamos um bom momento. A medalha de prata foi surpresa, embora o ouro tenha ficado próximo.
Mas, apesar de grandes momentos como a força dos judocas, dos meninos do boxe, da pernambucana do pentatlo, das meninas do voleibol, de Zanetti nas argolas e, mesmo sem medalhas, das meninas do handebol, Diogo no Tae kwon Do, dos maratonistas brasileiros, do Basquete masculino, que tiveram grandes atuações e ficaram sem medalhas, existem preocupações. Dentre estas, está a forma como os treinadores de alguns esportes encaram o ciclo olímpico, que é o período que separa duas olimpíadas. Liderar ou ter excelentes resultados no último ano do ciclo ou mesmo em grande parte deste não significa estar bem na olimpíada! Programar estes quatro anos como um grande ciclo exige muita capacidade e uma pitada de “arte”! Atletas sumidos ou em posições intermediárias no ranking de seus esportes costumam surpreender em olimpíada, mas esta surpresa é só dos seus adversários ou torcida, pois eles e seus treinadores sabem bem o que estão fazendo!
Esta reflexão vale para várias modalidades, principalmente para o atletismo e a natação, esportes nos quais os resultados em Londres, quando não foram ruins, não atenderam à expectativa. São esportes que geram muitas medalhas e que merecem nossa atenção. Além do ciclo olímpico, a questão do investimento financeiro deve ser revista e planejada de forma mais eficiente. Minha expectativa? Grandes Jogos Olímpicos em 2016 no Rio!
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Alberto Barretto Kruschewsky
Professor Ms. Educação Física
DCS/Universidade Estadual de Santa Cruz/Uesc
(36323956/99667204)



























































