por Edgard Siqueira

Aproveitando o gancho das declarações da Presidente de FUNAI de que uma das principais causas do conflito entre índios e fazendeiros, são as ações judiciais (liminares)  impetradas pelos agricultores.

Numa disputa acirrada é de se esperar que toda vez que o adversário consegue uma vitória em determinada batalha, venha uma reação. É o caso das liminares que suspendem os processos de demarcação. Embora, as invasões sistemáticas que ocorreram, nem sempre foram  em reação a uma liminar. E dai se o fosse? Nesta disputa, estão esperando o que? Receber boque de flores? Cortesias? Obediências às leis por parte dos índios? Pra isso acontecer temos que combinar com Babau, lhes prometendo que vamos ser bonzinhos (como estamos) até a conclusão do processo, com a sua homologação. Processo que está sendo conduzido de maneira  inovadora, que se não fosse as limares de particulares,  já teria nos custado muito caro.

As declarações da Presidente da FUNAI deixam claro, que pelo Brasil afora os Agricultores não estão preocupados com o tipo de reação. O que importa realmente é não deixar os processos avançarem. Custe o que custar. Invasões vão continuar ocorrendo independentemente de liminares. Mas, o que interessa, é mantermos o status de legítimos proprietários, em vez de posseiros em uma terra já demarcada, em função da conclusão do processo administrativo que tem esta finalidade.

Aqui, o entendimento é tão contrario que a primeira liminar conseguida por um particular, (importante: com o aval dos jurídicos do movimento) deflagrou uma reação intempestiva, desproporcional, sem fundamentação, caluniosa  e acima de tudo injusta. A ponto de um dos advogados contratado, tomar a inacreditável e injustificável iniciativa de ajudar a FUNAI na tentativa de derrubar a liminar conseguida com muito  sacrifício, principalmente financeiro.  Um fato inédito nestes processos, um agricultor do lado da FUNAI, contra parceiros agricultores.

É muito preocupante ter um advogado que  não apoia e ainda conspira contra a única maneira viável de mantermos as nossas propriedades. E que até hoje os agricultores estão esperando o seu diagnostico sobre a questão, para justificar os honorários recebidos.  O vice Presidente da CNA tinha razão quando nos alertou para termos cuidados com os advogados nestes processos.

Hoje, está evidente, aqueles que defendiam a estratégia de parar o processo via liminar, ESTAVAM CERTO, e que por isso, foram ARBITRARIAMENTE expulsos da Associação. Medida que feriu gravemente o movimento de luta contra a demarcação.

A atual liminar, ainda em vigor  (de um particular) também foi alvo de desqualificação. Liminar que está nos propiciando esta aparente calmaria, como se tudo já tivesse sido resolvido, (e não está) principalmente, depois das declarações exitosas efusivamente festejadas (e não consumadas) durante a manifestação participativa, que aconteceu no aeroporto. Incutiram um falso sentimento de já ganhou. As invasões continuam acontecendo e por isso, não são noticiadas. Numa intenção de manter  artificialmente a realidade.

Está na hora do despojamento de vaidades. É imprescindível que todos abracem a única estratégia viável, enquanto há tempo.   Está na hora da Associação deixar de ser apenas do discurso, a Associação apenas das reuniões mensais no Sindicato Rural, a Associação que tem como único apoio ao Agricultor acompanha-lo a Policia Federal para registrar uma ocorrência, quase  sempre com um fotografo para registrar o feito. Convenhamos que é um apoio insignificante para o que está em jogo.

Outro dia, bem cedo, num posto de gasolina próximo a ABBB, presenciei  a Força Nacional e a Policia Federal se preparando para uma reintegração de posse. Notei a presença solitária de um Agricultor com a sua Filha. Cada um por si não dá. Cadê o apoio necessário da Associação para acompanha-los?  Na quarta- feira 31/10   foi reintegrada uma Fazenda recentemente invadida nas redondezas de Olivença. Na sexta os pseudos índios voltaram a invadir. Por quê?  Falta apoio do movimento nestas ações. É necessária a presença de quantos queiram nestas reintegrações e a manutenção de uma segurança por alguns dias para solidificar a posse. Assim, se faremos respeitados.  A atual passividade, sim, é  que estimula as invasões. Estão  fazendo valer à máxima tão garbosamente  decantada nas  reuniões “A COVARDIA DOS BONS É QUE FOMENTA A AUDACIA DOS MAUS”

Além,  de mantermos o processo parado, é preciso reunir em um grupo todos os afetados por invasões. Apoiar-se-iam entre si,  repartindo sem perda de tempo os caminhos mais curtos da justiça. Criariam um fundo financeiro para custear as ações necessárias, com êxito, o que seria muito mais barato de que custear individualmente as ações de reintegração de posse.  E sempre que um agricultor fosse vitimado por uma  nova invasão, automaticamente, seria adotado por este grupo. Isto é possível. Os agricultores já deram mostra do que são capazes. Basta guia-los com a verdade. Imediatamente se faram presentes.

POSSO ATÉ CHORAR POR TER PERDIDO, MAS, NÃO VOU CHORAR POR NÃO TER LUTADO.