A cultura em Ilhéus? Vai muito bem, obrigada.
por Luciano Sanjuan Portela
Falar mal do atual governo municipal de Ilhéus é quase uma unanimidade, basta estar vivo e com apenas um olho, que já se tem a dimensão do estrago. Saúde, educação, pavimentação, lixo, é caótica a situação do município e isso todo mundo fala, fala e muito, com “muuuita” razão.
Mas, contudo, todavia, porém, entretanto, tem uma bela e nobre exceção no reino administrativo da “Princesinha do Sul” – “A Cultura”… Setor que foi tão maltratado nas últimas décadas, voltou a brilhar e fazer a cidade ter motivação para se encontrar nos diversos eventos que foram criados e ai a lista é longa é bela – Caetano veloso, Morais Moreira, Família Caymmi, Balé do Castro Alves, boas bandas regionais (ééé nós temos bons artistas) Ruanda, O Quadro, Fabiano, Banda Chorinho Brasil…
O teatro voltou a trazer grandes espetáculos de nível nacional, mas também apoiou shows de artistas locais, que voltaram a utilizar o seleto palco para os balés e cantorias “dos nossos” isso tudo movimentando gente e público, que saíram de suas casas para prestigiar gente que vive com a gente, tipo Dulce Drummond, Bebeto, Fabiano Carilo, Edu Neto, o Teatro Popular de Ilhéus, entre tantos e tantos que voltaram a pisar o palco do elegante Teatro Municipal de Ilhéus.
Claro que o Pessoal do Teatro Popular de Ilhéus continuou arrasando, Pawlo cidade continuou fazendo seu trabalho na base, claro que Beto Produções continuou agitando bem, Marco Lessa entrou pesado na produção de bons eventos e o Batuba continuou trazendo o melhor da música dançante, além de outros bons que deixo de citar pelo pequeno espaço e fraca lembrança.
Mas aqui preciso salientar o incansável trabalho de Maurício Corso, que teve o profissionalismo e a sensibilidade de estimular e resgatar valores culturais elevados da nossa sociedade, incentivando o belo, contradizendo o que tinha sido posto e que a cidade acreditou durante muito tempo que “o povo gosta de baixaria”.
Maurício resgatou do fundo do nosso esquecimento o nosso (da Baixa Fria) Saul Barbosa com sua MPB simples e sofisticada, trouxe A Família Caymmi para ser aplaudida em praça pública, trouxe a Orquestra Sinfônica e a Orquestra Sinfônica Afro da Bahia para ser escutada pela população, criou o conselho de cultura para ampliar o processo cultural na cidade e tantas outras coisas que foram feitas e que levaram novamente as pessoas de bem a frequentarem as festas populares Ilheenses.
Lembro que tempos antes dessa enxurrada cultural, as festas públicas se transformaram em palcos de gritaria, violência e sensualidade quase explicita, deseducando jovens e atraindo a marginalia para a Soares Lopes, Dois de Julho, quando a praça Dom Eduardo vivenciou experiências festivas tão violentas como nunca tinha visto antes na história do meu querido município.
Então tai final de mandato, novo governo chegando, se em diversas áreas da governança municipal os secretários se fizerem pouco serão bem reconhecidos, na gestão cultural precisará ter bastante conhecimento de caso e suar a camisa para dar continuidade ao bem que vem sendo feito e que continue valorizando as manifestações culturais que elevam a alma dos nossos, que forme plateia no teatro e que continue resgatando o gosto pelo belo, bom, bem humorado, bacana, bonito…


























































