“O meu direito termina onde começam os direitos dos outros”

Esta máxima me acompanhou toda a minha vida. A preocupação de meus pais foi nos educar dentro dos princípios morais e religiosos em que foram criados. Quantas vezes sinto orgulho em ouvir as pessoas me dizerem que respeitavam e gostavam de meus pais, em saber que meu pai veio para Ilhéu de Salvador, ainda jovem, construiu o Posto Brasil, era conhecido como Mestre Chico, e se impôs, negro, mecânico dos bons. Quantas pessoas foram seus aprendizes, consertava até avião. Era um autodidata. Que orgulho ser sua filha.

Tenho certeza que se estivesse vivo se orgulharia ao ver suas filhas (Lina e eu), seguindo os seus ensinamentos, assim como a minha mãe Idelcina vivenciou até junho deste ano, quando Deus quis levá-la para cumprir outras missões.

Sou ilheense sim senhor, que visto a camisa, que acredito nesta Cidade de São Jorge dos Ilhéus, que realizo o trabalho que Deus me destinou, na certeza que este é o caminho que devo seguir.

Hoje sinto uma tristeza enorme, de não ser respeitada como cidadã, de 62 anos de idade, de ver os meus direitos desrespeitados, ao ponto de ter que entrar na Justiça para que eles sejam respeitados.

Moro há trinta anos na Avenida Osmundo Marques, última cãs do bairro São Francisco, e quando aqui vim morar não existiam muitas casa, nem calçamento, vivenciamos o crescimento deste e dos bairros circunvizinhos, passamos muitas coisas.

Hoje na praça na qual se localiza a minha residência vejo a frente da minha casa ser tomada por uma barraca e um toldo onde se comercializa pizzas, no passeio dos transeuntes, em baixo de dois toldos, que hoje não se encontrar no local, por seu proprietário está fazendo uma reforma no toldo, sendo informada que ele trocará o móvel por um permanente, com a conivência do Poder Público.

Fiz denúnica ao Muncípio, solicitando providências em relação a situação esdrúxula, e o Secretário de Administração me informou que havia sido cancelada a Permissão de Uso da praça e Alvará da barraca e que os toldos não poderiam mais se instalar no local, seriam retirados.

Para minha surpresa por duas vezes, o atual Secretário de Serviços Urbanos, amigo dos usuários dos espaços indevidamente esteve no local, o que me surpreendeu, porque no mês de outubro próximo passado, ao me encontrar na prefeitura para resolver situação pertinente entidade que sou Presidente, o encontrei no Gabinete do Secretário de Governo, e ele me informou que no dia seguinte retiraria a barraca. Gostaria de entender Senhor Secretário qual a sua decisão em cumprimento ao cancelamento da permissão e alvará, acatará ou ira descumprir?

Juntei ao processo todos os ofícios encaminhados aos órgãos competentes do Município, e por não lograr êxito, não me restou outra alternativa, acionar o Município judicialmente, para não só os meus direitos, mas de todos os cidadãos que têm  o direito de transitar pelo passeio público, e a ter uma praça, cujo projeto se encontra acostado aos autos, assim como nos ofícios encaminhados ao Município.

Rabat este desabafo é necessário porque precisamos aprender a brigar por nossos direitos, assim como cumprir os nossos deveres. Quero esclarecer que não procuro apoio de políticos à minha reindicação porque não condiciono o meu apoio a apadrinhamentos pessoais, nem certos, nem errados, porque se olhar o político que apoio como um instrumento de fazer o que é conveniente para mim, não o estou respeitando, porque o político tem que ser o representante de um povo que votou nele ou não.

A partir do momento que ele ao se eleger for conivente, compactuando com os erros, não será um digno representante do povo. Precisamos mudar esta mentalidade de que o povo tem o governo que merece, porque ele merece o melhor, respondendo apenas por suas escolhas, que se provorão ser boas ou más.

Rabat como diz tão bem Rui Barbosa, em Sinto Vergonha de Mim:

“…a demasiada preocupação
com o ‘eu’ feliz a qualquer custo,
buscando a tal ‘felicidade’
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos ‘floreios’ para justificar
actos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre ‘contestar’,
voltar atrás
e mudar o futuro…”

Rui Barbosa

Socorro Pastor