“… Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história:
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores, matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles
entra sozinho e nossa casa,
rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta…”.

EDUARDO ALVES DA COSTA
Niterói, RJ, 1936.

Em determinado momento de nossas vidas temos uma enorme sensação de inutilidade, de vazio, dá uma tristeza. Perguntamos o porquê de existir se nada fazemos diante do que nos afeta, nos desmerece, a vida parece não fazer sentido. Concentramos nossa atenção no lado que é implacável e afeta não só a mim, mas a todos indistintamente: nossas perdas.

Perdemos a vontade de reivindicar os nossos direitos, deixamos de zelar pela nossa cidade, deixamos de lutar por um espaço decente, tão simples, mas que irá encantar e fazer feliz a tantos. Já diz a Lição dos pássaros: “Um máximo de canto num mínimo de corpo”.

Não quero ter a “minha voz arrancada”, quero a nossa praça, onde haja encontros e desencontros, brincadeiras, alegria. Que possamos sentar e ouvir o gorjeio dos pássaros, prosear, ouvir música em um simples coreto (crianças, jovens, idosos).

Queremos o respeito à comunidade na construção de um espaço que resgate o gosto de curtir momentos de lazer em nossa praça, sem que ele se torne local de barganha política, em detrimento da alegria de seu povo. Um espaço digno para também o turista ver e curtir.

Fazemos um apelo às autoridades da Cidade de Ilhéus, que podem solucionar a questão, e tenham a sensibilidade, o respeito necessários, para que façam valer o verdadeiro espírito de Cidadania e de gestão verdadeira, ajudando na construção de nossa praça, preciosa para a nossa comunidade. Os senhores sabem que espaço é este, pois já levei ao conhecimento, a nossa reivindicação. (Socorro Pastor).