SENHOR BOA-VONTADE

IRMÃO Dr. ANÚSIO LIMA

IRMÃO Dr. ANÚSIO LIMA

“Bondoso!”

Esta era a exclamação adjetivada mais usada por todos que conviveram com o Irmão Anúsio Lima, para qualificá-lo.

Formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, chegou a Ilhéus nos idos de 1962, a passeio, em companhia de um amigo e colega de profissão que resoluto escolhera Ilhéus para exercer a sua profissão. O colega retornou ao Rio de Janeiro para buscar a mudança definitiva, deixando aqui o Irmão Anúsio para providenciar um local no Bairro do Pontal, onde se instalaria com o seu consultório.

Como de costume, o Irmão Anúsio cumpriu o que havia combinado com o amigo. Contudo, aquele nunca mais retornou a Ilhéus. Neste ínterim, o Grande Irmão Anúsio apaixonou-se pela cidade e adotou-a como sua terra para viver, só se despedindo dela definitivamente em 15/02/2014. Quando o Grande Arquiteto do Universo, que é Deus, chamou-o para junto de Si para habitar no Oriente Eterno.

Além da Medicina, que a exerceu com vocação, competência, ética, profissionalismo proverbial, sem medir esforços e de maneira igualitária, tinha grande pendor pela Música Clássica, tocava violino e dizia-se grande admirador de Beethoven. Entretanto seu Hobby era o Radioamadorismo, ao qual se dedicou diletantemente até a década de 1990, quando ocorrera a proliferação da internet universalmente e o uso daquele meio de comunicação foi relegado a um plano inferior. Através do Radioamadorismo prestou grandes serviços à Pátria e à Humanidade, por meio das ondas do rádio, localizando pessoas, fazendo pedidos de medicamentos e/ou atendimento a enfermos só encontrados em outros centros fora de Ilhéus, que estavam sob os seus cuidados e/ou de outros profissionais.

Diariamente, após o cumprimento de seus afazeres profissionais, dirigia-se ao Restaurante Berimbau no centro de Ilhéus, onde tinha uma mesa a ele reservada para beber cafezinhos acompanhados de acepipes (termo por ele utilizado com freqüência por meio do seu sotaque peculiar) e amigos que eram chamados pelos garçons e garçonetes quando por ali passavam para lhe fazer companhia.

Com grande presença de espírito e altas doses de bom humor, narrava as suas histórias em mínimos detalhes (algumas vezes repetidas), conforme o gosto do interlocutor e, à ocasião. Dispunha de um vasto e rico repertório, o qual versava desde descobertas científicas até como foi inventado o grampo de cueiros (fraldas).

Colocou-se sempre a serviço do próximo, deste exigia como pagamento, apenas, que ouvisse as suas histórias.

Saint-Exupèry, em O Pequeno Príncipe escreveu: “Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas, como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos.” Pena que Saint-Exupèry não tenha conhecido neste plano o Irmão Anúsio. Pois, se o conhecesse, provavelmente, na sua antológica obra não constasse esse pensamento.

Embora nos dias atuais, falar de sonhos, sobrepor a solidariedade à competição, ver seus pacientes como cidadãos e não como consumidores de serviço pareçam para muitos comportamentos ultrapassados, para o Irmão Anúsio eram tão naturais como se respira. Enfim, ouvir e conviver com o Irmão Anúsio era um convite ao resgate do humanismo.

Segundo São João(Ap20,11-15), Deus não é arbitrário, quem pronuncia a sentença é a própria vida de cada um. Pela sua conduta na terra, certamente, as portas do Paraíso escancararam-se para dar passagem ao Grande Irmão Anúsio na Vida Eterna.

Agradecemos ao Grande Arquiteto do Universo, que é Deus, por ter colocado em nosso meio o Irmão Anúsio Lima e rogamos-LHE que o recompense pela sua generosidade sempre dispensada ao próximo.

 Saudade Eterna!

ILUSTRAÇÃO ANUSIO LIMA POR MAIA

 IRMÃOS MAÇONS DO ORIENTE DE ILHÉUS-BA.