JORGE VIEIRA / CEPLAC EM 30 ARTIGOS (II)
REALIZAÇÕES E HISTÓRIA DA CEPLAC – 1957-2014
1974
CONSELHO CONSULTIVO DOS PRODUTORES DE CACAU
As aspirações e as defesas dos produtores agrícolas estão presentes, qualquer que seja sua situação econômica, nível tecnológico ou grau de instrução.
Por todo o Brasil, temos encontrado este desejo de expressão, às vezes latente, outras até agressivas.
Em alguns casos, a representatividade autêntica é camuflada pela presença de híbridos de agricultores com outras atividades, às vezes antagônicas aos interesses desta grande classe que muito tem contribuído para o desenvolvimento do país.
Em nosso caso particular, já de algum tempo, os produtores de cacau eliminaram a delegação da defesa dos seus interesses e, procuraram, através de instrumento inovador, encontrar a fórmula mais correta e salutar de estar presente, nas decisões governamentais, sobre a economia regional baiana.
Sem contrariar a legislação vigente sobre o Sindicalismo Rural, um dos idealizadores que muito tem contribuído para a agricultura brasileira, sugeriu a criação de um órgão que congregasse os municípios produtores de cacau, através de seus Sindicatos Rurais, legalmente constituídos.
E foi dentro desta ideia que surgiu em 1963, através do Decreto nº 52.190, o Conselho Consultivo dos Produtores de Cacau.
Combatido no início, pelas forças contrárias ao interesse da classe, o CCPC iniciou suas atividades com espírito de congregar agricultores dispersos e muitas vezes, alheios aos reais problemas da economia cacaueira.
É certo que, o suporte e estímulo por parte da CEPLAC, em muito contribuiu para o crescimento deste órgão, hoje tão importante na região sul da Bahia.
De administração em administração, o CCPC foi se firmando, adquirindo conceito, corrigindo falhas e distorções e, especialmente, foi tornando presente, a palavra do cacauicultores em todas as reuniões, onde as decisões eram tomadas.
Convivi com muitos dos seus membros, quando dirigia o Departamento de Extensão da CEPLAC. Naquela época, o CCPC tentava vencer as batalhas da implantação, do convencimento de seus propósitos, da árdua tarefa de atrair agricultores arredios, da proteção, em todos os lados e formas, da fixação da ideia e da abertura para o seu crescimento futuro.
Muito trabalho foi feito em todos esses anos; muitas discussões, muita luta por princípios básicos e muitos problemas gerados pela incompreensão e interesses particulares.
Ultimamente tenho convivido com um dos expoentes deste Conselho. Por inúmeras vezes estivemos juntos na África e Europa, participando, lado a lado, das reuniões internacionais, em defesa dos interesses da cacauicultura nacional.
É bom que se diga, que o CCPC não só está na tarefa de congregar Sindicatos, líderes e cacauicultores, em busca da solução de seus problemas agronômicos. O CCPC tem oferecido uma contribuição muito importante ao Brasil, na assessoria ao Governo, nas explicações e na demonstração da condição real dos produtores brasileiros, fazendo com que, este País possa defender os seus interesses junto aos países consumidores.
Aí está uma das tarefas importantes do Conselho. Importante e especializada requerendo um representante preparado e conhecedor do assunto, como é o nosso amigo Onaldo Xavier de Oliveira.
Por inúmeras vezes, em Genebra, Londres, Abidjan e outras cidades, em reuniões, no hotel ou mesmo no avião, discutiam com entusiasmo e interesse, às vezes até com excesso de ânimo, mas, sempre com o espirito aberto e idealista, no sentido de contribuir para o bem da população vinculada à economia cacaueira.
Nesses dias, momentos ou mesmo horas, vive o Conselho, trabalha o Conselho, atua o Conselho, na luta pelos seus legítimos interesses.
Agora, nova fase vislumbra para esta instituição. O futuro irá depender da capacidade e lealdade dos seus dirigentes. O CCPC poderá ser o grande esteio de defesa da economia cacaueira, do apoio à CEPLAC e o orientador político para o desenvolvimento econômico, social e cultural da Região Sul da Bahia. Está nas mãos dos cacauicultores que fizeram progresso, nas suas lides agrícolas e projetaram sua influência na formação desta elite de defensores da cacauicultura.
Vamos à frente com esta nova visão, tão inovadora e que representa uma das grandes ideias regionais.
Ilhéus, Bahia – 1974
Jorge Raymundo Vieira, Eng. Agrônomo MS aposentado CEPLAC.
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