JORGE VIEIRA / CEPLAC EM 30 ARTIGOS (III)
REALIZAÇÕES E HISTÓRIA DA CEPLAC – 1957-2014
1972 – CEPLAC – UMA PERSPECTIVA
Para todos aqueles que viram nascer esta instituição e os motivos que levaram produtores de cacau e Governo Federal a uma decisão, por certo tinham em mente uma ideia e um plano futuro.
Quantos desses homens, idealizadores agora, com o passar de quase 15 anos, conferem suas expectativas, sua imaginação com a realidade concreta dos feitos da nossa CEPLAC.
Sempre estamos técnicos da CEPLAC, agricultores e mesmo, as autoridades do Governo, procurando medidas, formulando normas para julgar e analisar todo esse passado de ação e de feitos. É uma constante ouvir as opiniões, sentir os julgamentos, observar as análises feitas e os seus fundamentos. A imparcialidade, a sinceridade dos propósitos e os critérios de avaliação devem estar presentes, e somente assim, poder-se-á medir e aquilatar os feitos desta organização em todos os aspectos de sua ação agronômica, econômica ou social.
Mas, nosso propósito não é este. Nossa busca, após estes 15 anos, é visualizar o futuro; é imaginar e estabelecer algumas ideias de modelo de instituição, que se propõe a ajudar no desenvolvimento de uma região.
Que poderá ser a CEPLAC nestes próximos 15 a 20 anos? Não discutiremos sobre a sua sobrevivência, porque desde muito está superado o pensamento dos derrotistas; os feitos, as realizações, os benefícios para toda uma coletividade permitem assegurar o desejo e o interesse de todas as classes da população regional, em mantê-la ou mesmo defendê-la contra qualquer problema.
Garantido o pensamento da sua existência, porque assim querem líderes, autoridades, instituições, agricultores, trabalhadores rurais e todos os outros profissionais que aqui vivem e trabalham pelo progresso regional, o que será a CEPLAC nestes 20 anos futuros? Que tipo de organização? Que objetivos e campos de ação?
Estas perguntas têm preocupado muitos dos técnicos e dirigentes e muitas ideias existem sobre o assunto. Algumas restringindo a ação da CEPLAC, outras ampliando suas atividades e ainda outras, que a vêm como um sistema de polo de atração de recursos e de uma influência marcante, estimulando outras instituições que atuam na região cacaueira.
Para nós, a ideia que mais nos atrai e nos empolga é aquela de instituição líder, coordenadora, estimuladora; instituição que pode estudar, analisar e planejar livre de quaisquer interesses e que pode elaborar planos e atrair recursos financeiros de outras áreas, de outras fontes para investir em todos os setores regionais. É aquela que por suas características e realizações está credenciada para receber ou mesmo garantir ajudas ou empréstimos externos.
Mas, não ficará até aí sua função. As tarefas executoras, o trabalho cotidiano, querem em laboratórios ou nos campos, estarão em amplo progresso associado agora a outros profissionais, talvez até de professores de uma Universidade Regional, em busca de soluções para problemas técnico-agrícolas e também, problemas econômicos e socioculturais.
O poder de influência, de estímulo e de apoio às ideias e planos viáveis, por certo terão um crescimento tal, que existirá um misto nos programas de política governamental. A CEPLAC estará presente nas estruturas administrativas governamentais, nas instituições de comércio, de industrialização de produtos agrícolas, de regulamentação de normas e princípios. A sua influência deverá ser benéfica, deverá visar à associação e integração de conhecimentos para um aproveitamento mais racional dos recursos existentes.
Nesta época, estaremos num processo mais acelerado de desenvolvimento regional planejado; é provável ou é bem certo, que os benefícios serão maiores e a população rural e citadina desfrutarão de melhores condições de bem estar.
Ilhéus, Bahia – 06-06-1972
Jorge Raymundo Vieira – Eng. Agrônomo, MS – aposentado Ceplac.
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