JORGE VIEIRA / CEPLAC EM 30 ARTIGOS (IV)
REALIZAÇÕES E HISTÓRIA DA CEPLAC – 1957 – 2014
1982 – C E P L A C – 25 A N O S
– O FIM OU UMA NOVA INSTITUIÇÃO –
Quando recebi o convite para trabalhar na CEPLAC, surgiu a grande decisão, da então vida profissional, cheia de idealismo e trabalho.
CEPLAC para uns, era um novo órgão do Governo, tirando dinheiro dos produtores, com predominância em empreguismo e aplicação indevida dos vultosos recursos. Para outros, era a decisão certa, a solução para uma economia forte, mas desgastada, de uma região promissora.
Quem conversava, naquele tempo, com Carlos Brandão, Paulo Alvim, José Haroldo e outros tantos idealistas pioneiros, tinha que aderir à segunda ideia. Mas, em todos eles, agricultores, líderes e funcionários da então CEPLAC, havia a incerteza, a dúvida, quanto ao futuro da instituição.
Planos, ideias, esquemas de trabalho, vontade e idealismo, conhecimento crescente das coisas da região e da economia cacaueira, eram predominantes nas mentes dos primeiros dirigentes.
Lembro-me da decisão que devia tomar. Abandonar dez anos de vida profissional em uma instituição, para ingressar em outra, que tinha de concreto, apenas os problemas e a vontade de solucioná-los da melhor maneira possível. E quando, interroguei a alguns amigos conselheiros sobre a CEPLAC, ouvi: “Pode ser uma grande instituição ou pode acabar amanhã.”
Mas, mesmo neste clima de indecisões, confiei nos dirigentes, na capacidade de trabalho e na reação positiva que poderia vir destes produtores de cacau, que sempre conseguiram, com seu próprio esforço, vencer dificuldades. Assim, perdi uma estabilidade funcional, para meter-me numa aventura institucional tentadora.
Nos anos que se seguiram foram às avalanches de realizações, de explicações, de feitos, que atraíram os agricultores, os líderes, as autoridades regionais e estaduais. Sempre questionada pelos grupos ou instituições que viam ameaçada sua situação dominante, buscou esta CEPLAC, na imparcialidade dos seus atos, na racionalidade dos seus feitos e no conhecimento técnico, solucionar alguns problemas e desenvolver um equilíbrio entre as forças que dominavam a economia e a vida sociocultural da região cacaueira.
Mas, os conflitos de natureza política logo apareceram. O sucesso inicial do trabalho, a crescente receptividade da população, levaram os “homens” da arte política, a querer intervir, tentando mesmo, modificar o quadro legal da organização dos produtores.
E entre um projeto de institucionalização e outro, predominou a continuidade do status legal reinante. Instituição criada por decreto presidencial, frágil ou inexistente para alguns advogados ortodoxos, ela vingou por todos esses anos, desafiando os excessos de legalização. E por que isto aconteceu? Simplesmente, por ser uma instituição de objetivos concretos, definidos e dirigida por idealistas, que a modelaram sob outra forma, até então, desconhecida no Brasil.
Nela, a predominância de um programa realista, participativo com os agricultores; nela, a contribuição financeira dos produtores de cacau; nela, o diálogo permanente entre todos, para gerar um sistema produtivo de bem estar coletivo.
Apesar de alguns “senões”, as várias etapas de seu processo institucional evolutivo, levaram a ganhos comuns, diretos aos produtores e indiretos à toda coletividade.
Os “senões”, frutos de inexperiência da juventude trabalhadora, do escasso conhecimento da realidade regional, mas que, em nada encobriram o brilho dos sucessos, já extravasados na região, e por que não, no país. Lá fora, o constante interesse nesta instituição, a curiosidade sobre as ações, a imitação talvez, de uma metodologia administrativa, ajustada no dia a dia do trabalho.
E os frutos? Quantos são? E a qualidade? Retratar isto, não se pode fazer unicamente em números frios e estatísticos. Há que falar com o povo, falar com os agricultores, sentir seu ânimo e entusiasmo pelo progresso. As medidas de apuração devem refletir uma mudança econômica, social e cultural de uma região, que estava no desespero, de uma crise financeira e de liderança.
Na primeira etapa de vida, 25 anos, a CEPLAC supera, as considerações e suspeitas, que as instituições são efêmeras; nascem, crescem e após uma geração, sucumbem pelo tradicionalismo e acomodação do seu funcionalismo.
Ao completar este período, ela desafia estes preconceitos, inovando a cada dia, ações benéficas à população sob sua influência, racionalizando seu sistema operativo e a criatividade para novos programas.
E quais os fatos concretos, para esta veemente firmeza da CEPLAC, quanto aos seus propósitos e autodefesa?]
Ilhéus, Bahia – fevereiro/1982.
Jorge Raymundo Vieira, Eng. Agrônomo, MS – aposentado da CEPLAC.
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