JORGE VIEIRA / CEPLAC EM 30 ARTIGOS (X)
REALIZAÇÕES E HISTÓRIA DA CEPLAC – 1957-2014
1986 – CACAU – A BEM DA VERDADE
É imperativo dizer sobre o Procacau, seu plano, sua execução, suas dificuldades e resultados.
Ao ouvir as declarações do atual Secretário Geral sobre o Procacau, o sentimento técnico e funcional aflorou em todo meu ser. Não são justas, nem corretas às informações prestadas ao público, em especial, aos produtores de cacau.
O Procacau representou para a instituição Ceplac uma diretriz, um caminho, uma meta dentro da economia produtiva do Cacau. Estudos foram feitos por vários profissionais experientes, análise de dados e informações, consulta e discussão com os produtores e aprovação por quem tem competência e autoridade formal.
A execução, já prevista, cheia de problemas e dificuldades. Quem tem noção do que seja coordenar um programa técnico, econômico, educativo, de reflexos regionais e até internacionais sabe das barreiras a enfrentar. Ora a carência de recursos financeiros, a elevação dos preços dos insumos, as reações normais dos produtores às inovações tecnológicas, ora as alterações do quadro econômico internacional do cacau.
Quem assistiu desde o início, o desencadear deste programa, quem participou de todas as fases e analisou os diferentes aspectos positivos e negativos, talvez possa ter uma opinião mais real e convincente.
Dizer que este Plano não foi um sucesso? Menosprezar todo este esforço de técnicos e produtores, na busca de caracterizar o Brasil como o mais atuante país no plano de produção científica do cacau, somente para aqueles que têm outras intenções, quando declaram esta inverdade e este desestímulo.
Uma análise comparativa com outros países requer, além do conhecimento técnico, a compreensão das diferenças econômicas, técnicas, políticas e educacionais.
A verdade é que este Procacau foi um sucesso; através dele a instituição vibrou, produziu, foi dinâmica e reinou o entusiasmo com seriedade aos grandes problemas da economia cacaueira; e os enlaces entre funcionários e produtores foram tão intensos que a experiência dos agricultores representou ensinamentos à juventude técnica que se formava e iniciava na sua atividade profissional.
Sobre as metas, é preciso que se diga que foram reformuladas em 1981 e 1982, fruto de novos conhecimentos da situação internacional, dos entendimentos com os produtores e decisão de um Conselho Deliberativo. E, assim, os resultados foram: nestes 10 anos de Procacau, implantaram-se 256.522 hectares de cacau, representando 104,33 % da meta final de 245.882 hectares.
E a renovação dos cacauais decadentes, metas estimadas após os resultados de uma tecnologia para o aumento da produtividade de 69.118 hectares, chegou-se a renovar 41.607 hectares, ou seja, 60,2 %.
Agora os leitores do jornal ou os ouvintes da rádio saberão a verdadeira informação sobre este importante Programa para o desenvolvimento da cacauicultura.
Salvador, Bahia – setembro/1986
Jorge Raymundo Vieira, Eng.Agrônomo, MS – aposentado da CEPLA.
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