JORGE VIEIRA / CEPLAC EM 30 ARTIGOS (XII)
REALIZAÇÕES E HISTÓRIA DA CEPLAC – 1957-2014
1987 – C E P L A C – 3 0 A N O S
MORTE, COMA OU RENASCIMENTO
Foi uma vida curta, mas cheia de grandes acontecimentos. O nascimento, uma beleza de inspiração amorosa, de fraternidade dos produtores e de enlaces sinceros entre os pais desta criança, nascida em 20 de fevereiro de 1957.
Sua infância, em berço de ouro era cortejada por todos aqueles que desejavam, no seu sorriso, resolver os problemas financeiros da composição de dívidas.
Veio à puberdade, o período de juventude sonhadora, dinâmica, forte e ágil, para ampliar suas ações e influências. A curiosidade, o interesse em saber, aprender, compreender todos os fatos agro econômico e sociais de uma região, predominava em seu espirito. Sentir a realidade e com ela tentar amenizar, os dramas de uma população dependente de uma economia instável.
Nesta fase, o dinamismo das ações, a busca do perfeccionismo, o diálogo constante, como que, “Ela e Produtores”, fossem um corpo só, com mentes voltadas para um futuro melhor.
No desabrochar dos seus quinze anos, já refletia em seus olhos, a visão do futuro, o preparo para o amanhã, os momentos de firmeza, mas, ainda vivendo as ilusões e a crença absoluta na humanidade.
A maturidade chegou rápida; a precocidade, fruto da diversificação dos genes que a criaram, levou imediatamente a um estágio de Instituição adulta; no corpo, nas preocupações socioeconômicas, nos feitos e na seriedade para com os problemas.
Sua presença era desejada em todos os setores, os enlaces com as diferentes camadas da sociedade cresciam, ora pela empolgação das suas realizações e força, ora pelo interesse medíocre e duvidoso. E foram nestes entendimentos, com o desejo de buscar um futuro mais promissor para a região, que forças invejosas e interesseiras penetraram no seu corpo.
Daí, a evolução do mal. Curiosos, incompetentes, falsos líderes diagnosticavam a enfermidade e contribuíam para a sua difusão, sem nada de efetivo, concreto e benéfico fosse feito.
Nesta debilidade institucional, causada por forças perversas e destruidoras do bem, ela tenta sobreviver a todo custo, com a resistência firme e sincera, mas, inexperiente do funcionalismo.
Seu mal teve inicio quando a capa protetora foi substituída; quando alguns atos indicavam uma reflexão sobre seu comportamento e ajustamento a um novo ambiente. Era inevitável: as forças do mal, mascaradas de lideranças, de uma competência duvidosa tentavam falar em nome de um novo porvir, glorioso e fiel aos anseios da sociedade.
As receitas e os medicamentos em nada estancaram o processo destrutivo instalado. O câncer generalizou-se por toda a instituição.
Aos 30 anos, chegamos a esta situação. Não mais lembranças dos bons tempos de glória, de ações, de serviços prestados à sociedade. Só a tormenta dos problemas, a crise de repercussões familiares, o falar constante do mal, sem sequer um prognóstico de salvação imediata.
Resistiremos além destas três décadas? A MORTE que nos rodeia e que é desejada por alguns, virá acabando com tudo aquilo, gerado autêntica e carinhosamente pelos produtores de cacau?
Ou o COMA, estado de sobrevivência inútil, onde a incapacidade de salvamento se associa ao medo de desligar definitivamente os aparelhos mantenedores? É uma situação dolorosa, porque difunde a apatia, a inoperância, a perda total das aspirações humanas. É um presente sem futuro. Antes, o desaparecimento definitivo do que esse estado; naquele, a esperança que outros produtores de cacau, outro “ABC de Freitas” surja, gerando uma nova filha, com nova mentalidade e resistência às pressões maléficas.
E o renascimento?
Será possível sair de toda essa situação mórbida para uma vida dinâmica, idealista e provedora de ações progressistas?
É assim que me diz toda minha vivência ceplaqueana; assim, me garante a crença no ser humano. Somente aqueles que criaram esta Instituição; somente aqueles filhos desta CEPLAC tão contestada, questionada, combatida, mas, também amada e elogiada, mantêm acesos, os desejos e as esperanças no seu soerguimento.
Não há dúvidas; só os produtores de cacau e os funcionários podem alcançar esta ressurreição. Só o deixar de lado, as alocuções tecnocratas, as arestas pessoais ou de grupos, os anseios e aspirações aos cargos, às negociações políticas indesejáveis, podem abrir um novo caminho para o amanhã. Despir de todos os pontos, que conflitam e que não levam a nada. Voltar ao período, onde produtores e técnicos sentavam livremente, para dialogar, discutir e buscar soluções para seus problemas agrícolas; não havia chefias, não havia dirigentes, não havia políticos, só o desejo fraterno e leal, para unidos, encontrar meios de melhorar a vida econômica e social de todos.
É assim que vejo este “30 anos”. A salvação está entre nós; funcionários que nasceram, cresceram e vivem dessa organização e vocês, Produtores de Cacau, pais desta tão querida CEPLAC.
Com este grupo está a esperança do futuro.
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PARA LER O ARTIGO Nº 11 CLIQUE AQUI. Ilhéus, Bahia – janeiro 1987.
Jorge Raymundo Vieira, Eng. Agrônomo MS aposentado CEPLAC.



























































