JORGE VIEIRA / CEPLAC EM 30 ARTIGOS (XVI)
REALIZAÇÕES E HISTÓRIA DA CEPLAC – 1957-2014
1990 – UMA OPÇÃO PARA A CEPLAC
A ideia não é nova. Em artigo publicado no Diário da Tarde (06.06.72) visualizava a CEPLAC após seus 15 anos de existência, associada a uma Universidade Regional, em busca de soluções para os problemas técnico-agrícolas, econômicos e socioculturais.
Mais tarde, no desenrolar do tempo e das ações, na descoberta do potencial da região sul baiana, vieram o diagnóstico socioeconômico, os primeiros planos de diversificação agropecuária, as atividades de apoio à infraestrutura regional, o projeto da Universidade de Santa Cruz.
Nestes anos, sedimentaram-se conhecimentos, experiências e enlaces sentimentais a esta região, ampliando cada vez mais, a visão do futuro.
Apesar de separados, a CEPLAC, a Universidade de Santa Cruz e o Instituto de Cacau da Bahia-ICB, davam seus passos, tentando realizar seus objetivos, mantendo os níveis de aspirações e idealismo dos seus dirigentes.
E nesta visão de futuro regional, por várias vezes, voltava a discussões, a ideia de uma interação total das instituições, visando um mesmo objetivo.
Os enlaces entre Ceplac e Fusc cresciam, pressionados pelo sentimento regional, onde aqui e acolá, se ouvia uma voz, a sugerir esta união institucional em benefício da racionalidade do uso dos recursos, benéficos à sociedade.
Até tentativas de intercâmbios internacionais existiram, quando se buscou a elaboração de um projeto entre a Pensilvânia, estado irmão da Bahia, a grande fábrica de chocolate Hershey e a “Penn University”, visando o apoio técnico e financeiro, para um amplo programa na montagem de uma “Land Grand College”, a Universidade da Terra, compreendendo o ensino, a pesquisa e a extensão rural.
Os tempos seguintes foram outros. Os problemas econômicos, ideológicos e administrativos, não permitiram o avanço destas ideias, tão promissoras para a região. As esperanças, mesmo dos idealistas, quase desapareceram com as ações desagregadoras ou com a omissão dos dirigentes e lideres regionais.
Eis que surge nova oportunidade. Talvez das cinzas ou dos obstáculos intransponíveis, a esperança renasce e com ela, uma nova opção para as instituições regionais, voltadas para o seu desenvolvimento agro econômico e sociocultural.
Estamos num verdadeiro impasse. A situação atual, ocasionada pelo passado tão presente, coloca os órgãos educacionais e científicos, em risco de desaparecimento ou ostracismo, sem nenhuma interação com a sociedade cacaueira e seus problemas.
De um lado, a Universidade de Santa Cruz, em crise constante, querendo estadualizar-se, como tábua de salvação, em um Estado que não tem condições de sustentar corretamente suas próprias instituições.
Do outro lado, a Ceplac em clima de incertezas, quanto ao seu destino. A insatisfação generalizada exige talvez, uma nova roupagem institucional, criando objetivos mais duradouros, melhor utilização dos seus recursos e atendimento aos anseios da população.
No momento, esta instituição, frágil legalmente, corre o grande risco de desmantelar-se, vendo o seu Centro de Pesquisas transferir-se para a Embrapa e o resto absorvido por órgãos federais e estaduais.
A institucionalização como está sendo apresentada, apenas – pesquisas, extensão e execução de atividades de outros órgãos, – não convence nenhuma autoridade especialmente, neste clima de redução da estrutura pública federal e a existência de duas entidades legalmente constituídas para estas atividades, a Embrapa e a Embrater.
Para onde vamos então? Continuar neste quadro desgastante, sem a vibração do funcionalismo, a credibilidade técnica e institucional e a descrença generalizada dos produtores? Qual a outra opção, para salvar as instituições regionais, tornando-as eficientes e vinculadas efetivamente à sociedade regional, a sociedade do cacau ?
Em primeiro lugar, dar um tempo, para montagem da nova organização.
Depois, criar uma Fundação de Direito Público, com a participação no seu Conselho Diretor, além do Governo Federal, Estadual e Municipal, a representação dos Produtores, dos Industriais do cacau, dos Exportadores, do sistema Cooperativo, da Associação de Prefeitos, dos Funcionários, do Comercio e da sociedade regional. O envolvimento de todos estes setores e classes, no apoio técnico, político e financeiro, para a nova instituição.
A Fundação absorveria todo o patrimônio, recursos financeiros e humanos da Ceplac, da Fusc e parte do Instituto de Cacau da Bahia. Sua manutenção seria basicamente, recursos provenientes dos Governos Federal, Estadual e Municipal, dos produtores de cacau, das indústrias e exportadores e todos aqueles doadores, interessados no progresso de sua região, e melhores dias para seus descendentes.
A Fundação manteria as instituições de ensino – superior e profissionalizante -, de pesquisas – biológica, tecnológica e socioeconômica – e a extensão rural, constituindo a Universidade da Terra.
É claro que em todas estas áreas, seria necessária, uma atualização de princípios, de racionalidade, de métodos de trabalho e de interação entre os profissionais de todas estas áreas.
A retomada por um projeto internacional, certamente colocaria a instituição, em níveis de conceito técnico científico além das fronteiras regionais, permitindo basicamente, a formação e aperfeiçoamento dos recursos humanos.
Assim, estaríamos revivendo o clima de entusiasmo, dedicação, de progresso e satisfação da sociedade. Estaríamos ocupando tecnicamente todos os funcionários e quem sabe, requerendo um maior contigente humano. Muito melhor, do que viver com listas e “operação desmonte”, pressionando e atemorizando pessoas e famílias.
Nasceria assim, a opção para a CEPLAC e outros órgãos regionais.
Nasceria o projeto da UNIVERSIDADE DA TERRA – o “Land Grand College”. Projeto que certamente motivaria os profissionais, atenderia aos anseios dos líderes e dirigentes governamentais, e mais intensamente, agradaria a população regional.
Brasília, DF- 17 de fevereiro de 1990.
Jorge Raymundo Vieira, Eng. Agrônomo, MS – aposentado na CEPLAC.
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