REALIZAÇÕES E HISTÓRIA DA CEPLAC – 1957-2014

 1991-MEUS 395 DIAS EM DISPONIBILIDADE

            No inicio desta atual administração, uma esperança de melhora. Dirigente da casa, liberdade de diálogo, perspectiva de uma união e um grande esforço para a solução dos problemas.

Logo em setembro, os sinais de decepção, de afastamento das contribuições técnicas e administrativas, das confirmações sobre as inverdades ditas e a formação de conchavos políticos e interesseiros.

O ambiente triste, atitudes e comportamentos instáveis e parciais, a ausência de espirito progressista, cooperativo e a falta de um rumo que visualizasse benefícios para os produtores de cacau.

Neste clima, só uma alternativa. Sair. Sair deste momento nefasto, para a instituição e para o funcionalismo.

Lutar era impossível. O Deputado protetor tinha as graças da Presidência da República e o administrador subserviente tomaria qualquer medida prejudicial, conscientemente ou apenas, para agradar o seu mentor.

Assim, partir, para não ficar em uma sala, rodeado dos meus livros e documentos, sem poder falar, discutir, participar quanto mais  viajar, supervisionar e orientar algo técnico. As ordens tinham sido dadas: “não viajar, não participar de qualquer atividade executora e não ter contato com outros órgãos ou instituições.” Sim, estas foram as determinações expressas do Secretário Geral Joaquim Cardoso para mim e para o companheiro Frederico Afonso.

Nesta prisão ceplaqueana, não era possível viver, enxergando e ouvindo, nas travessias dos corredores, os acontecimentos deprimentes, o desmoronamento institucional, as degolas dos recursos humanos sem nenhum constrangimento e respeito à experiência, ao conhecimento técnico, á idade, ao sexo, à antiga amizade ou ao reconhecimento das ajudas e apoio recebidos no passado.

Só havia um jeito, sair. E foi assim, carregando um peso de sentimento, que vimos as portas da Confederação Nacional da Agricultura, casa mater dos produtores rurais brasileiros, se abrirem. A recepção foi alegre e certa de que prestaria um serviço técnico útil à classe; oportunidade oferecida pelo companheiro e amigo Alysson Paulinelli, Presidente da CNA.

Desde o primeiro dia integrei uma equipe de amigos do Presidente Paulinelli. Objetivo, retirar a organização dos graves problemas adquiridos após um longo período de má administração técnica, financeira e sindical. O campo não era desconhecido. Toda minha vida profissional tinha sido dedicada a programas para agricultores. Assim, ingressei em vários assuntos, assessorando a Diretoria ou representando-a em comissões ou conselhos.

No inicio, a compreensão do sistema sindical patronal, sua organização e atividades. Do Rio Grande do Sul ao Amazonas, estudo e análise dos problemas e da necessidade de uma revitalização de toda instituição.

A base técnica agra econômica permitiu uma presença nos temas sobre o Meio Ambiente, em entendimentos com os companheiros da indústria e do comércio, participando do Conselho Interministerial do Meio Ambiente.

O Projeto de Lei de criação do SENAR – Formação Profissional na Agricultura – esteve desde o seu inicio sob minha responsabilidade na luta por sua aprovação no Congresso Nacional e permitindo ampliar os relacionamentos com o Ministério do Trabalho, com políticos e participar de eventos internacionais sobre este tema, na Venezuela, Brasil, Costa Rica e Curaçau.

Não faltou trabalho, não faltou apoio, nem idealismo e nem realizações.

Quando um novo decreto fez justiça, eliminando a disponibilidade da CEPLAC, sentia-me mais do que realizado. Na iniciativa privada, na verdadeira instituição que produz e faz avançar a agricultura – a organização dos produtores agrícolas – meu tempo não foi perdido. A experiência e os conhecimentos não ficaram inúteis. Geraram idéias, projetos e ações, que contribuíram para o desenvolvimento da classe ruralista brasileira.

À curta distancia, olhava o desmoronamento da CEPLAC, a decadência institucional, fruto de uma administração incompetente e comprometida. Já não sofro e nem carrego o peso de um sentimento constrangedor. Durante todo este período minhas ações profissionais foram aceitas e reconhecidas.

Estes 395 dias levaram-me a uma grande decisão: aposentar, libertando-me definitivamente destas injustiças e permitindo o inicio de uma nova vida profissional, diretamente ligada àqueles que fazem a agricultura brasileira.

Decreto 99300 de 15/06/90 – até 16/07/199.

Vôo Maceió-Recife – 20/set/1991.

 Jorge Raymundo Vieira, Eng. Agrônomo MS  – aposentado da CEPLAC.                                                    


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