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março 2014
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CEPLAC: Uma pequena história

Caros amigos e colegas: Esta nota foi divulgada no R2CPRESS, em 2008.

Vale a pena ver de novo. Um abraço saudoso a todos.

O nosso amigo José Rezende, no alto da sua sabedoria, vem nos alegrando com seus artigos intitulados “eu sou do tempo”, revirando o baú da saudade e, em alguns momentos, nos levando a uma emoção. Uma emoção de lembrança, de saudade e a certeza de que muitas coisas de um passado não muito distante, foram criadas, praticadas e não faziam mal a ninguém. Parecendo até que eram feitas na mais pura inocência.

E porque não colocar a nossa CEPLAC, neste contexto do “eu sou do tempo”?

Do tempo em que os agrônomos, eram chamados nas comunidades de “doutor”.

Do tempo em que os agrônomos recebiam orientação da direção da CEPLAC para evitarem se ausentar das cidades nos finais de semana.

Do tempo em que os agrônomos eram considerados como os médicos de família. Da família que vivia da agricultura e não podia prescindir das orientações técnicas do “doutor”.

Do tempo em que os agrônomos eram procurados em sua própria casa, principalmente nos finais de semana, pois a necessidade do agricultor era tanta, que não esperava a visita que já estava programada.

Do tempo em que os agrônomos, depois do juiz, do prefeito, do médico, do delegado, era a próxima autoridade.

Do tempo em que os agrônomos eram convidados para padrinhos, para as festas de aniversário, para os churrascos, para as reuniões de igreja, para serem (os solteiros) apresentados às filhas dos grandes agricultores, eram, enfim, obrigados a se envolverem em todos os acontecimentos da comunidade. Da menor cidade, à de maior poder econômico.

Do tempo em que os agrônomos, recém formados, tinham um só destino: pegar a primeira marinete e se mandar para a CEPLAC. E como chegavam carentes e esperançosos por um futuro melhor.

Do tempo em que os agrônomos, ao chegarem à CEPLAC, além de serem bem acolhidos, eram pegos de surpresa com a minha pergunta: tem carteira de motorista? Se a resposta fosse positiva, Imediatamente era lhe concedido um veículo, que mesmo financiado, a prestação deixava de existir pelos créditos indiretos que recebiam. E o carro era para trabalho, passeio, visitas às suas famílias, etc.

Do tempo em que os agrônomos passavam por um treinamento, chamado de pré-serviço, onde recebiam orientações dos colegas mais velhos na profissão e, principalmente, da relevância do seu trabalho nas comunidades. E já chegavam nas comunidades dirigindo seus próprios carros e investidos de autoridade, do título de “doutor”.

Do tempo que os escritórios locais funcionavam aos sábados, por causa da feira da cidade. Era o dia em que os agricultores, principalmente os “pequenos”, iam à cidade fazer suas compras e, necessariamente, passavam no escritório da CEPLAC.

Vamos agora nos reportar aos “cúmplices”, aos “parceiros”, aos “auxiliares diretos” dos doutores agrônomos. Os valorosos técnicos e práticos agrícolas. Os verdadeiros tatus das fazendas, os jovens que queriam dar a volta ao mundo com seu precioso instrumento de trabalho, o trado. Os jovens, na sua imensa maioria, formados na gloriosa EMARC, e que foram, também, desbravadores dessa imensa região cacaueira, montados em seus jeep pé duro. Lembro-me de um técnico agrícola de Ubaitaba, por sua família ter alguma condição, mandou trocar os bancos e as molas do jeep, para que proporcionasse um pouco de conforto nas suas viagens. Também ele era um pouco gordinho, mas era um excelente profissional. E quantas histórias teríamos para contar vividas pelos técnicos e práticos agrícolas. Mais a história maior foi a que eles deixaram com seu trabalho de levar novos conhecimentos ao homem do campo.

Para dar suporte aos agrônomos e aos técnicos e práticos, tinha a CEPLAC uma retaguarda montada no CEPEC, na EMARC, composta de profissionais que desenvolviam seus trabalhos científicos e metodológicos, que eram transmitidos ao pessoal de campo, através de treinamentos e aperfeiçoamentos.

E a CEPLAC, deslanchava de poder, prestígio, confiança, respeitabilidade, credibilidade, investimentos em toda a região e seu nome começou a ser visto e respeitado no mundo da agricultura e, infelizmente, também no mundo da cobiça econômica.

Como tudo na vida tem suas surpresas, a cobiça do governo federal foi tão exarcebada, que resolveu em apenas uma canetada, tornar uma empresa privada, de alta competência técnica e administrativa comprovada, em uma empresa pública. Daí em diante, todos sabemos da nova história e dos caminhos que a empresa começou a trilhar e, consequentemente, toda uma região. Mas não vamos entrar nessa questão, fica para os técnicos entendidos no assunto.

Na frente do batalhão, os agrônomos, os técnicos e práticos agrícolas. Na retaguarda a competência científica do pessoal da pesquisa e a dedicação dos professores na área do ensino. No apoio a tudo isso vinha a turma da administração, dirigida pelo idealismo dos chefes do Banco do Brasil. Esta turma tinha a incumbência de dar toda condição de trabalho, que resultaria na transformação de uma região, e acredito que fizemos bem o nosso papel, principalmente, nas áreas de crédito rural, revenda de materiais agrícolas e administrar um patrimônio gigantesco.

Quantos colegas já se foram, agrônomos, técnicos, práticos, professores, escriturários, motoristas, auxiliares técnico/administrativos, mas deixaram seus nomes inscritos na tábua, onde se lê ainda hoje “AQUI SE FAZ SENTIR A FORÇA DE UMA LAVOURA”. E não receberam nenhuma homenagem dessa região que eles ajudaram a desbravar.

Esta é uma pequena história, dentro da HISTÓRIA MAIOR, que a CEPLAC tem e que está entranhada nas regiões da Bahia, Espírito Santo e Amazonas.

Esta pequena história não tem, por parte de quem escreveu, NENHUMA DISCRIMINAÇÃO PESSOAL OU INSTITUCIONAL, apenas são lembranças de um tempo passado e que é demasiadamente conhecido de toda a região e dos verdadeiros ceplaqueanos.

Ainda hoje, tenho imenso carinho por todos que continuam trabalhando, para que a chama do idealismo, do progresso, da pesquisa, da extensão e do ensino, não se apague.

A história da CEPLAC, é extremamente grandiosa.

 ZÉCARLOS JUNIOR

3 respostas para “CEPLAC: Uma pequena história”

  • Carlos Mascarenhas says:

    Zé:

    Eu tive a ventura de participar desta grande família que foi a CEPLAC. Lá trabalhei de 1967, quando entrei como Datilógrafo até 1974, quando saí como Analista de Sistemas, tendo participado de um teste de aptidão e de diversos cursos ministrados pela IBM.
    Meu primeiro carro foi financiado pela CEPLAC minha primeira viagem ao Rio de Janeiro eu fiz a serviço da CEPLAC, me formei em Ciências Econômicas trabalhando na CEPLAC, me casei logo depois que fui trabalhar na CEPLAC. Devo muito à CEPLAC.
    Tive a oportunidade de trabalhar com pessoas como Pedro Pinto, Passos, Milson, Horácio, Claudio Dessimoni, Clovis e muitos outros.
    Serei eternamente grato à CEPLAC e muito me entristece ver a situação que a política levou a nossa querida CEPLAC.
    A história da CEPLAC é realmente grandiosa como você bem disse.

  • Jorge Raymundo Vieira says:

    Prezados companheiros e colegas da CEPLAC
    Hoje vou dormir mais contente e feliz. Tenho lido e escrito sobre a história da nossa Ceplac e sentindo com tristeza a situação a que chegou esta grande e importante organização que tanto fez pela região do cacau. Estive na sede regional falei sobre a necessidade de dizer à sociedade regional o que foi feito e as verdadeiras razões do seu declínio neste meio século de existência.NADA aconteceu ate agora. Então publiquei os artigos que fiz em todo este tempo. Parabéns ao ZeCarlos e ao Mascarenhas pela coragem e valor das suas manifestações de sentimentos nobres e o amor à instituição.

  • Roberto Dantas says:

    Porque a CEPLAC foi transferida do ministério da fazenda como autarquia para a de um mero anexo do ministério da agricultura? Queremos saber a história completa dessa decisão

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