RAÍZES E ORIGENS DA FRANCO-MAÇONARIA – PARTE VII
Por José Everaldo Andrade Souza

Ir.’. Everaldo
Caríssimos seguidores do nosso R2CPRESS, poderosos Irmãos estudiosos da Arte Real e honrados simpatizantes e interessados na milenar história da Franco-Maçonaria.
Até o século XIV, há raras evidências de que os pedreiros britânicos fossem de alguma forma organizados ou de que mantivessem qualquer comunicação entre os de uma e outra parte do país. Contudo, cada novo estilo de construção se expandia em poucos anos depois de sua introdução. Cerca de 30 anos depois da Conquista Normanda, em 1066, foram construídas mais de 5 mil novas igrejas, sendo as do norte semelhantes em tamanho, proporção e disposição às do sul, com uma distância de 500 ou 600 quilômetros entre os dois polos. Para nós que vivemos atualmente no mundo da informação instantânea, essa não representa uma grande distância, mas há mil anos, o caso era bem diferente. A uniformidade da mudança na arquitetura das igrejas foi devida, provavelmente, aos construtores que viajavam de uma obra para outra levando consigo as novas ideias.
Os pedreiros operativos (homens que trabalhavam em igrejas e outras construções), ao contrário dos pedreiros eletivos (os que não construíam e que, mais tarde, foram aceitos nas Lojas), eram um grupo itinerante, que viajava de um lugar a outro em busca de trabalho.
De Winchester, ao sul, até Durham, ao norte da Inglaterra, gerações de artesãos trabalharam nas gloriosas construções que são, provavelmente, um dos grandes legados da Igreja Católica Romana medieval para as futuras gerações de ingleses.
Viajando pelo país, o pedreiro esperava ser aceito na comunidade de artesãos já empregados, em qualquer lugar que parasse. Era de se esperar que ele tivesse de comprovar suas credenciais. Isso não era somente para garantir suas habilidades mas, era muito mais a sua necessidade de satisfazer seu empregador e seus colegas de que ele havia, de fato, empenhado a sua fidelidade ao Ofício, aos seus costumes e ao seu código de prática. Um sistema de sinais secretos, conhecidos unicamente pelos membros do ofício de pedreiro, era uma forma de estabelecer a boa fé. Esses sinais secretos também estão presentes na Franco-Maçonaria, permitindo aos membros da Arte Real se identificarem junto a outros do movimento.
GUILDAS DE OFÍCIO
Os pedreiros não eram os únicos a guardar zelosamente os seus segredos. Outros artesãos também se juntaram para formar guildas e assim assegurar altos padrões uniformes de habilidades técnicas em sua profissão, sem se importar onde fosse praticada e para estabelecer regras para uma melhor administração de seus membros. Essas guildas também tinham seus segredos profissionais e, enquanto os pedreiros viajavam pelo país os membros da guilda tendiam a ficar onde estavam seguindo suas carreiras no mesmo lugar a vida inteira.
Todos os membros das guildas se conheciam. Eles faziam contribuições para o caixa comum a fim de assegurar que membros adoentados e sem condição de trabalhar não passassem fome, para pagar as despesas com funerais de membros falecidos, cujas famílias não pudessem arcar com os gastos de um enterro decente e para uma variedade de outros propósitos. Os membros das guildas frequentavam a igreja, na qual mantinham um altar dedicado ao santo padroeiro, em cujo dia santo a presença à missa era obrigatória.
AS LOJAS BRITÂNICAS
Tal como na Europa Continental, a Loja era originalmente o lugar onde os pedreiros trabalhavam. A referência mais antiga de que na Inglaterra eles comiam e dormiam nas Lojas consta de relatos datados de 1277, a respeito da construção d Abadia do Vale Real, desaparecida há muito tempo. Aparentemente, as Lojas e as mansões eram construídas para que os trabalhadores pudessem viver e trabalhar no lugar da construção, evitando que voltassem diariamente para o vilarejo mais próximo que, geralmente, era um pouco afastado.
Não se sabe quando o termo Loja veio a ser usado para descrever a comunidade em vez da construção. Porém, nas minutas da Loja de Aitchinson, na Escócia, datada de 1598 e dos estatutos da mesma, estabelecidos no ano seguinte, há referências às Lojas de Edimburgo, de Kilwinning e de Stirling.
Os nomes empregados para cada nível na rígida hierarquia que existia nas Lojas medievais são familiares aos maçons modernos.
Brevemente retornaremos com a nossa parte VIII, quando descreveremos os diversos Graus por que passavam os pedreiros medievais.
JOSÉ EVERALDO ANDRADE SOUZA
MESTRE MAÇOM DA LOJA ELIAS OCKÉ – N° 1841
FEDERADA AO GRANDE ORIENTE DO BRASIL – RITO BRASILEIRO
ORIENTE DE ILHÉUS – BAHIA
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Johnstone, Michael
Os Franco-Maçons – trad Fúlvio Lubisco – São Paulo; Masdras, 2010.
Título original: The Freemasons.
—
PARA LER A PARTE I CLIQUE AQUI.
PARA LER A PARTE II CLIQUE AQUI.
PARA LER A PARTE III CLIQUE AQUI.
PARA LER A PARTE IV CLIQUE AQUI.
PARA LER A PARTE V CLIQUE AQUI.
PARA LER A PARTE VI CLIQUE AQUI.


























































