(NOTAS DE BELMONTE – ‘BEBEL’ PARA OS MAIS CHEGADOS)

Neste Umas e Outra vamos continuar com a Lira Popular e a 15 de Setembro, as filarmônicas de Bebel, tipo de entidade musical presente na evolução da maioria das cidades sul-baianas.  A fundação em 1934 da Sociedade Filarmônica 1º de Janeiro de Itapebi, então pertencente à Bebel, antecedendo 24 anos sua emancipação política (1958), pode ser citada como exemplo desta participação.

Voltando às ditas, na década de 1930 havia uma carência de dobrados e Antônio Adueno da Silva era o regente da 15 de Setembro.  Entretanto a Lyra Bonfim (antecessora da Popular, como mencionamos no ‘Umas’ anterior) conseguira o chamado “Escovado”, considerado um tanto extraordinário, e tratara a portas fechada de ensaia-lo, objetivando apresenta-lo como surpresa na festa de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da cidade, uma das ocasiões em que aconteciam –muito  prestigiadas pela população–  as retretas. Acontece que Adueno, um mestre em tirar músicas de ouvido, investira em surrupiar a novidade musical. Capitada na espreita e de oitiva no local dos ensaios da rival, ele pôs sua banda, a 15 de Setembro, em condições de interpreta-la. No dia, a Lyra muito ansiosa em expor a obra prima adquirida, quando a 15 de Setembro, executou –conseguindo  com os organizadores a primazia da apresentação–, o inédito dobrado. Logo descoberto a afanação formou-se um quiproquó dos diabos entre os dirigentes e adeptos das duas bandas. Como a animosidade persistira, e a cada dia aumentava, para evitar piores consequências, autoridades da cidade conseguiram a transferência do maestro Adueno para Porto Seguro e lá ficar regendo a Lyra dos Artistas, atual 2 de Julho, sanando assim uma situação já incontrolável.

Como registramos no Umas XXVII, a Lyra Popular comemorou seu centenário no ano passado, este ano, será a vez da 15 de Setembro completar 120 anos de existência, fundada que foi em 15/9/1895 pela determinação de um grupo de coronéis do cacau liderado por Pedro Ventura de Amorim, aliás, agremiação  com a  origem do nome facilmente percebível.  Pois bem. Em 1948 mais uma vez os festejos da referida santa deram lugar a mais uma dessas ocorrências singulares.  A Lyra Popular (agora, sucessora da Bomfim) e a 15 de Setembro interpretando um número diversificado de óperas, operetas, valsas, marchas e outros estilos musicais, como o clássico ‘O Guarany’ de Carlos Gomes e uma seleção de Beethoven, se envolveriam por mais de 20 horas sem parar em um disputadíssimo embate filarmônico. De acordo registros, só com a mediação de D. Eduardo, bispo da diocese de Ilhéus, que envolvendo presidentes e regentes das duas agremiações e invocando o nome das famílias belmontenses, conseguira por consenso, o encerramento.  No final das contas, meio a discussões e até brigas dos torcedores, o empate ficou registrado como a melhor solução; e o acontecimento marcado como o ‘Grande Duelo’.

Heckel Januário