WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia


abril 2015
D S T Q Q S S
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  








ORIGENS E RAÍZES DA FRANCO-MAÇONARIA – PARTE VIII

 Por José Everaldo Andrade Souza

Ir.’. Everaldo

Ilustres seguidores do R2CPRESS, participantes e simpatizantes da Franco-Maçonaria. Conforme anunciado em nossa edição anterior, faremos um breve relato a respeito dos Graus pelos quais passavam os pedreiros medievais.

GRAUS

Aprendizes

Todas as guildas ensinavam seus ofícios aos aprendizes que, por sua vez, os transmitiam à geração seguinte. Na Grã-Bretanha, a regulamentação mais antiga relativa ao bem-estar dos aprendizes data de aproximadamente 1320, cerca de um século antes que a Aprendizagem começasse a ser exigida pelas guildas de ofício a fim de ser difundida…

Existem poucas referências a respeito dos aprendizes de pedreiros, provavelmente porque o que se sabe a respeito dos primórdios da construção em alvenaria diz respeito a relatos de projetos de construção em larga escala, e os aprendizes eram inferiores demais na hierarquia para merecerem qualquer menção.

O termo “aprendiz aceito” (entered apprentice) aparece, em inglês, pela primeira vez em 1723, no Book of Constitutions (Livro das Constituições), mais de 120 anos depois que se soube ser uma característica da Maçonaria Escocesa. Era prática padrão para um aprendiz, que completara seu estágio de sete anos, ser admitido na Loja como aprendiz aceito. Diferente de seus irmãos estagiários, os aprendizes aceitos tinham permissão para realizar algum trabalho por iniciativa própria, mas não tinham liberdade para empregar subordinados.

 Companheiros

O período do aprendiz aceito variava de Loja para Loja, mas parece que sete anos tenha sido o prazo praticado. Portanto, um jovem adolescente escocês aprendiz de pedreiro teria entre 25 e 30 anos – depois de servir sete anos como aprendiz e outros sete como aprendiz aceito – antes de ser admitido como companheiro de ofício. Agora, ele tinha o direito de assumir contratos que envolviam empregar outras pessoas. Ao final do século XVI, os grau de Aprendiz Aceito e de Companheiro de Ofício haviam perdido seu significado prático.

O termo também é mencionado pela primeira vez, na Inglaterra, no Book of Constitutions, porém é de conhecimento que a palavra companheiro foi usada nesse contexto ao final do século XIV, apesar de, aparentemente, o título não conceder qualquer grau de superioridade para as pessoas as quais era concedido. Ele era mais propriamente usado para indicar um membro da confraria. Um século mais tarde, esse título parece ter adquirido o mesmo significado que tivera na Escócia, indicando um homem superior aos pedreiros comuns que tinha o direito de empregá-los.

Vigilante

A função, da qual o termo maçônico deriva, começou a aparecer ao redor do final do século XIV. Em York, em 1408, o Vigilante e outros pedreiros superiores juraram fidelidade não somente ao Mestre mas também aos Regulamentos. Em Londres, ao final do século X, existem várias referências ao Vigilante ser responsável pelos assuntos financeiros da Loja.

O Mestre Pedreiro

Até o início do século XVIII, o termo Mestre Pedreiro era concedido apenas ao pedreiro encarregado de um projeto de construção. A função foi registrada pela primeira vez como sendo usada com referência a John de Gloucester, encarregado da construção do glorioso Westminster Hall, em Londres, em meados do século XIII. Hoje, mais de 750 anos do início da obra, o edifício está presente como tributo inspirador ao Mestre Pedreiro de Gloucester e aos outros pedreiros que o construíram.

Ao norte da fronteira, foi somente no final do século XVII que o termo Mestre Pedreiro veio a ser usado. Até então, o mestre pedreiro era chamado Diácono ou Vigilante. À medida que o termo se tornou de uso comum nas Lojas escocesas, membros eram eleitos para pleitear afiliação à Loja e não está claro se os Mestres Pedreiros presidiam as Lojas operativas.

Pedreiros Livres

No século XVII, o termo pedreiro livre (freemason) começava a ser aplicado a pedreiros não operativos, membros de uma Loja que não tinham qualquer associação com a profissão em si.

Os historiadores ficam divididos quanto ao significado de freemason (pedreiro livre). Alguns acreditam que foi usado para indicar que a pessoa, assim chamada, estava livre das Práticas e dos Regulamentos próprios da época, na Inglaterra. Ele poderia estar isenta dos muito difundidos pedágios e taxas ou poderia indicar que estivesse livre para praticar sua profissão em qualquer lugar onde houvesse trabalho.

Outra teoria é a de que o pedreiro livre tivesse permissão para trabalhar onde suas habilidades fossem necessárias, enquanto aos membros superiores de outras guildas era concedida a liberdade de escolha da cidade ou dos municípios para praticarem suas profissões dentro dos limites dos mesmos. Entretanto, a profissão de pedreiro exigia que ele trabalhasse onde houvesse um grande projeto de construção.

Uma escola de pensamento considera que os pedreiros livres tenham sido hábeis artesãos que cortavam e formavam uma qualidade superior de pedra conhecida como “pedra  angular”, encontrada apenas em algumas jazidas em uma extensão de 300 quilômetros entre Dorset, ao Sul e ao Nordeste da Inglaterra. Algumas dessas pedras também eram importadas de jazidas da Normandia, ao Norte da França. O corte de pedras de alta qualidade requer mais habilidade que o corte de pedras de qualidade inferior ou “pedras brutas”, como eram conhecidas, as quais não podiam ser propriamente esquadrejadas.

A explicação mais plasível é que livre (free) na Franco-Maçonaria (Freemasonry) significou coisas distintas em diferentes épocas da história.

O Assentador

Assentador é um termo muitas vezes encontrado nos relatos de primeiros projetos de construção. Sua ferramenta principal é aquela que aos olhos do leigo é frequentemente associada com a Franco-Maçonaria: a trolha.

O assentador pertencia a uma classe diferente de trabalhadores, que eram empregados para assentar as pedras que os pedreiros haviam preparado. Menos especializados do que os homens superiores da Loja, os assentadores eram conscientes de sua  posição e discutiam muito com os pedreiros.

Há evidências que disputas de demarcação entre pedreiros e assentadores não foram desconhecidas em Londres, no século XIV. De fato, as relações entre as duas classes parecem ter degenerado a ponto de terem de ser regulamentadas. Em 1360, foi decidido que todo pedreiro “será obrigado por seu mestre, a quem serve, a realizar todo o trabalho que lhe couber, seja em “pedra livre” seja em “pedra bruta”.

O Profano

Em 1598, os Estatutos Escoceses, de Schaw, referiam-se a uma classe de pedreiros que, apesar de ter servido o apropriado período de aprendizagem, não fora admitido em um Loja (e, portanto, não reconhecido como um membro do que era então chamado de a Irmandade). Embora fosse treinado e capaz para trabalhar, o profano era desprezado por seus colegas. Nas palavras do estatuto,

“Item, que nenhum mestre ou companheiro de ofício aceite um profano para trabalhar em sua sociedade ou companhia, tampouco permita que seus ajudantes trabalhem com profanos, sob pena de multa de 20 libras, todas as vezes que uma pessoa violar esse respeito.

              Cem anos mais tarde, em 1707, as minutas da Loja Mãe de Kilwinning rezam: “Nenhum pedreiro empregará qualquer profano, ou seja, sem a “palavra” para trabalhar”. A omissão comum das duas últimas palavras levou à conclusão de que um profano era “um pedreiro sem a palavra”.

Não há registro algum do profano na Maçonaria Inglesa até 1738, quando o termo foi registrado por James Anderson em seu segundo livro, Book of Constitutions.

A ASSEMBLEIA

Os Antigos Deveres mencionam que um corpo regente ou assembleia de todas as Lojas da Inglaterra, com poderes legislativos sobre as atividades das Lojas, reunia-se periodicamente. Todo Mestre Pedreiro tinha a obrigação de comparecer e de relatar as ocorrências à sua Loja. A assembleia, se ela realmente existiu, pois não há nenhuma evidência contemporânea a respeito, pode ter ocorrido anualmente ou a cada três anos.

Aqueles que acreditam que as assembleias existiram citam como evidência dois estatutos: o primeiro de 1360 e o segundo de 1425, os quais baniam as congregações de pedreiros. Mas, como em muito do que se relaciona com a história da Franco-Maçonaria, as opiniões ficam divididas.

Nessa oitava parte do nosso estudo, relativo às “Origens e Raízes da Franco-Maçonaria”, daremos como encerrado o referido tema.

Em breve retornaremos com mais um enfoque da interessante história da Franco-Maçonaria, também conhecida a Arte Real.

JOSÉ EVERALDO ANDRADE SOUZA

MESTRE MAÇOM DA LOJA ELIAS OCKÉ – N° 1841

FEDERADA AO GRANDE ORIENTE DO BRASIL – RITO BRASILEIRO

ORIENTE DE ILHÉUS – BAHIA

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Johnstone, Michael

Os Franco-Maçons – trad. Fúlvio Lubisco – São Paulo: Madras, 2010.

Título original: The Freemasons.


PARA LER A PARTE I CLIQUE
AQUI.
PARA LER A PARTE II CLIQUE AQUI.
PARA LER A PARTE III CLIQUE AQUI.
PARA LER A PARTE IV CLIQUE AQUI.
PARA LER A PARTE V CLIQUE AQUI.
PARA LER A PARTE VI CLIQUE AQUI.
PARA LER A PARTE VII CLIQUE AQUI.

2 respostas para “ORIGENS E RAÍZES DA FRANCO-MAÇONARIA – PARTE VIII”

  • Zécarlos Junior says:

    Professor José Everaldo,

    Volto a afirmar: você está fazendo um belíssimo trabalho sobre a maçonaria.

    Um trabalho que envolve paciência, pesquisa e dedicação.

    Associado a esta tarefa, você vai conhecendo mais profundamente a ordem maçônica e torna-se-a um grande estudioso.

    Lembro-me que meus primeiros passos na maçonaria, tive como orientador o ilustre colega e irmão NÉLSON MOREIRA (in), que também era um profundo conhecedor dos misters da secular ordem.

    Parabéns mais uma vez.

    ZÉCARLOS JUNIOR

    • everaldo says:

      Meu prezadíssimo Ir. Zé Carlos,
      Fico lisonjeado com o seu comentário não somente pelo comentário em si mas, fundamentalmente, por quem o fez. Tenho uma grande admiração pelo Irmão!
      A sua lembrança do Ir. Nelson Moreira levou-me, também, ao início das minhas atividades maçônicas, quando tive a honra de participar, ao lado do Ir. Nelson, de memoráveis sessões, nas quais o Ir. nos dava verdadeiras aulas de cultura e sabedoria.
      TFA.
      EVERALDO

Deixe seu comentário





















WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia