Luiz Castro em: DECOLORES
O sentir na pele
A noite estava tétrica, não só a noite em si, mas o mundo em sua volta parecia desabar, seus conceitos de viver estavam também desabando. Viria o dia, mesmo se fosse belíssimo a sua jornada seria por demais funesta. Para ele era como se caminhasse para o precipício. Quem diria, hein? Senhor Ernesto brasileiro, classe média, defensor afoito dos direitos humanos, dos deveres dos cidadãos, falava, debatia o quanto nós brasileiros somos privilegiados, temos tudo de graça. Sim, Deus era brasileiro, torcedor incondicional da seleção!
Ah! Mas este personagem era um brasileiro comum, como eu, talvez você, para a infelicidade dele, apareceu uma enfermidade e estava lhe massacrando o corpo e a mente, era um câncer que teria de ser extirpado, se fosse acudido a tempo a cura seria sem por cento, mas se demorasse mais um pouco nem precisaria mexer com mais nada!…
Senhor Ernesto apela para o sistema de saúde, para operar, veio a resposta bombástica: no momento não há vaga, teria que ficar na fila, na frente dele, quantos sem doenças tão graves, quantos bem mais importantes do que ele, quantos fulanos de tais…
Não deu outra, ele apela para seu médico:
— Doutor quanto vai custar minha operação?
— Mais ou menos dez mil reais!
— Mas doutor… quanto mesmo!? (fazia a pergunta torcendo para que tenha entendido errado)
— Por baixo, dez mil reais!!!
— Mas doutor, então eu vou ter que esperar, não vou poder ser operado.
— Se esperar nem vai ser preciso operar mais (no pensamento do médico: São Pedro estaria lhe esperando)
Senhor Ernesto sai do consultório cabisbaixo, não era mais aquele homem imponente defensor principalmente dos políticos do nosso país. De repente vê na rua uma passeata, era os protestos, muitas faixas, numa delas estava escrito: mais verbas principalmente para a saúde, nossa saúde está doente.
— Vou participar aqui é meu lugar e ele entra na passeata.
Colaboração de Luiz Castro
Bacharel Administração de Empresa




























































