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março 2016
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Heckel Januário em: LEMBRANÇAS DA EXTENSÃO RURAL (6)

 A primeira dessas Lembranças bem informais teve como palco o escritório da Ceplac de Ilhéus, as outras quatro, derivadas de um mergulho mais profundo, o de Itapebi, local onde começara a vida laboral de extensionista ceplaqueano deste escrevinhador. A que seque, provocadas por cutucadas ainda mais agudas na memória, se prende a momentos antecessores do ingresso na referida atividade num passado um pouco mais passado.

Era uma época de uma Ceplac agindo em razão de sua grandeza –com ação especial na Região Sul– como um segundo governo da Bahia e dotando de significativas contribuições regiões cacaueiras de outros Estados federativos, cuja receita governamental originava-se dos cacauicultores na transação do cacau produzido. No auge deve sim, levando em consideração a imperfeição humana, ter cometida seus erros, ter tida lá suas falhas, seus defeitos, mas são incontestáveis os diversificados benefícios prestados por ela aos produtores e aos locais de produção de cacau no Brasil. Hoje notícias dão conta que esta entidade agoniza mais moribunda ao sabor de mais um rebaixamento na hierarquia administrativa do Governo Federal. “Mais um” porque só parece estar em curso um desmonte planejadíssimo, e de muito tempo. Ou será que sequentes cortes de vetores estratégicos iniciados após o Ministro Delfin Neto visita-la para inaugurar a Sede Regional e o Cepec em 1972 são puras coincidências? Numa resumidíssima mostra temos: Queda da taxa de retenção de 15 para 10 por cento no mesmo ano (1972) da visita ministerial; passagem em 1974 do ministério da Fazenda para o da Agricultura; transformação em 1983 da citada taxa (chamada também de Cota de Contribuição Cambial) em Imposto de Exportação e, em 1989, já na administração Sarney, a extinção desse tributo, com seu orçamento incorporado ao fiscal da União, acontecimento este que pode ter significado o anunciar do Governo, com toda sutileza possível,  da compra de caixão e velas de um previsto funeral.  E o pior é que o ‘planejado desmantelamento’, está se dando diante da inanição –natural, face o desgaste– do quadro funcional, da inconsciência da representação política regional e baiana, enfim, diante da inconsciência da sociedade cacaueira sulbaina. Para o ceplaqueano aposentado Zé Carlos Junior, incansável defensor do órgão, tudo começou com o “olho gordo” do citado ministro.

Depois do brevíssimo comentário, revejo os meses finais de 1967 e em pauta a turma egressa da Emarc-Uruçuca ávida e esperançosa por entrar na Ceplac. Mas o contrato trabalhista não se dava de maneira tranquila e calma, pois os novatos candidatos tinham que passar por treinamentos e estágios comprobatórios sob a direção de experientes extensionistas do topo hierárquico do Depex(antiga sigla do Departamento de Extensão Rural, hoje Cenex). Para quebrar a esperança dos sonhadores em trabalhar no lugar onde nascera, logo o aviso de “proibido” ecoava. O argumento rezava que naturais ‘intimidades’ e ‘vícios’ adquiridos com a comunidade da cidade natal ou de convívio mais ou menos recente, poderiam atrapalhar no exercício da extensão rural. A passagem da ‘conquista’ e da ‘persuasão’ é outra vinda à tona e, como lidaríamos com fazendeiros de níveis econômicos (pequeno, médio e grande) e culturais distintos, os instrutores acentuavam que no ‘teti-a-teti’, aquela qualidade poderia ter cunho momentâneo, esta, ao contrário, seria “fazer com que o produtor acreditasse realmente na gente” e acrescentavam que a conversa deveria ser firme e adequada a cada condição. O exemplo da “ênfase” das duas cabeças de gado para demonstrar erudição é outra lembrada. E orientavam: ao comentar em um grupo que um desses dois bois morreu, jamais simplifiquem, digam enfaticamente que 50 por cento do gado morreu!

Tais dicas, embora pareçam estranhas e ditas aqui de um jeito meio jocoso, foram de muita valia na motivação dos neófitos extensionistas. Quanto ao conceito patronal de produtividade do funcionalismo, naturalmente, acompanhando as evoluções hodiernas, medida como a retratada, não vigoraria –ou não vigora– mais. Sobre o “genial” aviltamento proposto, seria de bom alvitre, para o bem das regiões cacaueiras do país, se o Governo Federal revisse sua posição. Obviamente mudanças na instituição são necessárias, não para piorar, mas para melhorar.

Heckel Januário                


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2 respostas para “Heckel Januário em: LEMBRANÇAS DA EXTENSÃO RURAL (6)”

  • Luiz Ferreira says:

    Parabéns. Vou ler tudo.Temos que resgatar a escola CEPLAC e mostrar também a nossa gratidão. Veja e divulgue meus artigos nesse espaço. Saudações ceplaqueanas.

  • Heckel Januário says:

    Valeu. Obrigado. Mas quem merece PARABÉNS, com letras garrafais mesmo, é o Dr. Luiz Ferreira e os parceiros do futuro livro (Dr(s) Tourinho e Alexandre, pelo “Tributos à Antiga Ceplac…”, excelente trabalho histórico, feito por quem realmente conhece a fundo a instituição CEPLAC e por ela muito fizeram.
    Tenho sim, enviado aos meus contatos, incluindo, o Agrissênior Notícias após divulgação no r2cpress.

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