TRIBUTO À ANTIGA CEPLAC.
PARA OS ANTIGOS SE LEMBAREM E
OS JOVENS A CONHECEREM.
Luiz Ferreira da Silva
Pesquisador aposentado, ex-Diretor do CEPEC.

LUIZ FERREIRA
É importante aqui se registrar algumas ações criativas empreendidas pela CEPLAC, voltadas à sustentabilidade da lavoura cacaueira, num momento em que se apresentava com uma economia desarticulada.
Nenhuma Organização neste país foi tão eficiente e dispunha visão holística quanto ela. Sem precedentes no país.
– Como fazer o agricultor “chegar mais” no desafio de recuperar a lavoura?
O Serviço de Extensão Rural que sempre teve um cunho de fiscalização creditícia, criou instrumentos adicionais visando estar presente em todos os estratos – pequena, média e grande propriedade – através da assistência técnica individual aos cacauicultores, trabalhos grupais, treinamento de proprietários e trabalhadores rurais, áreas de demonstração de resultados, reuniões com grupos organizados.
Para tanto, a CEPLAC instalou diversos Escritórios por toda região com um atrativo a mais – a revenda de materiais. Do facão ao inseticida; do podão ao fungicida; da bota de borracha ao adubo. Estrategicamente, eram abertos aos sábados, dia tradicional de feira, permitindo sobretudo ao pequeno agricultor o acesso e contatos com os técnicos, comprando e tirando dúvidas.
Mas, era preciso dar condições de trabalho aos Extensionistas pela natureza de seu trabalho interiorizado, especialmente no tocante aos seus deslocamentos constantes. Uma nova invencionice foi posta em prática, o financiamento de veículos de trabalho.
Lembro-me num dado momento, que a CEPLAC financiava uma Rural Willys, que o Agrônomo pagava em 3 anos, fornecendo mensalmente 200 litros de gasolina e mais 70% do preço da gasolina por quilômetro rodado.
Essa parceria satisfazia a ambos. A CEPLAC não precisaria dispor de uma frota imensa de altos custos, e o financiado dispunha de um veículo para o trabalho e suas necessidades familiares.
Por outro, lado, era preciso se investir em educação voltada ao campo, com a visão de melhorar a absorção das tecnologias, mas também criar condições de permanência das novas gerações comprometidas com o meio rural. E assim foram criadas as EMARCs, Escola Média de Agricultura da Região Cacaueira em Uruçuca, Valença, Itapetinga e Teixeira de Freitas. Posteriormente a de Ariquemis, em Rondônia.
A preocupação não era só com o ensino formal –nível profissionalizante – mas também com a formação de mão-de-obra a nível dos imóveis rurais. E nesse mister, criou-se o Curso de Prático Agrícola, um grau menor que o tradicional Técnico Agrícola.
Com vistas a esse fortalecimento do elo – produtor versus instituição, o CEPEC não poderia ficar de fora. Através de um laboratório moderno de análises de solos e plantas essa aproximação se fez efetiva, ao ponto de muitos produtores, por conta própria, trazerem suas amostras diretamente ao Centro, na busca de qualificação de áreas ainda não desbravadas ou de outros cultivos.
E, adicionalmente, para tender mais eficazmente a infraestrutura rural, notadamente o acesso aos imóveis rurais, a CEPLAC implantou uma patrulha mecânica e instituiu um Consórcio Rodoviário, no qual os produtores podiam reivindicar as suas necessidades discutindo as prioridades.
Esse diferencial resultou numa maior eficiência e eficácia dos trabalhos da CEPLAC na sua missão de recuperar a lavoura do cacau, em situação de debacle.
– Como envolver o pequeno agricultor descapitalizado e sem sua terra legalizada?
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