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HISTÓRIAS DE UM ILHEENSE – INÍCIO DE MINHA TRAJETÓRIA

Por Tomé Pacheco

Tomé Pacheco

Tomé Pacheco

No capítulo anterior das histórias que estou buscando contar, abordei minha “Chegada ao Carandiru”, este tem a ver como tudo começou.

No ano de 1968 meu sonho era estudar no IME –Instituto Municipal de Educação, mas como a concorrência na “admissão” era muito grande, não consegui, indo então para o Colégio Estadual de Ilhéus. Foi aí que conheci e me tornei colegas de ótimas pessoas como Eduardo Paturi, Paulo Pitta, César, Biliu, João Carlos, Nego Gilton, Emilia, Socorrinho, e muitas outras. Estudei também no Grupo Escolar General Osório, que foi meu maior orgulho, Colégio este que, infelizmente, por desinteresse de nossos governantes, está em condições, como todos nós temos conhecimento, de abandono. Quando olho lá do meu apartamento e vejo o estado de precariedade em que se encontra o prédio dessa instituição de ensino, o choro vem junto com uma imensa tristeza. Para evitar tudo isso me proíbo de olhá-lo. Foi aí que por vezes, estando na sala de aula e pertinho da janela, eu ficava de “bituca” na praia. Para os que não conheceram, o mar batia no canteiro da pista interior de automóveis. Era meu cotidiano nessa escola: ficar de olho contando quantos garotos tinha para formar o “baba”. Então quando a professora Wanda ou Faride dava uma vacilada, eu pulava a janela e ia juntar-me à turma.

No Colégio Estadual, a 1ª Série Ginasial eu passei com folga; os 2 anos seguintes fui reprovado pois só queria saber de bola. Nessa época eu tinha 16 anos e a minha mãe Elza me chamou e perguntou “Meu filho o que você quer da vida, estudar ou jogar bola?”. Eu, como óbvio, respondi-lhe: “jogar bola, mamãe!”. Então ela completou: “Vai jogar sua bola porque eu não vou ficar gastando dinheiro contigo”. Isso porque se o estudante que estudasse em colégio público e fosse reprovado por dois anos consecutivos, não mais poderia estudar nesse tipo de estabelecimento, só em particular. Foi o que eu queria. Fique então sem estudar até os 20 anos de idade, só me preocupando em jogar bola de manhã, de tarde e à noite. Por causa disso, meus dedos dos pés quase não tinham cabeças, principalmente devidos aos “babas” nas ruas, em especial aos da Rua Suburbana, onde hoje está situado o Hospital Bartolomeu, e aos de onde está implantado o SAC. Foi envolto a esses “babas” que me veio colocar na cabeça o desejo de ir embora de Ilhéus, porque eu via que se ficasse aqui eu não teria futuro algum, e não queria ficar igual aos meus colegas. Era uma turma que bastava ver uma mulher de biquíni na praia, não dava outra: corria para água para se masturbar. Por vários momentos meditei, e pedi a Deus que não me deixasse ficar como meus colegas, minha “galera”.

Foi persistindo nesse objetivo que em 1969, ao dar mole a minha irmã Adília com um salário que havia recebido, eu passei a mão e fui até a agência de passagem da São Geraldo, que ficava atrás do cinema Santa Clara. Comprei uma passagem para São Paulo, peguei uma sacola de supermercado do Messias, coloquei umas duas cuecas afanadas do meu irmão Jairo, umas 3 camisas e embarquei. Estava eu sentado no fundo do ônibus para que ninguém me notasse, motor já ligado para dar partida, quando chegam minha mãe, irmã e irmão chorando e pedindo para que descesse do veículo, argumentando que São Paulo era muito frio e que eu não portava nem um capote. E falaram juntos: “Não vá agora. Nós vamos ajeitar e de outra vez você vai”. Então, rasguei a passagem, mas fui pra casa falando que um dia eu iria pra São Paulo. Daí então meu pai Jaime Pacheco que trabalhava na SUCAM como inspetor, me arrumou um serviço como “borrifador de casa” em Ubaira (que hoje não me lembro onde fica), para que eu juntasse dinheiro. O fato é que passei nesta cidade um ano, mas nada juntei.

Em 1970, de volta a Ilhéus, fui servir o “Tiro de Guerra” para poder pegar o último documento que me faltava. Aproveitei essa oportunidade, e sem saber nem de qual função se tratava num navio, fiz também um curso de “Carvoeiro” na Marinha Mercante, pois o meu objetivo era ganhar o mundo. Ao terminar o “Tiro de Guerra” e com a carteira desse curso de marinheiro em mãos, e que tenho até hoje, decidi que iria para Vitória do Espírito Santo ou para Santos (SP).

Foi nesse momento que meu primo Sírio que hoje é pastor em Olivença( que também trabalhou na Emarc, e foi mandado embora), então me propôs: “Tomé, vamos para São Paulo. Pelo menos lá eu tenho 2 tios e lugar para nós ficarmos”. Eu falei pra mim mesmo: “Topo qualquer coisa, desde que eu saia daqui”. A intenção posta em prática, nós fomos morar os dois em São Paulo, num cômodo muito apertado que mal dava para um. Assim decidi ir pra Guarulhos aonde lá chegando, fui morar com um casal de amigos, o Arnaldo e a Marlene (hoje professora de física da UESC), no bairro Paraventi. O Arnaldo conseguiu me encaixar na fábrica de rolamentos SKF que ficava na Via Dutra como operador de maquinas (retíficas, tornos etc.). Aí ele me colocou em uma república de um casal chamado dona Albertina e seu Pietro. Fiquei nesta fábrica trabalhando durante dois anos. Era uma saudade imensa, quase insuportável que sentia de Ilhéus, dos meus amigos de praia, da minha família. Quando essa saudade saia do controle, não tinha jeito: comprava passagem no “buzu” e de repente estava eu em Ilhéus. E fazia isso duas a três vezes no ano, porque naquela época não tinha problema de emprego.

Foi aí que numa dessas vindas estava eu sentado em uma mesa do bar Os Velhos Marinheiros tomando um refrigerante e comendo um caranguejo (nunca bebi e nunca fumei), com as ondas batendo na muralha, luar bonito, então comecei a olhar o infinito do mar e a me questionar: “Cara, o que você está fazendo nessa de vai e volta?. Tome uma decisão na vida: fica ou volta de uma vez!”. Baixei a cabeça na mesa, chorei de soluçar, levantei e falei para mim mesmo: “Irei e ficarei”. Foi o que fiz. Fiquei 20 anos sem pisar em Ilhéus. Nesse período voltei a estudar. No colégio Progresso de Guarulhos fiz o supletivo de 1º e 2º graus em 3 anos e meio. E logo estava prestando vestibular na Faculdade Integrada de Guarulhos, que ficava na Vila Galvão, onde me formei em 1983.

Aguarde nos próximos capítulos as histórias do Carandiru e da Federação paulista de Futebol

1 resposta para “HISTÓRIAS DE UM ILHEENSE – INÍCIO DE MINHA TRAJETÓRIA”

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