Heckel Januário em: UMAS E OUTRAS INUSITADAS DA CIDADE ( I I I)
(NOTAS DE BELMONTE – ‘BEBEL’ PARA OS MAIS CHEGADOS)
Em razão da interação, falar de Bebel sem o Jequitinhonha, como mencionei no (Umas e Outras II), mesmo do inusual, não teria como.
Então, levanto âncora para prosseguir nas águas que em 1816, o príncipe Maximiliano Wied-Neuwied partindo de sua foz, não hesitara aventurar-se chegando à Cachoeirinha, distrito belmontense que se transformaria em importante entreposto comercial entre o litoral baiano e interior mineiro. Em 1817 o naturalista francês Auguste De Saint-Hilare percorre suas margens e, em 1820 foi a vez do médico e botânico Johann Emanuel Pohl –um integrante da Missão Austríaca que viera ao Brasil quando do casamento do príncipe D. Pedro com a arquiduquesa Leopoldina–, subir o Jequitinhonha e chegar até o Salto da Divisa, limite de baianos e mineiros nessas bandas. Registrando os variados aspectos, a passagem desses homens por essas plagas, contribuíra de maneira significativa para a história do Brasil.
Em 1916, um século depois, o belmontense Eduardo Santos Maia ao empreender viagem e registrar em seu “Impressões de viagem de Belmonte a Arassuaí…”, deixava sua colaboração. Recentemente, ou para ser preciso, no ano de 2010, o itapebiense Milson do Carmo Nascimento –fruto de preciosa pesquisa e fortes doses de conhecimento in loco– acrescia ao patrimônio do Jequitinhonha, “Cachoeirinha”, livro historiado, e pode-se dizer, um relato da vida ribeirinha deste rio, sobretudo a do percurso de sua embocadura à cidade mineira de Salto da Divisa.
Milson expõe tintim por tintim o cotidiano dos “tropeiros” e suas tropas, e dos “canoeiros”. Feitas de um só tronco de árvore as canoas mediam, na maioria, 22 metros de comprimento, 1,6 de largura e 80 cm de altura, e suportava 6 toneladas de peso. Essas figuras –enfrentando em terra ou nas caudalosas águas do rio todo tipo de agruras– foram as responsáveis diretas por um pujante comércio entre Bahia Minas, significando preservar uma ligação litoral-interior, possivelmente a primeira no território brasileiro. Produtos dos mais diversos, inclusive de fora do país, eram comercializados, percorrendo de maneira recíproca a rota: Europa –porto de Salvador –porto de Ilhéus – de Belmonte – de Cachoeirinha –norte de Minas.
O tempo passou e com ele o pico desta relação comercial curvou para baixo. Mas eis que reluz a cobiça por uma nova mercadoria: a de uma espécie diferente de ouro, este, surpreendente, vegetal! – o Cacau, que, irá incrementar novamente a vida ribeirinha, mas desta feita limitada aos 120 quilômetros do rio a partir de sua boca.
Já estamos em plena Região Cacaueira, bem povoada e abrangente de municípios, mas mais que isso: numa Civilização. É o plantio do “fruto ouro” que, fazia prosperar uma região, apesar de algumas crises. Na zona do Jequitinhonha, efeito das enchentes e vazantes, o aluvião de suas margens somado ao tropeiro e o canoeiro singularizavam esse trecho cacaueiro. Vixe! De repente, o “cacau caiu”. Não! não são aquelas águas benéficas à lavoura que, quando chovia se dizia: “o cacau caiu!”. Ele caiu literalmente, idem a riqueza de uma região, que governos e governos –baiano e central– persistem olhar de binóculos. Dizem ter sido maldição de “bruxas” penduradas em “vassouras”!
Anotava o trajeto de outros viajantes, quando o comandante da embarcação pediu silêncio à tripulação para anunciar a mais nova e meio bombástica de Bebel: a de que a empresa pública CPRM – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais dá conta da existência através de pesquisa, de uma mina de diamantes submersa na barra do Jequitinhonha. Em seguida bradou eufórico: “salvação da lavoura!”.
Heckel Januário
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em Ilhéus tivemos um caldeirão de estrangeiros que aqui chegaram para aventurar numa nova vida.Os árabes Chaui,Midlej,Habib,Chagure,Medauar,Hage e outros,Francês Lavigne,ingles,Stebvensom,Gleig,Berbert,espahol Del Rei,alemães e Suiços Weil,Schumann,Bermann,polonês Lavinsky,Kruschevsky,italianos Adami,Badaro e assim se misturaram com os segipanos e pernambucanos