Fifa, nomezinho engraçadinho. Só o nome.
Existe organização esportiva tão poderosa, a ponto de exigir estádios e estruturas de primeiro, em pleno terceiro mundo? Sim.
Durante as copas das Confederações e do Mundo, cada estádio será, na prática, uma espécie de país independente, algo semelhante ao Vaticano, com direito a soberania até na área externa, num determinado perímetro, e com suas próprias leis.
Nos estádios, de maneira geral, o pobre não tem nem vai ter vez, a começar pelo valor exorbitante do ingresso, indo até o acarajé de oito reais. O tal feudo futebolístico acaba sendo segregador do bolso e, consequentemente, da classe social e da cor da pele. Uma grande injustiça com o povão, que enche os estádios e faz a festa do futebol o ano todo, nos campeonatos estaduais e nacionais.
Por falar em acarajé, foi uma luta convencer ao comitê permitir o quitute afro-baiano na Fonte Nova, uma das embaixadas autoritárias (não confundir com embaixadinhas da bola) onde quem manda são os colaboradores da monarquia internacional do futebol. Sanduíches mac-hipercalóricos neles!
Cartazes de protesto também são proibidos dentro das “arenas”, termo este que só me faz lembrar as lutas entre gladiadores da Roma Antiga, cuja vida do perdedor ficava no dedo polegar do imperador; da sua vontade (lá dele) dependia a vida ou a morte do pobre coitado, polegar pra cima, polegar pra baixo. É, acho que “arena” é um termo bastante apropriado. Como o brasileiro sempre tem um jeitinho, foram vistos cartazes num dos jogos, com os dizeres “Queremos escolas padrão FIFA”. Já pensou, se tivéssemos escolas e hospitais públicos tão sofisticados como nossos novos estádios (ou melhor, “arenas”)?
O interessante é que a ditadura capitalista do tal “país dentro de outro país” é espertinha. Não sai um centavo do bolso dela. Os mais de 30 bilhões de reais para atender suas exigências foram subtraídos da nossa saúde, educação, segurança, estradas, etc.
As manifestações Brasil afora vieram a calhar e num bom momento, de fato. Agora o mundo inteiro passará a enxergar os brasileiros de outra forma, além de apenas um povo alegre e sorridente, sambista e futeboleiro.
Pelo menos pra alguma coisa nossa Copa está servindo… Não é, Lula?

Nilson Pessoa