Não é querendo botar areia nem melar o brinquedo, mas vamos pensar um pouco no “day after” da Copa das Confederações. Seleção Brasileira de Futebol talvez campeã, festa nas ruas, o pessoal da FIFA arrumando as trouxas e zarpando de volta ao bem bom do seu primeiríssimo mundinho, na Suíça. E lá, o que vai acontecer? Sem sombra de dúvida, uma reunião para avaliar o evento, praxe em toda instituição que se preze.
Ninguém esperava, muito menos a dona FIFA, que a Copa das Confederações iria dividir a cena com as manifestações e o quebra-quebra que tomaram conta do País por vários dias e que ela própria, a manda-chuva do futebol mundial, entraria de fermento no bolo da insatisfação geral dos brasileiros. Alguns ingênuos chegaram a declarar que política e futebol não se misturam. Negativo. Sempre se misturaram, só que na maioria das vezes para o mal, para corrupção, favorecimentos e falcatruas. Agora é por uma boa causa, nobre e justa. Mas voltemos à suposta reunião da FIFA, lá na Suíça. Óbvio que vão ser avaliados os riscos a que foram submetidas as seleções participantes (uma delas foi roubada no hotel, em Recife) e a própria FIFA, que teve seu ônibus apedrejado em Salvador. Será que esses caras da FIFA vão querer mesmo pagar pra ver o que pode acontecer daqui a um ano, num evento de porte bem maior e, consequentemente, exposto a muito mais riscos diante de possíveis novas manifestações, inclusive mais volumosas que as de agora? Quem garante que vai estar tudo às mil maravilhas em junho de 2014? Assunto a se refletir.
Já corre o boato de que existe um plano B e a nova sede da Copa do Mundo poderia ser os EUA.
Uma coisa é certa nessa imaginária reunião da FIFA, lá no paraíso europeu. Entre um gole e outro de chocolate quente, algum dos participantes vai levantar o dedo e perguntar: “Quem foi que disse que o Brasil tinha um povinho passivo e idiota que não nos causaria problemas?”.

Nilson Pessoa