A Presidente Dilma pensa num debate visando à convocação de um plebiscito, para que o povo diga o que quer (mais claro, impossível), para daí se estabelecer uma assembleia constituinte, para que o Congresso resolva, enfim, arregaçar as mangas e começar a desengavetar projetos e reformas, uma vez que muitos desses projetos e reformas parados estão diretamente relacionados aos anseios da população. Resumindo, simplesmente que nossos ilustres deputados e senadores descruzem os braços e façam o trabalho para o qual são pagos com nosso dinheiro.
O Congresso ficou melindrado com o cutucão da Presidente. Se os congressistas já eram mal afamados, pior agora, com essa sacudidela estilo “vá trabalhar”. Alegam desnecessária uma constituinte para que o País tenha as mudanças que precisa. E aí? Por que não se mexeram antes para fazê-las? Será que ainda não compreendem o recado das manifestações populares apartidárias? A resposta é simples: nossos ilustres representantes “trabalham” só três dias na semana e ficam empurrando com a barriga os projetos e reformas que não lhes interessam, só ao povo, numa bem configurada inversão de valores.
Se as reformas política e tributária e mais os inúmeros projetos de lei nas áreas de saúde, educação, infraestrutura, segurança e transportes – encalhados há anos, décadas – fossem votados, aprovados e cumpridos, muito provavelmente não teríamos essa legítima e bem-fadada explosão de revolta social.
Burocracia extrema, melindres, conflitos de interesses e outras futricas e conchavos vão continuar empurrando à frente assuntos urgentíssimos, “pra ontem”.
Parece ainda não ter caído a ficha lá neles, mas é bom esse pessoal entender logo que o gigante acordou e, apesar do plin-plin, já não é tão bobo assim…

Nilson Pessoa