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junho 2013
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Moisés, Jupira e o Dízimo

por Guilherme Albagli

A carioca Jupira enviuvou de um baiano e, estando na  terceira idade, resolveu vir morar na terra do  falecido.  Vira e mexe, Jupira volta ao Rio para ver os parentes e, na sua última visita à  Cidade Maravilhosa, passando por uma rua do seu antigo bairro, na Zona Norte, um carrão de alto luxo, cheio de vidros fumê parou e, de dentro, alguém lhe gritou:
Jupira, que bom, você aqui de novo!
-Quem é você? não estou lhe reconhecendo…
– Oh, Jupira, eu sou aquele pipoqueiro que tinha ponto diante da sua casa… não se lembra?
-Ah… agora me lembro… mas como é que você ficou assim tão rico?
– Entrei numa igreja evangélica…
-E aí? virou pastor?
– Qual é, Jupira, só sou obreiro… e mesmo assim ganho dinheiro a rodo… bebo, fumo, farreio… aquele negócio de paletó, gravata e Bíblia na mão com cara de santo é pura aparência… vamos trabalhar na minha igreja, Jupira, que você fica rica logo logo.  Igreja, agora, é uma empresa comercial… 

Honesta, a velha Jupira não caiu na lábia do santo bandido e voltou ao Pontal, onde mora e varre, voluntária e diariamente, o lixo e a areia que o vento sul traz ao seu beco, junto à Praça São João.

Outro dia, Jupira me contou este caso e eu a retruquei:

-Realmente, esta história do dízimo começou no Sinai, quando meus parentes escreveram, numa pele de carneiro:

E amarás ao teu Deus com todo o seu coração, toda  sua força e todas as suas POSSES”…

Assim começou esta prática de se tomar o dinheiro dos fiéis para as “obras do Senhor…”

Há três mil e quinhentos anos, quando Moisés liderava os Israelitas no deserto, não havia  governo civil; o governo era apenas teocrático; o dízimo equivalia aos impostos que hoje pagamos ao governo por cada chiclete que consumimos. A cobrança do dízimo podia ser até justa, há mais de três milênios, mas não agora. Deus não precisa de dinheiro. Jesus pregou todo o seu evangelho ao ar livre, enfatizando a supremacia  do espírito sobre a matéria. É por isso mesmo que as primeiras mesquitas, na Idade Média, eram montadas ao ar livre, como aqueles nossos circos-tourada, que tem a lona apenas nas laterais, ficando o teto a descoberto. O Tabernáculo Israelita, também, era apenas uma lona tecida com lã de ovelha circundando a Arca da Aliança que guardava fragmentos das pedras onde foram escritos, pela primeira vez, os Dez Mandamentos (um deles: “Não Roubarás”).   Algumas igrejas cristãs, hoje, abriram mão de sedes-próprias, reunindo-se as  congregações nas suas próprias casas.

A corrupção, que ainda dará prisão perpétua ou pena ainda maior ao infrator, não ocorre apenas nos governos civis; aparece com igual frequência nas igrejas e ” casas de caridade” que sobrevivem de doações.

O dinheiro arrecadado, às vezes, é tanto que, há uns noventa anos, sessenta canoas lotadas com canoeiros liderados por um político local, desceram o Velho Chico de Carinhanha até a Lapa para roubarem – e roubaram – as chaves do bem estofado cofre de doações ao Santuário do Bom Jesus.
Tito sitiou Jerusalém por meses a fio, no ano 72 DC, por causa do ouro doado e guardado nas paredes duplas do Templo Judaico. Dizem que uma mesinha de ouro maciço, dali retirada, ainda está hoje bem escondida no subsolo da Basílica de São Pedro, em Roma.

Deus não precisa de dinheiro, é claro; precisa só das nossas boas ações que facilitem  vida longa e segura  para o Homem louvar a Sua Glória.

Tem sede de caridade? doe você mesmo, diretamente, aos necessitados, nunca a intermediários, pois
sabemos que “quem parte e reparte e não fica com a maior parte, ou é tolo  ou não tem arte”.

1 resposta para “Moisés, Jupira e o Dízimo”

  • heraldo says:

    GRANDE GUILHERME, RAUL JA CANTAVA A SUA AGUA BENTA TRES PRESTACOES EU POSSO PAGAR, PASTOR JOAO E A IGREJA INVISIVEL…JUPIRA NUM CUMEU REGGAE E NEM DEIXOU SER PURIFICADA PELO CAJADO DESTE FALSO PROFETA.

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