Anísio Cruz – dez/2017
Oficialmente às 14:28hs., começou o verão 2017/2018, quando o sol cruza a linha do equador, e em função da inclinação do eixo da terra, ilumina mais a nossa banda da “bolinha azul”. Hoje, portanto, o dia será o mais longo do ano, permitindo que desfrutemos a sua luz, mais um pouco. A temperatura eleva-se, pela maior proximidade do sol, e tudo ganha mais luminosidade, e as flores mostram o seu colorido por inteiro. Aves de arribação espalham-se no céu, em espetaculares revoadas, à caça de seus alimentos. É assim todos os anos, desde que o mundo é mundo, mas sempre nos surpreendemos com a festa da vida.
Aqui, na nossa cidade, aumenta o número de frequentadores das nossas praias, em busca de um novo bronzeado na pele, e o reencontro com amigos que moram fora, para trabalharem, ou estudarem, mas que não esquecem as suas raízes familiares. Os turistas também chegam e buscam o seu espaço onde há alguma motivação maior, para divertirem-se. As barracas de praia e os bares, ficam lotados de gente ávida a curtir os sabores da terra, em especial, os afamados caranguejos, outrora fartos nos nossos manguezais, mas que agora precisam vir de fora, para atender a demanda. Festas acontecem nos espaços de eventos, que promovem a comercialização das camisas ingressos, e outros apetrechos usados para dar acesso. A alegria está no ar.
Paralelamente, o nosso trânsito já problemático, como bem sabemos, torna-se caótico pelo aumento de veículos a trafegar pelas ruas estreitas, de uma cidade multissecular, que não está preparada para tal incremento populacional, transitório, é verdade, mas que incomoda a todos, principalmente aos moradores da cidade, que precisam deslocarem-se aos seus locais de trabalho, e irritam-se com os percalços do percurso. Os agentes de trânsito até que buscam atenuar a situação, porém, em que pese a boa vontade dos mesmos, nem sempre conseguem dar celeridade à movimentação dos veículos. Também os supermercados cheios de novos clientes, ficam desabastecidos, e os repositores trabalham dobrado, para recolocarem os produtos à mostra. Ano após anos, a situação se repete, sem que soluções sejam propostas, e adotadas pelo poder público.
Deixei por último, sem que isso implique numa menor importância, a sujeira das praias que nos causam incômodo, imaginem aos exigentes turistas que torcem os seus narizes ao se depararem com o quadro em desacordo com os padrões mínimos de civilidade? Alguns dirão que a sujeira é comum país a fora, mas isso não serve de desculpa a uma cidade que pretende ser turística, atraindo visitantes de outros estados, e de outros países, onde as práticas de civilidade são outras, e todos contribuem para que o asseio seja impecável. Campanhas devem ser desencadeadas ao longo do ano, e a disponibilização de lixeiras, e principalmente, o trabalho constante de garis nas ruas e nas praias, mostrarão que há, por parte do poder público, cuidados saneadores a demonstrar a nossa educação ambiental. Cuidemos, então, pois eles, os turistas, quando não gostam do que veem, arrumam as suas malas, e vão em busca de outros lugares mais asseados, e nunca mais retornarão.