O RANÇO DA EMPÁFIA
Todos sabemos que, há muito, o cacau já não é mais aquele símbolo de riqueza e poder da época dos velhos coronéis, mas os “herdeiros” (consanguíneos, por osmose, por influência ou por imitação) estão aí e alguns deles insistem em ignorar que passado é passado e que a empáfia é defeito, não virtude.
Esses dias, fui retirar folhas de cheque no caixa eletrônico do banco; tinha um cara utilizando a única máquina que fornecia cheques e, ao mesmo tempo, falando ao celular. O assunto da conversa, não pude deixar de ouvir, era propriedades rurais. O sujeito aparentava uns 40/45 anos, pinta de playboy. Terminou a operação no caixa eletrônico e ficou lá, se apoderou da máquina, utilizando-a como bancada ou escritório remoto para tratar de negócios e fazer nova ligação do celular. Banco vazio, só eu aguardando e ele já tinha me visto. Os minutos se passaram, não me contive e perguntei ao mauricinho: Terminou, amigo? De costas, ele virou a cabeça até o ombro e, sem me fitar nos olhos, respondeu: “Aqui não tira dinheiro não”. Incisivo, retruquei: Mas é a única máquina pra retirar folhas de cheque.
Ele deu uma paradinha, como se a ficha estivesse caindo, e saiu meio sem graça, porém calado, nariz empinado, sem se desculpar. O coronelzinho foi, então, tratar dos seus negócios em outro canto.
Detalhe: ainda tive que jogar no lixo a sujeira (papéis) que o mal educado arrogante deixou na bancada do caixa eletrônico.
Tudo bem, só um babaca metido a merda que cruzou meu caminho. O jeito foi dar boas risadas depois.
Nilson Pessoa



























































