CASTIGO PSICOLÓGICO
O tema é recorrente. Muita gente se queixa e eu também. Da última vez chamei a polícia, que acabou não vindo.
É o velho problema do som alto na vizinhança. Mau gosto, falta de educação, falta de cidadania, falta de respeito ao próximo e ignorância completa dos princípios básicos que regem as relações humanas e comunitárias.
Neste domingo, entre arrochas e funks cariocas a todo volume, fiquei pensando: qual seria o castigo ideal para um vizinho f.d.p. desses?
De cara, vem logo a imagem da bazuca. Mas não dá. Se é crime ter uma, pior atirar com uma, por mais que seja só no carro.
Subir no poste e cortar o fornecimento de energia da casa, também não. O som é no carro entupido de alto-falantes (esqueceu?).
Aí surgiu uma nova ideia, com requintes de tortura psicológica. Seria um castigo digno e decente.
O primeiro passo, pegar o sujeito e obrigá-lo a ouvir uma hora, só uma horinha, de uma palestra sobre boas maneiras e convívio social. Para ele, essa horinha duraria uma torturante eternidade. Mas é só o início, não para por aí.
O segundo passo seria trancafiá-lo numa sala confortável, ar refrigerado, poltrona de primeira, equipamento de som de altíssima qualidade, mas que não precisa ser no volume que ele ouve aqueles lixos lá dele. Dessa vez o tempo seria de umas 3 ou 4 horas, muito menos do que o tempo que ele incomoda toda a vizinhança ouvindo aquelas porcarias.
Agora vem a pior parte. Uma seleção musical do bom e velho rock’n’roll dos anos 70, depois uns sonoros blues rasgados, seguidos de modern jazz da melhor qualidade. Pra encerrar, uma coletânea de Tom Jobim, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Caetano, Gil, Egberto, Hermeto, Ednardo, Zé Geraldo, Xangai e outros. Garanto: o cara não vai suportar nem metade disso e vai pedir clemência, de joelhos, chorando copiosamente como se fosse o último condenado da face da Terra. Dá dó só de pensar.
Nilson Pessoa



























































