Recentemente li numa matéria do Diário de Ilhéus que o nosso governador irá asfaltar todas as ligações municipais com a BR-101. E bati de leve e com parcimônia a palma da mão na outra para aplaudir a iniciativa. Mais e com força, a seguir o conceito de que em promessa de político made in Brasil não se pode confiar, dependerá…

Por falar nisso, dia desses, embora persistisse na leveza, avancei na moderação e dobrei o número de batidas. Mas também não era pra menos, pois vi ao vivo e em cores, ali bem ao lado do Cristo para quem quiser conferir, os preparativos para a eclosão da segunda ponte Ilhéus/Pontal. A preparação da prenhez da mesma forma é notada pela cerca de estacas acimentadas nas proximidades, uma espécie de redoma que as administrações públicas adotam na antevisão de feitos importantes.

Como se trata de um fato almejado por toda comunidade regional, especialmente pela ilheense, o governo baiano tratou logo de antecipar sua ‘certidão de nascimento’ em outdoors expondo os seus 497 metros de extensão que, somado aos 2.243m dos acessos ao Malhado, Distrito Industrial e Porto Sul, totalizarão 2.740m de construção.  Mas aí aconteceu que, em vez de no total conter simplesmente a abreviatura do metro, o “m”, registra o “km” de quilômetro.

Nada não. Provavelmente um lapsozinho gráfico sem maiores intenções… Ah, matei a charada! Como ainda insere a radial BA 001, enfatizando ser a obra um seguimento desta rodovia, talvez na quilometragem expressa esteja induzida evidentemente  sem o exposto exagero e coisa e tal–, a inclusão da Salvador/Itaparica; a prometida – e nunca realizadaestrada Belmonte/Canavieira e; os anunciados reparos e pavimentações de rodovias dos municípios à BR 101. Imagino mesmo que a atual gestão baiana deseje é ficar registrada na história como aquela que fez o rodoviário ligamento entre a Costa do Descobrimento e Costa do Cacau, badaladas, mas eternamente estanques regiões turísticas da Bahia.

Outro detalhe é o extremado senso futurista quanto ao Distrito Industrial e o Porto Sul, pois o primeiro vem capengando de longa data, e o outro simplesmente só existe em caducadas promessas. Ora, como o parto está previsto para o meado de 2015, é possível que, quando a criança estiver preste a nascer, com o nome dos pais naturais ou adotivos definidos, o governo esteja apostando que até lá a saúde das pernas do Distrito fique estabelecida, o Porto saído do outdoor, assim como outras dívidas igualmente atrasadas, como a do Aeroporto Internacional, a duplicação da Ilhéus/Itabuna, o completo recapeamento da cidade etc., etc., tenham sidas quitadas.

Nesse panorama de expectativas só não tem cabimento ornar-se o berço, deixá-lo reluzente para receber a criança e, com os avanços tecnológicos de hoje em dia e em todos os campos, a gestação seja, por manipulação, prolongada por mais tempo, me veio pensar ao estar terminando este escrito. E concluía o pensamento achando que essa de governos usarem os artifícios da demora, objetivando tão somente ganhos eleitorais, parece estar sob pressão popular chegando aos seus dias finais; contudo aqui na Capitania dos Ilhéus que passa por um momento de graves transtornos internos, a falta de apoios visíveis, palpáveis e reflexíveis na sociedade, por parte do governo baiano e por tabela do federal é incontestável. Ou então como não conheço os meandros dos bastidores do poder…

Viu? Na emoção fui longe, mas com as melhores das intenções de um eleitor, pois na verdade o que gostaria mesmo é de sentir a parcimônia ir ‘pras cucuias’ e sempre bater forte uma palma da mão na outra, mas…, o conceito me impede, e com razão.

Heckel Januário