O ANDAR DA CARRUAGEM
Campanha, eleição não tão folgada, posse com frase de efeito, surpreso quando viu o rombo dos oito anos, apelou para o pacto, vieram os protestos, o reúne Ilhéus, a rejeição, enfim, tudo o que um político não quer enfrentar apareceu na frente do salvador da pátria. O homem parece acuado e com dificuldade pra sair do buraco.
E o nosso secretariado? Como andam as coisas para o lado dele?
A equipe foi montada com nomes da cidade e outros de fora. São os acordos políticos que infelizmente fazem parte do processo.
Senão me engano, seja secretário, comissionado ou contratado, a partir que assume o cargo passa a ser servidor público municipal, queira ou não, inclusive sujeito aos deveres e obrigações que regem o serviço público. Essa de não aparecer pra trabalhar, não morar na cidade ou outras coisitas mais, são procedimentos inadequados.
Nessa crise político/administrativa que a cidade enfrenta, o que é que passa nas cabeças dos nossos secretários? Dos assessores especiais? Dos comissionados? Dos contratados?
Vejamos: o que passa na cabeça do gestor da educação quando vê escolas sem funcionar, já estamos chegando ao mês de setembro, os alunos prejudicados, merenda escolar precária, professores insatisfeitos?
O que passa na cabeça do gestor da saúde pública quando vê os postos sem funcionar, sem material e equipamento, imóveis precisando de reforma, pessoal desmotivado?
O que passa na cabeça do gestor de desenvolvimento urbano/obras, quando vê as ruas e avenidas esburacadas, os pontos de lixo se proliferando, as centrais de abastecimento imundas e cheias de urubus, as praias sujas, os bairros e periferias pedindo socorro?
O que passa na cabeça do gestor do turismo quando vê a cidade nesse estado e às vésperas de uma temporada de verão?
O que passa na cabeça do gestor de imprensa quando vê a cidade passando por tantos problemas e nada de puder divulgar notícias de trabalhos realizados pela prefeitura?
O que passa na cabeça do gestor cultural ao vê o único teatro da cidade fechado e sem previsão de voltar a funcionar?
O que passa na cabeça do gestor de urbanismo quando vê as inúmeras agressões ao meio ambiente; a bagunça visual; a falta de utilização do código de postura?
O que passa na cabeça do gestor de administração quando vê a greve dos servidores; as inflações contra a Lei de Responsabilidade Fiscal; a contratação de comissionados; e a reposição salarial?
O que passa na cabeça do gestor de relações institucionais? Sem comentários.
Mas independente do que passa na cabeça dos secretários, existe a cabeça maior e a única responsável pela gestão pública da cidade de Ilhéus, que é o nosso alcaide, ou não é?
Portanto, caros colegas, a bronca está feita, as saídas bloqueadas, a preocupação aumentando, os serviços públicos a meio pau e praticamente um ano de gestão se foi e nada foi feito.
Não estou aqui jogando algodão no ventilador, torço para que nos próximos três anos o alcaide consiga reverter a situação e comece realmente a colocar em prática o discurso de campanha, espero apenas que não seja como a promessa de recapeamento asfáltico feita pelo galego.
Quanto ao resto a turma da couraça e do abafo, continua tentando esconder o malfeito, afinal, as benesses não foram poucas e precisam ser protegidas. Nada como um bom abrigo após subir e descer morros.
ZÉCARLOS JUNIOR



























































