NOBRE DEPUTADO…
“Nobre deputado, hora do almoço”.
“Nobre deputado, hora da janta”.
“Banho de sol, Vossa Excelência.”
“Por gentileza, dá-me cá os pulsos para as algemas. Prometo não apertar, deputado”.
Fico imaginando como será a vida do “danadão” durante o curto período que vai passar no xadrez (alguma dúvida de que vai ser curto?).
Agora já temos deputado presidiário, preso em corpo mas com a alma livre para exercer o seu mandato e ser pago, muito bem pago, para tal. Nós, o povo, sempre sustentamos os presidiários com nosso suado dinheirinho, porém nunca pagamos tão caro por um deles como dessa vez. É uma carga dupla: as despesas carcerárias e o vultoso salário de parlamentar.
A culpa foi dos nobres colegas do bandido, em votação secreta e atendendo a interesses corporativistas – os mais mesquinhos possíveis – principalmente por muitos estarem encalacrados com processos que também podem resultar em prisão e, já olhando mais à frente, votaram a favor do deputado meliante para, quem sabe, não perder a mamata quando sua hora chegar. Eles sempre se ajudam.
Se foram safados e descarados na votação, o resultado da lambança pode ser o fim dessa pouca vergonha, com a pressão que passa a vigorar para que certos tipos de votações, em breve, aconteçam de forma aberta e identificada. Com todo respeito aos pouquíssimos que prestam (e são pouquíssimos, sim), mas a maioria não passa de bandido da gravata e do colarinho branco querendo fazer o pé de meia – o povo que se lixe. Decididamente, eles não me representam.
Sei não, mas tem tanto parlamentar cara de pau e tanto eleitor cabeça oca, que não vou estranhar se, mesmo no voto aberto, tudo continuar como dantes, à base de óleo de peroba na cara dos nossos políticos marginais e surto de amnésia na cachola dos pobres coitados que elegem esses “danadões” da política.
Nilson Pessoa



























































