Por: Guilherme Albagli de Almeida

Como tudo no mundo envelhece e se transforma – não apenas a  cultura humana mas, também, a Natureza, nas suas paisagens geológicas e zoo-botânicas -, assim há de ocorrer com a Arquitetura que, em cada período, possui  um estilo próprio e diferenciado, obedecendo a novas exigências sociais e disponibilidades técnicas.

Face a isso, a Arquitetura, fusão de  Arte e de Técnica, ao longo de séculos desenvolveu a sua especialidade “Conservação e Restauro de Monumentos” que visa preservar e valorizar um bem originado de outra época, tanto pelo respeito à sua especificidade histórica quanto pelo seu valor estético, dotando o meio ambiente humano de elementos variados e diferenciados que o  enriquecem e valorizam.

A cada época, também, se transmutam e aperfeiçoam tais conceitos e critérios conservacionistas. Estando, a catedral medieval de  Notre-Dame de Paris, no Século XIX,  em grande parte destruída, Violet-Le-Duc a reformou completamente, todavia sem o cuidado de diferenciar as suas partes antigas das suas próprias intervenções, não sendo hoje mais possível se reconhecer o elemento antigo, original, das novas integrações.
 
Isso não impede, todavia, a adição controlada de alguns elementos evidentemente atuais para conferir alguns contrastes que realcem os elementos originais do monumento. A esta ação chamamos “Mise-en-Valeur” – Valorização -, quando, também,  o novo uso do bem é considerado e visto uma como forma essencial à sua preservação. A transformação da antiga estação Ferroviária do Rio do Braço num restaurante temático é um claro exemplo deste conceito preservacionista mais atual. O interesse no bom andamento da longa obra a ser realizada na antiga vila-fantasma do Rio do Braço não se restringe ao seu proprietário, o jovem visionário Lucas Kruschevsky, mas a todos os que amam e se preocupam com um melhor futuro para a nossa cidade e sua comunidade.
 
A falta de uma enxuta secretaria municipal integralmente dedicada à preservação e valorização dos nossos monumentos históricos poderia  ser uma causa da destruição de certa parte do nosso patrimônio histórico, legando alguns dos nossos elementos monumentais ou ao seu arruinamento progressivo, ou à sua transformação indevida,  sofrendo ações discordantes com a sua originalidade desejada.