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PONTE ILHÉUS/PONTAL VIRÁ COMO UM PRESENTE DE GREGO

por Edgard Siqueira

Foi mais de uma década esperando pela construção de um passadiço, se levarmos em conta a extensão da Ponte Salvador/Itaparica é assim que podemos definir o que será construído na Baía do Pontal.

Tanto tempo esperando e quando veio à notícia de que agora era pra valer, foi efusivamente comemorado por todos, com a premissa de novos tempos. A empolgação é tanta que até hoje a viabilidade do projeto não foi discutido em nenhum lugar, a não ser, na sala dos técnicos que não tem nenhuma identidade com Ilhéus.

Contrastando com o tratamento dado SEMPRE a Ilhéus, o Secretário do Planejamento do Estado, José Sergio Gabrielle, fará no dia 13 uma apresentação técnica do projeto de construção da ponte Salvador – Ilha de Itaparica, na sede da FAPESB – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia, na oportunidade abordará questões como meio ambiente, INFRAESTRUTURA VIÁRIA E URBANISMO.

Aqui ninguém sabe de nada, a não ser, o vídeo publicitário do passadiço, estampado na internet. E olha que tomamos a iniciativa através de um requerimento ao Secretario de Planejamento de Ilhéus, Sr. Antônio Vieira e não obtivemos o acesso e que segundo ele, também não tem, a não ser, um escopo do projeto fornecido pelo DERBA, já totalmente sujo e rabiscado. A sensação deixada é que os seus idealizadores do projeto não tem do que se orgulhar.

Pois bem, aqui está sendo aplicado o velho ditado popular “Cavalo dado não se olha os dentes”. É indiscutível a beleza da concepção arquitetônica do projeto do passadiço estaiado, mas, o Cavalo de Troia que está sendo presenteado a Ilhéus, embora belo, a projeção da sua utilização irá barbarizar Ilhéus tanto quanto Troia foi ao receber aquele presente.

Este projeto é de quem não AMA ILHÉUS. As declarações esta semana do prefeito Jabes Ribeiro merecem uma profunda reflexão: “O antigo sonho se tornou realidade, e uma realidade muito melhor do que esperávamos. A NOSSA NOVA PONTE, além de ser uma solução para a mobilidade do nosso município, que retomou a sua vocação natural para o desenvolvimento, também vai colaborar com a CIRCULAÇÃO DE CARGAS entre os municípios de Una, Arataca e Canavieiras, com os do litoral norte e Salvador e, posteriormente, com todo Estado com a implantação da Ferrovia Oeste Leste (FIOL) e do Porto Sul, facilitando também a circulação de automóveis e veículos pesados, que, desta forma, não precisarão passar pelo centro histórico de Ilhéus”. O prefeito esqueceu-se de acrescentar o fluxo da BR 101, que futuramente virá pela rodovia federal Pontal/Buerarema e utilizará a nova ponte. Uma ponte com mil utilidades. Mas antes!

Será o CAOS a galope que virá para ficar durante muito tempo. A perspectiva de um ANEL VIARIO para resolver o problema que vão criar, com certeza, esgotará a nossa paciência, já que para construir um passadiço levou décadas, imaginem um ANEL VIARIO. Ou alguém acredita nesta solução em curto prazo?

Tanto tempo esperou-se por esta bendita ponte que terminou virando uma paranoia, só se falava e pensava na nova ponte. Pois bem, os governantes de saco cheio com as cobranças resolveram atender, “vocês querem ponte, vão ter ponte”. Não se importando com as consequências negativas que advirão da sua projetada utilização viária. Esta ponte, para manter as características generosas que a natureza nos deu, só poderia ser utilizada por veículos de pequeno porte. Nunca em uma interligação de cargas.

A proposta viária para a sua utilização dentro de um aspecto futurista é de uma maldade sem limite para com Ilhéus. De cara inviabiliza três ferramentas de enorme potencial turístico. A Avenida Litorânea Sul, a Avenida 02 de Julho e o nosso principal cartão postal, a Avenida Soares Lopes. Com pistas de rolamento e o transporte intenso de cargas pesadas ADEUS AVENIDAS. As pessoas (nativos e turistas) perderam a comodidade de ir e vir, pelo buzinaço e os escapamentos de um transito intenso de caminhões e carretas, aliado a um aumento vertiginoso da insegurança. Esta é a triste realidade que estão nos preparando.

A concepção deste projeto contraria a tudo que é de bom senso. Em todo Brasil, principalmente, em regiões litorâneas, AS AVENIDAS são preservadas paras as pessoas usufruírem com tranquilidade. Quem conhece Copacabana, Guarujá e adjacências Atalaia ou toda orla de Salvador, sabe que é terminantemente proibido trafego de caminhões pesados.  Porque aqui tem que ser diferente?

Lembrando o radialista França Teixeira que sempre repetia o bordão “Toda unanimidade é burra”, por uma questão de justiça devemos salientar que não é o caso deste projeto. Uma arquiteta da Prefeitura disse que foi voto vencido e o Secretário de Planejamento do município depois de ouvir as nossas considerações desabafou, “O senhor está certo, eu disse lá em Salvador que deveriam primeiro atacar a calha norte”. Como vimos técnicos da Prefeitura não foram ouvidos e se foram, não foram considerados.

É um tema muito abrangente, outros textos sucederam, e este no momento é só o começo para provocar a discussão de um projeto que como está posto trará mais malefícios do que benefícios. Quem viver verá.

3 respostas para “PONTE ILHÉUS/PONTAL VIRÁ COMO UM PRESENTE DE GREGO”

  • Amigo Edgard,

    Ainda bem que você publicou esta matéria.

    Por conhecê-la antes da publicação, algumas pessoas estavam querendo saber quem era o autor, finalmente agora todos irão saber.

    Gostei imensamente de suas colocações, inclusive tenho conversado com amigos a respeito dos “projetos” envolvendo os entornos do Pontal e Avenida Soares Lopes.

    Agora vamos esperar ver o que o governo do estado tem a dizer.

    Valeu mais uma vez.

    ZÉCARLOS JUNIOR

  • Ramalho says:

    Caro Edgard,
    Suas palavras descrevem bem o retrato dessa obra.
    Me parece aquele tipo de planejamento realizado entre paredes de um escritório, cercado de segredos e interesses políticos. É inegável que os arquitetos envolvidos em nenhum momento levaram em conta um dos princípios básicos relativos a sua responsabilidade social.Existe na arquitetura diversos elementos que são indicadores de como se gerar espaço em uma obra, mas o conceito utilizado foi o de traçar uma reta por cima da vida dos moradores do local, do tipo “corta daqui pra frente e o restante a demolição faz sua parte..”. Nós que estamos sobre essa reta, nos sentimos fragilizados e sem poder de luta com os desumanos responsáveis pelo traçado.No Rio de Janeiro existe um exemplo que devia ser cartilha de normas e condutas; A TransCarioca trouxe desapropriação sim, mas o traçado foi mudado em diversos lugares onde havia alternativas e onde a população se mobilizou.O poder publico estava junto e o prefeito cumpriu seu papel de responsabilidade com a população que o elegeu.
    Diferentemente de Ilhéus onde o prefeito demostra estar visando somente um projeto arquitetônico com uma entrada milionária de dinheiro para trabalhar a projeção politica das próximas eleições. Estou aproveitando este momento para agradecer sua liderança em mobilizar os moradores e o empenho em divulgar o que acontece junto as obscuras decisões de gabinete. Que deus lembre bem desses homens quando chegar a hora !

  • Carlos says:

    Agora que a ponte foi feita por um governo de esquerda, ela não presta.

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