:: ‘Falaê’
Maria Regina Canhos Vicentin / Profissão: psicólogo
Em 27 de agosto comemoramos o dia do psicólogo. Profissional dotado de uma sensibilidade ímpar, o psicólogo é chamado a atuar em diversos segmentos. Onde existem pessoas, naturalmente deve haver o trabalho psicológico, pois a psicologia está relacionada ao ser humano e seu sofrimento psíquico. Inúmeros são os que ainda temem a intervenção terapêutica julgando tratar-se de um procedimento utilizado somente para os insanos. Desconhecem que a psicologia ampara a pessoa em todos os seus momentos, auxiliando-a no âmbito emocional, profissional e familiar. Psicólogo não é quem cuida de louco e sim quem auxilia pessoas em sofrimento psíquico e emocional. Também é quem ajuda na escolha profissional. Quem avalia a prontidão escolar, o nível de inteligência, os desvios de caráter, os problemas de comportamento e aprendizagem, os desajustamentos conjugais e sexuais, as neuroses e psicopatias. Enfim, o psicólogo é uma pessoa instrumentalizada para auxiliar o ser humano em suas dificuldades.
Legião da Boa Vontade
Incentivo à leitura
Paiva Netto

Paiva Netto
Concorrido evento no Rio de Janeiro reuniu imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL), atores e personalidades para o lançamento do “Livro das Horas”, da nobre escritora e acadêmica Nélida Piñon.
Nesta obra, a autora reflete de forma envolvente sobre a vida, partilha ideias com autores clássicos como Homero e Sófocles e, ao mesmo tempo, interage com grandes escritores contemporâneos: “Não tenho filhos, mas leitores, capazes por si sós de defenderem a civilização contra os avanços da barbárie. A eles nomeio sucessores de uma linhagem irrenunciável”.
Muito gentil, a querida Nélida Piñon assim me endereçou um exemplar do seu trabalho: “Ao querido presidente Paiva Netto, sempre notável homem de cultura e de causa humanística. Da admiradora Nélida Piñon. Rio, 15/8/2012”.
CRIANÇAS DA LBV FALAM À CBN
Alunos do Instituto de Educação da LBV, em São Paulo/SP, marcaram presença na 22ª Bienal Internacional do Livro da capital paulista, que se encerrou no dia 19. Entre as atividades, descontraidamente participaram da Oficina de Rádio da CBN. Aos comunicadores Fábio Pawlyszyn e Oswaldo Bruno, as crianças concederam entrevistas, falando da alegria de estarem na Bienal e do incentivo recebido, na escola da LBV, por intermédio do Programa Permanente de Leitura.
ATLETA FERNANDA GARAY
O Coral Ecumênico Infantil Boa Vontade, da LBV em Porto Alegre/RS, homenageou a atleta Fernanda Garay, atacante da seleção brasileira de vôlei bicampeã olímpica em Londres. As crianças atendidas pela LBV cantaram músicas alusivas ao esporte, saudando a campeã, entregaram flores e um cartão confeccionado por elas.
À Super Rede Boa Vontade de Comunicação (Rádio, TV, Internet e Publicações), a atleta gaúcha destacou: “Estou muito feliz. Eu me emocionei com a homenagem das crianças. Elas são lindas, se esforçaram, treinaram para cantar, e foi maravilhoso. Parabéns! Obrigada. A música foi linda”.
JACYRA ALVES GONZAGA DO MONTE
No domingo, 19/8, retornou ao Mundo Espiritual minha grande amiga Jacyra Alves Gonzaga do Monte. Vibrante e dedicada Legionária da Boa Vontade, sabia incentivar todos que a cercavam ao trabalho do Bem. Ninguém chegava perto de Jacyra sem ser estimulado por sua contagiante alegria. Ela sempre dizia: “O que vocês puderem fazer pela LBV, façam! A vida dentro da LBV é instante a instante, momento a momento. A LBV é o ar que nós respiramos!”.
Que a Paz de Deus a acompanhe agora na Pátria da Verdade. Aos seus amados familiares, a nossa solidariedade!
José de Paiva Netto — Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com
Maria Regina Canhos Vicentin em: A complexidade da mulher
A cada dia que passa me convenço mais acerca da complexidade da alma feminina. O que pode já não ser mistério para muitos, continua a sê-lo para mim, talvez, por ser mulher. É certo que vários homens provavelmente há tempos descobriram como a mulher é complicada. Entretanto, nós mesmas ainda estamos nos descobrindo, porque a cada dia percebemos uma nova faceta nessa criatura polivalente e ambígua. A complexidade da mulher é tal que, às vezes, nem ela mesma se entende. Portanto, homens, aprendam a ser tolerantes conosco. Nem sempre temos controle em relação ao nosso humor afetado ou nossas crises existenciais. Essas coisas aparecem e desaparecem muitas vezes sem que consigamos descobrir qual a sua origem em nós.
A ciência tem estudado sobre a interferência dos hormônios no funcionamento emocional e psíquico das mulheres. Pesquisas comprovam que a TPM não é um mito, mas uma realidade. O número de episódios desastrosos envolvendo mulheres nessa época é acentuado. Observo, contudo, que a sensibilidade também parece assegurar maior encantamento e sofrimento às mulheres assim como a alguns homens determinados. A pessoa sensível carrega consigo um olhar diferenciado do mundo. Ela vê de forma mais contundente alguns aspectos que simplesmente passam despercebidos para outros. Tal característica confere um “peso”, não necessariamente no sentido pejorativo do termo, mas algo que precisa ser administrado, metabolizado, traduzido para o emocional e assimilado pela pessoa para que a mesma possa se tranquilizar. Isso desgasta, requer energia, e as pessoas sensíveis normalmente estão quase sempre mais cansadas que as demais.
Marli Gonçalves em: Nem toda a nudez será castigada.
Pronto, agora melou. Virou moda. Vira e mexe agora, em todo o mundo, alguém arria as calças, levanta a blusa, mostra os peitos, põe a própria na janela. Não é uma nova forma de protesto, mas está sendo atualizada, com mulheres lindas e loiras que se jogam no chão e esperneiam quando a polícia chega e as arrasta, gerando invariáveis fotos para manchetes
Os protestos ficaram mais bonitos em todo o mundo. O problema vai ser quando banalizar a forma, ou formato, o que aqui no Brasil acontece muito mais rápido do que em qualquer outro lugar. Não faz um mês apareceu uma ativista em verde e amarelo, a Sara Winter, como ela própria se batizou. Apareceu, viajou para a Ucrânia e foi aceita – é, isso mesmo, tem de passar por uma espécie de vestibular com prova oral e prova prática, de capacidade de aguentar o tranco – no mais novo grupo feminista da praça internacional, o Fêmen. Aquele, das moças bonitas, guirlanda de flores nos cabelos, seios fartos e pele alva pintada com os dizeres dos protestos, grupo que foi aparecendo aqui, ali, e daqui a pouco vai abrir franquias em todo o planeta. Logo no primeiro protesto lá fora, Sara foi parar na cadeia, gritando que era estrangeira, e brasileira. Nem sei como não levou umas bolachas a mais justamente por isso.
Aqui, Sara foi imediatamente paparicada pela imprensa, como uma ET que desce à Terra. Parecia que finalmente nascia uma heroína, um protótipo de Macunaíma. Mas como protesto não é coisa de se fazer sozinha sempre, Sara já andava arregimentando novas “membras” para a organização feminista, que proclama um feminismo diferente. E começou a testá-las, também nas ruas. Apareceram na Avenida Paulista contra proibição de partos em casa. Apareceram contra a opressão. E, pelo que parece, podem aparecer a qualquer momento contra qualquer coisa que não precise exatamente explicar muito. Ótimo.
Tudo ia indo muito bem até que essa semana a polícia resolveu catá-las, depois que ela e outras abnegadas em teste foram parar na frente do Consulado russo em São Paulo, pedindo a libertação, lá na Rússia, das três integrantes do Pussy Riot, banda encarcerada (que pegou dois anos de pena) porque andou, digamos, falando da mãe do presidente Putin. E dentro de uma igreja.
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Maria Regina Canhos Vicentin em: Pai Presente
O programa Pai Presente é coordenado pela Corregedoria Nacional de Justiça e possui o intuito de estimular o reconhecimento voluntário da paternidade. Não vou dar detalhes do projeto, pois sei que os interessados podem obter informações consultando a internet, os cartórios e fóruns locais. O que desejo é discorrer um pouco acerca da importância do pai na vida do filho, já que estamos próximos ao dia dos pais.
Sem dúvida, a figura paterna faz diferença no desenvolvimento infantil. Pilar na educação dos filhos, o pai consciente de suas responsabilidades ajuda a forjar o caráter do filho alicerçado em valores morais e éticos, além de enriquecê-lo com o seu exemplo de vida, trabalho, honestidade e resiliência nos momentos de maior dificuldade.
Dono de características singulares, o homem é mais objetivo e prático que a mulher, apresentando alternativas muitas vezes mais simples na resolução de conflitos, contribuindo para a formação da personalidade dos filhos e fornecendo segurança diante de situações aparentemente difíceis e complicadas para a mulher.
Exercer a paternidade responsável é agir com a complementaridade necessária ao bom desenvolvimento dos filhos. Além disso, assegurar a divisão das despesas com a mulher é de suma importância num momento em que ela, muitas vezes, se vê obrigada a dar conta de tudo praticamente sozinha. É uma carga bastante pesada, com certeza; e inúmeras são as mulheres que se desincumbem disso sem qualquer auxílio do pai de seus filhos.
Mais recentemente, virou moda a propositura de ações que visam desconstituir a paternidade assumida na constância do convívio com mãe de filhos que não haviam sido reconhecidos por seus pais biológicos. O homem reconhece a paternidade dos filhos da companheira enquanto dura a convivência, e depois, com a separação, busca desconstituir a paternidade, como se fosse possível dizer a uma criança que aquele homem que a criou por cinco, dez ou quinze anos não deseja mais ser seu pai. Simples assim.
A paternidade é importante. Os homens não podem vê-la apenas como o encargo de prestar alimentos. Os filhos veem nos pais um alguém querido, mesmo que ele apresente defeitos. Cansei de ver crianças acolhidas em instituições que defendem seus pais alcoolistas, drogados, violentos, apenas para poderem ficar ao lado deles. Se isso não for amor, sinceramente, não sei o que possa ser. Os filhos amam os pais, eles os admiram mesmo quando não são tão bons; eles precisam dessa presença, dessa referência, e não apenas na certidão de nascimento.
Espero que você, pai, já tenha percebido como é importante para o seu filho. Reconheça-o, ame-o como ele lhe ama, dê a ele motivos para se orgulhar de você e será sempre lembrado como um exemplo a ser seguido. Muitos homens podem ser esquecidos, mas jamais o serão aqueles que forem plantados no coração se seus filhos.
Maria Regina Canhos Vicentin (e.mail: contato@mariaregina.com.br) é escritora.
Marli Gonçalves em: Eles não podem ver mulher
Passei três dias tentando digerir o impacto e o nojo que me causou uma foto publicada essa semana. Claro que feita por uma mulher de olhar aguçado, Monique Renne. Nela, Andressa, a namorada, noiva ou sei lá o quê de Carlinhos Cachoeira, se retirava da mesa da CPI que a havia convocado para depor. Na foto, todos os babões focados – seis! – olhavam concuspiciosos para sua, digamos, parte de trás.
Lembrei-me de que no primário havia um exercício de descrição. Nos era dada uma imagem e a partir dela descrevíamos o que aquilo nos parecia ser, em geral cenas e paisagens bucólicas. No caso da foto dos tarados da CPI, ficaria mais ou menos assim: “moça loura, bonita e segura de si, com um leve e irônico sorriso no rosto, faz com que aloprados e seus assessores esqueçam suas funções, como parlamentares eleitos pelo povo, e salivem, com cara de bobos, ruminantes, em suas gravatas”. Aliviados, na certa, porque o “homem” da bela está preso. Porque se eu conheço bandido, e Cachoeira parece ser desse time, se ele visse essa foto, aiaiai, oioioi.
Foto tipo batom na cueca. E nem me venham com explicações, porque até ainda não disse bem o que pensei desses mesmos desconsiderados que pagamos para legislar quando há pouco houve outro caso, o da assessora de um senador metido a besta, demitida porque um safado gravou e mostrou para todo mundo um filme dele tendo relações sexuais com ela. O caso parou a CPI dos velhos babões, até porque a moça, advogada, era realmente de fechar o trânsito, principalmente de corpo. Mas não é esse o caso. O que aconteceu com o comedor malfadado que mostrou o filme? Nada. Deu até entrevista dizendo que não era ele.
Na mesma semana na qual no país pelo menos mais três mulheres que deveriam – e os juízes lhes garantiriam que estariam – protegidas pela Lei Maria da Penha, foram assassinadas por seus ex-companheiros, essa foto apenas mostra a quantos anos-luz estamos ainda do dia que as mulheres serão tratadas com respeito, dignidade e realmente de igual para igual. Agora até adolescentes são mortas por namoradinhos, no país machista que não se emenda, e onde até as lésbicas às vezes reproduzem papéis de machos da relação, como se sempre tivesse de haver alguma sobreposição de poder de um.
JORGE AMADO, UNIVERSAL
Geraldo Menezes Barbosa – jornalista e escritor
Do Instituto Cultural de Juazeiro do Norte-CE
O ser humano é um universo de valores intrínsecos, capaz de gerar em seu redor, outros mundos, sob sua atração e transferir irradiações magníficas pela energia de sua mente e do seu espírito, alguns deles considerados gênios. Esses gênios são raros na constelação humana.
O século XX foi bastante generoso em oferecer ao Brasil uma dessas valências geniais, com o nascimento de Jorge Amado, em Itabuna, em 10 de agosto de 1912, indo residir em Ilhéus na Bahia, cuja presença imorredoura comemora um centenário.
Uma luminária intelectual que resplandeceu em literatura em sua terra pátria, estendendo-se pelas Américas e recebido em quase todas as nações, com a maestria de renomado escritor, exibindo a arte literária e a riqueza da cultura brasileira.
Motivado por uma inteligência genial, Jorge Amado escreveu a maioria de suas obras, exibindo a essência nacionalista de seu berço, a Bahia, o calor da terra, o sentimento nativo de sua gente, a riqueza emocional do amor e paixão da mulher brasileira, o céu e o mar tão ricos de poemas e seduções, as ruas e sobrados seculares, sabores do acarajé e a mística dos afoxés, dos pais e mães de santos, que descobrem os destinos de uma gente forte e nutrida por uma fé nunca esmorecida ao Senhor Deus que criou Iemanjá.
As obras de Jorge Amado foram traduzidas para 49 países e, no Brasil, são livros de cabeceira, do bom gosto literário nacional e seus textos solicitados para questionários nas aulas dos educandários e nos vestibulares das nossas universidades.
Em homenagem ao seu ano centenário, os temas de alguns livros de Jorge Amado têm sido matéria cultural para teatros, cinema e televisão, com destaque o de “Gabriela, Cravo e Canela”, “Tieta do Agreste”, “Dona Flor e seus dois maridos”, obras já imortalizadas, onde o escritor se propôs a levar ao mundo uma paisagem rica de emoções de uma gente que faz do amor o seu maior encanto e da vida uma alegria necessária em busca das esperanças, tendo como cenário um recanto onde o Brasil teve o seu começo, a Bahia do Senhor do Bonfim.
. Juazeiro do Norte tem a honra de estar ligada à cidade onde viveu Jorge Amado, Ilhéus, através do Instituto Cultural do Vale Caririense, que, em fevereiro deste ano, atendendo ao convite da Academia de Letras de Ilhéu, compareceu àquele sodalício para o lançamento do livro do sócio Geraldo Menezes Barbosa, em memorável e histórica noite de autógrafos, onde a imprensa baiana documentou em vários jornais e a sociedade participou com distinção.
Visitando aquela cidade histórica, observa-se que o escritor centenário Jorge Amado está presente, não só na sua estátua, sentado numa cadeira na calçada do “Bataclan”, mas à porta de sua residência, na Biblioteca, ruas e praças, num conflito de emoções propícias em que os visitantes sentem-se abraçados pela memória deste gênio do século da Literatura brasileira.
Juazeiro do Norte, 10 de agosto de 2012
Paiva Netto em: Reflexão sobre o Dia dos Pais

Paiva Netto
No próximo domingo comemoraremos o Dia dos Pais. Em 12 de agosto de 2000, no Rio de Janeiro/RJ, preparei uma mensagem que enderecei a eles, deste e do Mundo Invisível, pois os mortos não morrem. Selecionei alguns trechos para apresentá-los a vocês, caros leitores.
Ao observar o crescimento orgânico e estruturado da Legião da Boa Vontade, e tudo o que dela brotou, continua despontando e ainda surgirá do trabalho de Fé Realizante e Boa Vontade, nossa alma se comove porque vemos progredir a semente lançada por Alziro Zarur (1914-1979), da qual estamos com extremo cuidado tratando, para que se desenvolva com a brandura e honre a grandeza das questões divinas.
Diante disso, percebemos a magnitude do Criador, o Pai de todos nós, e a comprovação de Sua onisciência, onipresença, onipotência, onidirigência e majestade.
Para o leal trabalhador da seara do Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, na Terra e no Plano Espiritual, são oferecidos raros momentos de repouso. Novas tarefas são anunciadas pela Espiritualidade Maior para os dedicados discípulos do Provedor Celeste, resultantes de decisões supremas relativas a sentenças decorrentes das ações humanas e espirituais, somadas e multiplicadas no transcorrer dos milênios. Não é sem motivo esta advertência do Excelso Taumaturgo, no Seu Evangelho segundo Mateus, 16:27: “A cada um de acordo com as suas próprias obras”. Nada mais, nada menos.
Sinos poderosos, cujos toques nos chegam de regiões onde os horizontes não conhecem limites, persistem em proclamar os Tempos anunciados desde o Antigo Testamento da Bíblia Sagrada e nos respeitáveis textos de todas as crenças, destinados aos filhos do Altíssimo, criados para a fortuna inesgotável que de Deus provém.
Nossa missão — e a de muitos idealistas pelo mundo — é colaborar no direcionamento de tanta gente para as glórias do Sublime Reino que baixam a este orbe, profetizadas pelo Anjo ao soar da Sétima Trombeta: “O reino do mundo se tornou de nosso Deus e do Seu Cristo, e Ele reinará pelos séculos dos séculos. Amém” (Apocalipse, 11:15). Aqueles sinos plangem, convocando o fim de um tempo em que o egoísmo foi soberano e atraindo as matinas de uma era nova, em que o Espírito se sobreporá às convocações da excessiva materialidade. (…)
Louvado seja Deus!
LEITORES
“Londres e o exercício da Paz”, de 31/7/2012.
“Obrigado pelo texto! Mais uma bela obra (…) que nos remete à reflexão, que deixa grande mensagem. Dentre as quais, a de que, mesmo na disputa, não podemos abandonar a solidariedade e que, com dedicação, podemos quebrar paradigmas! Desejo a todos um bom final de semana cheio de Paz! Fé e Honra!!!”(Dr. Jonas Roza, executivo da Fiocruz, Fundação Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro/RJ.)
“Belo artigo. A solidariedade, sem dúvida alguma, está associada à imagem da LBV”. (Dr. Edmar Miniacci, diretor regional, no Centro-Oeste, da Diagnósticos da América S/A, Dasa.)
Grato aos ilustres leitores.
José de Paiva Netto — Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com
JOGO DOS MUITOS ERROS
Num ano o governo não reajusta a gasolina porque tem eleição; no seguinte, porque a inflação subiu; no terceiro ano, porque tem eleição. Como a democracia veio para ficar, e nela vota-se com frequência, o governo deve deixar a economia fora disso. A importação de gasolina, em dólares, aumentou 374% no primeiro semestre, a Petrobras teve prejuízo, e o setor de etanol está desorganizado.
Os efeitos colaterais da decisão do governo de manter o preço artificial da gasolina estão se acumulando. Os dados da ANP mostram que de janeiro a junho foram gastos US$ 1,56 bi com a importação do produto, quase o mesmo valor importado em todo o ano de 2011. A exportação caiu 60% e foi de apenas US$ 48 milhões. Veja o gráfico. Aconteceu o mesmo com o óleo diesel: as exportações caíram 50% no primeiro semestre, enquanto as importações subiram 30%. A balança comercial do produto ficou negativa em US$ 3,5 bi. Em 2011, fechou no vermelho em US$ 7 bi.
Os números mostram a completa falta de sentido da política de combustíveis. A Petrobras compra lá fora por um preço mais alto do que vende aqui dentro, tem prejuízo e incentiva o consumo de combustível fóssil.
Maria Regina Canhos Vicentin em: A morte
Esta semana morreu uma mulher por quem eu tinha admiração. Não que ela fosse assim especial para mim, na verdade era uma pessoa comum, mas secretamente angariava a minha simpatia. Teve vários filhos, e os criou todos alicerçados em valores morais sólidos, pessoas de bem. Às vezes, eu a encontrava com o semblante cansado, outras radiante, outras ainda com a contrariedade estampada no rosto; ou seja, uma mulher como qualquer uma de nós. Mas, acompanhei a sua trajetória de vida, principalmente através da vida de seus filhos; pessoas que, por extensão, também aprendi a admirar. Todos com qualidades e defeitos, gente como a gente; que acerta e erra, mas pensando melhorar.
Quinze dias atrás eu a vi saindo de uma clínica médica. Sua situação de saúde agravada era visível, e fiquei chocada com a imagem de alguém que fora tão forte tão debilitada. Eu chorei. Pedi a Deus por ela quase que instantaneamente. Elevei uma prece para o seu conforto, e corri abraçar minha mãe, como se pudesse conter o avançar da idade com os meus braços. Estava paralisada diante da constatação do que a velhice e a doença podem fazer com alguém.
Paiva Netto em: Hiroshima
- Paiva Netto
Em 6 de agosto, precisamente às 8h15, completam-se 67 anos do lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima, depois foi a vez de Nagasaki, também no Japão. Data que jamais será varrida das consciências sob risco de que — esquecidos desse abominável atentado à vida humana — o repitamos num grau de intensidade ainda maior, devastando não apenas uma cidade, mas o próprio planeta.
Um pouco de história
Agosto de 1945. Na Europa, Hitler se encontrava derrotado e morto. Berlim, destruída e ocupada pelos russos. Em 25 de julho, dias antes do impacto de “Little Boy” — apelido do petardo de cinco toneladas que matou cerca de 100 mil pessoas em solo japonês —, o presidente norte-americano, Harry Truman, decide usar contra o naquele tempo inimigo asiático o que ele mesmo designou em seu diário como “a coisa mais terrível já descoberta”.
Paul Tibbets foi o piloto da marinha escolhido para comandar o B-29 que decolou da ilha de Tinian. O avião, batizado com o nome de sua mãe, Enola Gay, levantou voo às 2h45min. Ao seu lado, na missão que entraria para a história e mudaria a geopolítica do século 20, estava o copiloto Robert Lewis, autor da famosa exclamação: “Meu Deus, o que fizemos!”
Décadas se foram. Todavia, o relato de muitos sobreviventes a respeito do sofrimento atroz por que passaram, é, sem dúvida, uma das mais importantes bandeiras na luta pelo desarmamento e pela não-proliferação de armas nucleares.
“O perigo é real”
Maria Regina Canhos Vicentin em: Lamento
Às vezes, eu me queixo com Deus. Nem sempre as coisas são como gostaria que fossem e, de alguma forma, acho que Ele tem algo a ver com isso. Nos momentos de dor ou tristeza queria que Ele tivesse pena de mim, mas parece que não tem. Por alguma razão, que não sei qual é, demonstra esperar mais do que posso oferecer. Eu queria entender, mas não consigo. Nem Madre Tereza entendeu, pois ela pedia para Deus não confiar tanto nela. Sinto que em muitos momentos minhas forças parecem se esvair. Toda vez que as férias terminam e devo retornar ao trabalho me sinto assim. Há anos, o judiciário se mantém com pouquíssimos funcionários, e os que lá se encontram precisam dar conta de uma demanda absurda, que extrapola em muito sua capacidade. O resultado é que ficamos doentes, mas parece que ninguém se importa realmente com isso. Creio que, se houvesse interesse, muitos afastamentos poderiam ser evitados. Não haveria a necessidade de esperar o funcionário adoecer. Nesses momentos, em que mesmo Deus parece não se importar, sinto-me órfã.
Por que o Criador permite tanto sofrimento, não sei. Creio que está sempre apostando na humanização do homem. Espera que sejamos solidários e minimizemos, nós mesmos, a angústia do outro. Tem gente neste mundo que é muito importante, pois possui o poder nas mãos. O poder mal empregado, no entanto, dissipa as oportunidades de auxílio ao próximo, prestando-se apenas ao próprio engrandecimento. Tal, confessemos, é realmente pouco perto do que seria necessário e urgente. Esbanja-se poder em beneficio próprio, enquanto a maioria mendiga melhorias que nunca acontecem.
Eu poderia achar que Deus simplesmente fecha os olhos para essas coisas, mas no fundo não acredito nisso. Continuo esperando o momento em que Ele irá agir. Se isso não acontecer, pelo menos acreditei que aconteceria; e essa crença, por si só me conforta, pois me faz sentir menos órfã do que me sinto algumas vezes.
Desculpem o lamento. É muito triste ver que o sofrimento de muitos poderia ser abreviado por quem detém o poder, e não é. Coisas que seriam relativamente simples para uns, são barreiras intransponíveis para outros. E, tenho consciência, nem sempre isso acontece propositalmente. Muitos poderosos sequer têm noção do padecimento de seus subalternos. Não possuem intimidade suficiente com eles que lhes faculte falarem abertamente sobre suas aflições. Isso sem contar os que sofrem calados, por medo das consequências do falar.
É; certamente Deus espera que alguns acordem de seu sonho dourado e olhem ao redor, percebendo no olhar do próximo toda a dor e a dificuldade para viver com alegria. Embora ela seja um direito de todos, nem todos podem sorrir. Que este artigo sirva de alerta aos poderosos. Façam o que puderem para minimizar o sofrimento do seu próximo. Vocês não perderão nada, e ainda ganharão a oportunidade de fazer alguém feliz. Pode ser que tal atitude lhes sirva de passaporte para experimentar a graça de Deus.
Maria Regina Canhos Vicentin (e.mail: contato@mariaregina.com.br) é escritora.


























































