MARKETING AGRESSIVO À BEIRA MAR
Domingo ensolarado. Em Ilhéus, sol é sinônimo de praia, mesmo o sol frio do inverno. Nada como ler um bom jornal de papel (antes que vire crime ambiental) numa cabana de praia tranquila, aprazível e sem “música”. Melhor assim, antes o barulho das ondas do que os “hits” do momento.
Cervejinha no copo, jornalzão aberto… toca o celular, companheiro eletrônico de todas as horas para muitos; para mim, um mal necessário. Nunca fui de ficar pendurado ao telefone, em conversas demoradas. Não gosto. Mas aquela era uma ligação importante, interurbana, que requeria minha atenção o tempo que durasse e eu estava disposto a dar atenção.
De repente chega uma senhora, vendedora de amendoim, eu ao celular. Para na minha frente e espera pacientemente. O tempo passa e ela ali, sem arredar pé. Comecei a desconfiar se estava mesmo aguardando o término da ligação pra oferecer o amendoim, ou se estava interessada na minha conversa. Constrangido, fui obrigado a interromper e, educadamente, dispensá-la. Na sequência, coisa de segundos após, eu de volta ao celular, chega um vendedor de castanha, este sem a menor noção de nada, já chega me anunciando seu produto em voz alta. Tive que interromper novamente a conversa e, já meio irritado, dispensá-lo, sem antes perguntar ao dito cujo se não tinha percebido que eu estava ao telefone. Ao se retirar, ele, surpreendentemente, me pediu desculpas!
Enfim, consegui concluir minha conversa telefônica. Depois disso, ainda fui abordado por mais dois representantes de entidades assistenciais, vendendo chaveiros. Um deles não admitiu minha recusa sem expor toda história de sua vida e da instituição que o acolheu.
Não vou aqui desmerecer, criticar ou condenar nenhum desses praticantes da chamada “venda agressiva”, entendo sua luta do dia a dia para sobreviver. Além disso, em nada eles diferem daquelas operadoras de telemarketing, com voz graciosa, que ligam para a gente em nome de bancos, financeiras e administradoras de cartões de crédito, oferecendo insistentemente mundos e fundos, mil coisas e mil vantagens que não nos interessam, muitas vezes torrando-nos o bom humor e a paciência.
Nilson Pessoa
























































