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MNU defende Capoeira no currículo escolar das escolas de Ilhéus

Edson Vieira / Movimento Negro Unificado (Ilhéus)

A prática da cultura da Capoeira nas escolas públicas é precária e carece de uma sistematização curricular. Há muito tempo as organizações e associações de capoeiristas pressionam as secretarias de educação pela inclusão da Capoeira nas escolas públicas. Tais propostas, ainda que louváveis, circunscrevem-se apenas a prática física da Capoeira em espaços delimitados do ambiente escolar, isso não basta, isso significa subalternizar a cultura da Capoeira, diante das demais disciplinas escolares.

O Currículo Escolar compreende um conjunto heterogêneo de conhecimentos universalmente compartilhados por povos e nações. As escolhas dos conhecimentos não são aleatórias, neutras e desprovidas de significações. Historicamente tem se predominado os conhecimentos eurocêntricos. A experiência social de mundo é imensamente superior à experiência histórica européia. Existem tantas experiências de mundo quanto sujeitos (coletivo) existentes no mundo. O que os alunos/as aprendem nas escolas são apenas recortes históricos, feitos a partir de escolhas/seleções políticas de determinados grupo em posição de poder. Nesta conjuntura histórica de afirmação das diversidades e pluralidades culturais, precisamos retirar a Capoeira do “pátio” escolar e colocarmos nas “salas de aula” articulada e integrada ao projeto político pedagógico escolar.

A prática da Capoeira não se resume a um conjunto de exercícios físicos. A Capoeira trabalha com a linguagem corporal, com a inteligência corporal numa dimensão artística, física e espiritual. Resultado de um hibridismo de experiências sociais de africanos que viveram a diáspora com escravizados do Brasil colonial, a Copeira fazia parte da cultura, do modo de vida desses sujeitos. Era praticada como uma dança, um jogo, uma ginga. Praticava-se o jogo da capoeira nos mais variados contextos sociais, tanto nas festas, recreações, procissões, quanto nos momentos de conflitos políticos. Entendemos a Prática da Capoeira enquanto uma produção cultural afro-descendente que interliga o exercício físico a atividade cultural (capoeira, maculêle e samba de roda).

Nós, do Movimento Negro Unificado, lutamos pela inclusão curricular da Capoeira na rede pública de educação dada sua relevância social e cultural para a história do Brasil. Pesquisas atuais revelam que a prática da Capoeira interfere positivamente na vida escolar e social dos educandos. Amparados na lei 10.639/03 que obriga o ensino da História e Cultura Afro-brasileira e Africana, queremos ver a Cultura da Capoeira sendo ensinada nas salas de aula, em horários alternativos, ampliando a oferta educativa por meio de práticas e conteúdos que acompanham a trajetória política, social e cultural da História do Brasil.

 

Edson Vieira – Movimento Negro Unificado (Ilhéus)

1 resposta para “MNU defende Capoeira no currículo escolar das escolas de Ilhéus”

  • Mario Alves Amorim says:

    Olá Companheiro Edson,
    “Questões relativas à filosofia, ciência, arte, religião, ideologia, poder, política pública, governos, cultura, etnia, gênero, sexo, classes sociais, discriminação, racismo foram amplamente debatidas, pesquisadas, estudadas e refletidas em sala de aula e fora dela”.
    Esta é parte da avaliação que fiz na minha conclusão da disciplina CURRÍCULO no meu curso de Licenciatura em Matemática na UESC, ainda sendo cursado.
    A autora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva em sua obra Diversidade Étnico-Cultural e Currículos Escolares – Dilemas e Possibilidades, apresenta esta entre outras propostas: “Que os conteúdos sejam vistos com base na racionalidade dos diferentes grupos presentes na escola, das suas diferentes matrizes culturais, começando pelas grandes temáticas que envolvem nosso dia-a-dia e modo de ser: família, trabalho, religião e escola”. A autora faz uma análise sobre cada uma destas quatro temáticas e conclui dizendo “que um passo importante para que a diversidade étnico-cultural integre de fato os currículos escolares, está na superação das “distorções cognitivas” (Winter, 1992) e que há que se reavaliar a formação dos professores, estejam eles nas instituições formadoras ainda realizando seus estudos, estejam já engajados na atividade docente”.
    Dito isto, que lhe parabenizar pela sua proposta pertinente e oportuna, o que não poderia ser diferente dada a sua capacidade de graduado em Filosofia e graduando em Letras, ambas na UESC. Você sabe da nossa afinidade e da nossa amizade, por isto lhe desejo muita força e coragem para prosseguir na luta.
    Um abraço fraterno e sincero do amigo,
    Mário Alves Amorim

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