De: Wagner Gentil
Assunto: O PESCADOR INOCENTE E O CARRETEIRO MALVADO …

Corpo da mensagem:

O PESCADOR INOCENTE E O CARRETEIRO MALVADO …

Quem tiver mulher bonita
Traga presa na corrente.
Eu também já tive a minha,
Mas perdi num samba quente.
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O PESCADOR INOCENTE E O CARRETEIRO MALVADO …

Ela chegou descabelada e faminta, eu, fui o taxista que a atendeu na rodoviária, apareceu como quem chega do nada, fedia a aguardente, e ao entrar no taxi pediu que a levasse para o Nelson Costa. Devagarzinho, como é meu costume, dei partida, fui saindo da rodoviária com destino a Zona Sul da cidade; eram 11 horas da noite, seria minha ultima corrida do dia (ultima, tinha que ser!).

O meu semblante amigo sempre desperta nas pessoas vontade de falar e, até sem querer, por educação, ou talvez, por medo de não receber a corrida perguntei: Algum problema senhora?

Foi o bastante para que ela fizesse uma enxurrada de confições; larguei meu marido, abandonei o coitado, ele trabalhando, sabe moço ele é pescador, eu fugi com o primeiro que me apareceu, um motorista de caminhão, aquele maldito e mentiroso canalha.

Chorou!

Eu o conheci num bar, pertinho lá de casa, fui comprar um refrigerante, ele me olhou com aqueles olhos gulosos, nunca que meu marido tinha me olhado assim, eu me apaixonei. Ele veio se achegando, me chamando de morena Gabriela, me perguntando meu nome, se eu era solteira, se tinha namorado, dizendo que como podia uma mulher tão linda como eu estar sem dono e essas coisas que um golpista fala quando quer enganar a gente. Eu me encantei, ele tinha o peito peludo, o queixo quadrado, os braços longos e cheirava gostoso; me deixei levar…

Meu marido estava pro mar, ele é pescador, curtido do sol, queimado, pele grossa, mãos calejadas, chega sempre cansado, só vem quando a lua muda, passa dias trabalhando; sabe, ele é pescador, tem cinco anos que a gente vive junto, ele é um bruto, mas, diz me amar.

O perfume do carreteiro me enfeitiçou, branquelo, fala mansa, grandalhão, me convidou pra passear na carreta dele, nunca entrei num caminhão e com o meu marido lá pro mar eu pensei que não tinha nada demais eu dar só uma voltinha.

A Carreta era mais xique que a penteadeira de Maria Rita, tinha o mesmo cheiro dele, tinha, também, um barzinho cheio de bebidas e guloseimas. Eu me enchi de bombom, “serenata do amor”, e enquanto a gente se conhecia ele me serviu umas doses de uma bebida docinha e deliciosa; quando dei por mim estava era atracada nos braços dele e dava altos beijos; fizemos amor e depois quando acordei, no dia seguite, já passavamos por uma cidade que se chama São Mateus lá no Espirito Santo.

Ele, ao me ver acordada, falou que não tinha resistido a vontade de fugir comigo e que como tinha se apaixonado, estava me levando para morar com ele em São Paulo; eu, cansada da vida de mulher de pescador, quase enlouqueci de alegria. O resto da viagem durou dois dias e foi só amor, de todo jeito, debaixo de arvores no acostamento, em cachoeiras existentes nas beiradas da rodovia, em beira de praia; foi uma loucura e eu achei que minha vida, dali pra frente, seria só felicidade. Paramos em Vitória e ele me comprou um vestido lindo e roupas de baixo.

A viagem seguiu maravihosa!!!!!

Chegamos em São Paulo e fomos direto para uma empresa mosntruosa e dormimos ainda mais uma noite, no pátio da empresa, na boleia da carreta, tudo era só amor, esperando para descarregar a carga no dia seguite.

No dia seguinte, depois de descarregar a carreta, Seguimos para um lugar chamado Itaquera, onde me disse o meu maravilhoso carreteiro que iria receber o dinheiro do frete. Paramos num restaurante Italiano e almoçamos uma lazanha do tipo igual nunca havia comido. Ele então me disse que iria receber o dinheiro do frete numa filial da transportadora, logo ao lado do restaurante, e que não ficava bem eu entrar na filial por que só dava homens mau educados e que o local não era recomendado para uma dama como eu; que eu o esperasse ali.

Feliz da vida com tanto amor, carinho e respeito, assenti com a cabeça e fiquei ligada na televisão do restaurante enquanto ele saia para resolver seus assuntos.

A noite chegou e nada do carreteiro voltar, eu ja estava desesperada; o maldito sumiu, despareceu, nem a conta do restaurante pagou, eu fui jogada na rua pelo garçon como se fosse uma vadia qualquer. Estava atirada na rua, na maior cidade do Brasil, sem nada, sem dinheiro, sem documento, sem saber onde estava.

Eu dormi na rua, frio, drogados, assaltantes, bebedos, tudo de ruim e desesperador; de manhã passa por mim uma viatura da policia, dei com as mãos, contei minha história, fui levada a uma unidade da prefeitura, depois de ser catalogada como uma peça qualquer fui encaminhada à rodoviária e socada dentro de um onibus da São Geraldo de volta pra Ilhéus. Sou um lixo!

Estou com fome, quase tres dias sem comer, bebendo agua de torneira, parecendo uma mendinga; o que foi que eu fiz com a minha vida?

Chegamos na porta da casa dela, luzes acesas, ela desceu, bateu na porta, chamou o nome do pescador baixinho; a porta se abre e um homem apareceu em estado de euforia, gritava seu nome, abraçava e beijava a mulher que acreditava perdida. Ela, lívida, olhou para mim como que pedindo segredo, mandou o marido me pagar a corrida e entrou em “SUA CASA”.

Que loucura! – Um carreteiro! – Uma aventura! – SEXO! – Um vestido novo! – uma Lazanha! – Um desencanto! – Um corno! – e, o amor? – O amor estava em casa!

O amor estava em casa!

Cuidado Gabrielas!

Amem seus PESCADORES INOCENTES e fujam de CARRETEIROS MALVADOS!

Wagner Gentil


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