Heckel Januário em: NUM ÁLBUM DE CONTRADIÇÕES
A Conferência Rio + 20 dos dias 20 a 22 do mês maio fez sair na foto significativa parcela de Chefes de Estado do planeta, imagem esta que será colocada ao lado de uma mais velha datada de 1992, a qual documenta uma anterior de igual cenário conhecida como Eco-92.
Como de praxe, paralela à dos governantes, outra chamada Cúpula dos Povos, de cunho popular –e possivelmente sem a exigência da pose para a posteridade–, teve curso.
O mundo tem respirado “desenvolvimento sustentável”, proposição central dessas reuniões, mas o ar é impuro e com o agravante de seu grau de impureza continuar subindo. É notória, entretanto, sem dar bola para o atual embaraço, que a preocupação da comunidade cientifica com o meio ambiente vem aumentando, sobretudo depois da Revolução Industrial do século XIX e a consequente e continuada elevação do dióxido de carbono (CO2) –e outros gazes– na atmosfera, gerador do ameaçador “aquecimento global”. Já dos homens que ditam o que as nações devem querer para si e para as outras, embora façam força para aparecerem bem na foto, pelas evidências, não se pode afirmar o mesmo.
Seguido os fotografados da de 1992, os da Rio + 20 acreditam na diminuição da pobreza e das desigualdades no mundo com a sustentabilidade ambiental, só que o documento final foi muito criticado, em especial pela Cúpula dos Povos, ao achar tacanhas as ações e responsabilidades conferidas às nações. Outro reclamo fora o comprometimento com o “freio puxado” de alguns países ricos. Isso sem falar no não comparecimento de Angela Merkel, Primeira Ministra alemã!
Meio a essas controvérsias, e a outras, a exemplo da de uma parte da ciência afirmar não haver justificativas para imputar o aumento anormal da temperatura à ação humana, ao vivente aqui, deste país socialmente desigual e clamante por desenvolvimento, só sobrou a confusão, agravada, ao sabor caseiro do Pre-Sal que, quando em produção, queimará –mesmo de forma gradativa, lógico–, em torno de 100 bilhões de barris de petróleo. Então o que dizer o signatário do Protocolo de Kyoto (uma das pautas da Eco-92), assumindo o compromisso de viabilizar políticas para reduzir a emissão de CO2 na atmosfera? É claro, é claro que a matriz energética renovável do Brasil de fontes como energias solar, eólica, dos recursos hídricos, da biomassa e etanol é considerável, porém como desatar esse nó?
Essa é uma das nossas contradições. As dos países mandantes são também palpáveis, mas como as daqui, escondidas no discurso, na fachada. Provavelmente os nobres mandatários estejam piamente convencidos de que mesmo correndo perigo a vida na Terra, a mãe natureza, como na lógica da economia de mercado, se auto-ajustará. É isso. Enquanto a proposta coletiva da ONU de salvar o planeta com a política do desenvolvimento sustentável esbarra no impasse da formação de uma consciência coletiva, só me resta, como humano, torcer para no futuro, se alcançado, a coleção de retratos não se configure num álbum de contradições.
Heckel Januário


























































