Heckel Januário em: FESTA DO CARMO
(NOTAS DE BELMONTE- ‘BEBEL’ PARA OS MAIS CHEGADOS)
Com as novenas encerradas em 16 de julho, Belmonte esteve homenageando a sua padroeira Nossa Senhora do Carmo, mas os festejos só terminaram em 19, dia de São Vicente de Paula, quando se encerra o período festivo.
Com o empenho do Frei Denilson e o apoio da administração municipal a festa este ano contou com a imagem do Nosso Senhor do Bonfim vinda de Salvador, e aconteceu como sempre na Praça da Matriz, onde fica a igreja. As filarmônicas Lyra Popular e Quinze de Setembro abrilhantaram com tocatas, como de costume, as novenas dos noiteiros.
Na véspera, 15, houve à porta da Igreja um verdadeiro duelo entre essas filarmônicas, com os músicos tocando de pé. O combate, contudo, meio aos aplausos dos espectadores e réplicas e tréplicas de lindas canções que iam do clássico ao bom popular, decisivamente não teve um vencedor. Quem de fato ganhou foi o orgulho do belmontense diante da constatação mais uma vez que sua terra está assaz representada por duas filarmônicas de excelência. Qualidade musical provada com a participação na capital –convidada pelo maestro Fred Dantas, conhecido pela sua abnegação e incentivo a esse tipo de música– da Lyra Popular nas comemorações do Dois de Julho, data magna da Bahia, quiçá do Brasil. O dia também foi marcado, fazendo parte da programação, com uma bonita apresentação da artista Margareth Menezes.
Por falar nesta magnífica cantora, shows de bandas têm ocupado espaço de uns tempos para cá, fazendo devotos, visitantes e nativos não hesitarem em afirmar que a comemoração mudou muito de visual. Atraída pelas filarmônicas que tocavam em corretos previamente armados –obviamente com os componentes sentados– até o sol raiar, a concentração do povo se fazia próxima do templo, e que hoje, essa interação das pessoas não mais existe, observaram. Alguns conjecturaram inclusive a possibilidade, sem descartar o novo, a evolução, da volta, em estilo moderno, claro, do cenário passado. Ressalte-se de um nativo a emocionada recordação do grupo folclórico “A Marujada” –integrante que era das festividades– e o exclamar: “Que beleza!”.
Apesar da mudança, a Festa do Carmo, como diz o pessoal da cidade, continua mantendo a propriedade de atrair fiéis, devotos, visitantes, camelôs, comerciantes em geral etc., e em especial, o próprio belmontense que mora fora. Para este –estando onde estiver–, passar o 16 de julho no torrão entre o Jequitinhonha e o Atlântico é um compromisso anotado em agenda e de caráter inadiável.
É isso. Da Capitania dos Ilhéus, o escrevinhador aqui, cumprindo o agendado, se mandou. Abro um parêntesis, entretanto, para dispensar o confessionário e expor um pecado: havia sim, algum tempo sem participar dos festejos da Nossa Senhora do Monte Carmelo. Desta feita não, usei a regra. A satisfação foi enorme, retada mesmo, mas já retornado, embora não me considere adepto da incoerência de contrariar naturais transformações, um reacionário a bem dizer, as lembranças dos contatos, dos papos, das interlocuções em Bebel, não podiam dar outra, se não a de me levar ao encontro dos saudosistas.
Heckel Januário


























































