A gente vê de tudo em campanha política, desde as tradicionais feijoadas, o compromisso com a missa, o manjado aperto de mão, as inúmeras e impossíveis promessas.
Mas desta vez parece que o faz-me-rir está sobrando e os candidatos a vereador estão como bicho solto, metendo a mão no bolso e gastando em “benefício” da cidade e seus bairros, num trabalho desnecessário, pois a prefeitura está aí para cumprir com estas obrigações.
Estamos no início da campanha e a turma já está fazendo graça.
Não é que tem candidato assumindo trabalhos nos morros? Outro comprando lâmpadas e reatores para iluminar ruas de bairro que estava às escuras há muito tempo? Aguardem que muita coisa ainda irá acontecer até o apito final.
Nesses pequenos exemplos de comportamento, vê-se que ninguém está realmente preocupado com o que seja a função de um vereador.
Para quem ainda não sabe, a função primordial de um edil é legislar e exercer fiscalização nos atos e fatos do alcaide, estes são os princípios básicos de todo cidadão que assume uma cadeira na câmara e exercer a função com lisura, honestidade, ética e compromisso com a cidade.

Quando se está lá dentro da casa do povo a coisa muda de figura e parece o samba do crioulo doido, ninguém é de ninguém, um dedão para os eleitores, o que interessa mesmo é o poder, o prestígio, as oportunidades que surgem (a toda hora) e salvem-se quem puder.
E aí estão mais de 300 candidatos ansiosos para entrar na casa de noca e se abrigar por quatro anos atrás dos votos conquistados de eleitores levados na sua maioria pelo coração, pela amizade, pelo favorzinho e pelo favorzão que poderá alcançar adiante.
Esperar o que em vista dessas atitudes? No meu entender de cidadão uma repetição desses quatro anos de projetos de reconhecimento de utilidade pública, nomes de logradouros públicos, muito blá-blá-blá e nada, absolutamente nada de concreto em benefício da cidade.
Claro que no meio dos candidatos existem pessoas de bom nível e que poderiam contribuir com alguma coisa proveitosa, mas infelizmente as escolhas que os eleitores fazem não atingem a qualidade necessária para o desempenho da função.
Tanto fizeram que conseguiram aumentar o número de cadeiras, passando de treze para dezenove, ou seja, mais gente, mais conversa, mais conchavos, mais assessores, mais despesa e mais, muito mais inutilidade.
Mesmo assim com tanto pessimismo, espero que os dezenove eleitos façam um esforço para entender a sua função como vereador e tentem algo que ajude a nossa combalida cidade a sair dessa situação que já passa de mais de oito anos, de má gestão pública, do caos na saúde, do fedor do lixo diário.
Infeliz o povo que desfruta de tão inúteis representantes.
VOTO não tem preço, TEM conseqüência.

ZÉCARLOS JUNIOR